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Caso Banco Master: defesa de Vorcaro nega pedido de nulidade no STF após troca de relator

Publicado 17/02/2026 • 09:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Especialistas discutem alegação de violação do “juiz natural” após saída de Toffoli.
  • Caso passou a André Mendonça sem declaração formal de suspeição.
  • Advogados negam pedido imediato de nulidade e mantêm foco no mérito.
PF prende executivo ligado ao Banco Master em São Paulo

O ministro André Mendonça foi sorteado, na quinta-feira (12), como novo relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal, após o ministro Dias Toffoli deixar a condução do processo. A redistribuição ocorreu à noite, depois que os dez ministros da Corte assinaram uma nota conjunta afirmando que, “considerados os altos interesses institucionais”, foi acolhida a comunicação de Toffoli para se afastar da relatoria.

Tal mudança na condução do processo levou especialistas a apontarem a possibilidade de a defesa de Daniel Vorcaro questionar a tramitação no STF com base na chamada garantia do juiz natural.

O garantia do juiz natural assegura que processos sejam conduzidos por um magistrado previamente definido por regras legais. Advogados apontam que a saída de Toffoli ocorreu sem uma declaração formal de suspeição, o que, na avaliação de parte da equipe, poderia abrir espaço para contestação.

A Lei Orgânica da Magistratura Nacional prevê hipóteses como impedimento, suspeição ou afastamento administrativo para a substituição de um juiz. A ausência de formalização nesses moldes está no centro do debate jurídico.

Leia também: Rastro de RS 35 mi: linha do tempo explica engenharia financeira que liga Master à família Toffoli

Defesa nega pedido de nulidade

Apesar das discussões, os advogados de Vorcaro afirmaram que não há, neste momento, qualquer pedido de nulidade em curso.

“A estratégia da defesa sempre foi e continua sendo o foco no esclarecimento do mérito por meio das vias legais adequadas, com a apresentação dos elementos necessários para demonstrar a veracidade dos fatos”, diz a nota da defesa, enviada ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo da CNBC.

O comunicado acrescenta que a defesa confia nas instituições e seguirá colaborando com as autoridades.

Os advogados também classificaram como falsa a informação de que já haveria uma decisão de questionar a validade do processo.

Leia também: Toffoli enfrenta dez pedidos de impeachment e caso Banco Master intensifica pressão

Troca de relator seguiu regimento do STF

A redistribuição do caso foi fundamentada no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, que permite ao relator submeter à Presidência questões relacionadas ao andamento dos processos.

Com a saída de Toffoli, a Presidência realizou novo sorteio, que definiu André Mendonça como relator.

O processo chegou ao STF após a defesa de Vorcaro argumentar que o material apreendido na investigação citava um deputado federal, o que justificaria a competência da Corte.

Na ocasião, Toffoli foi escolhido relator e determinou que todos os inquéritos relacionados ao Banco Master fossem centralizados em seu gabinete.

Leia também: Vazamentos de áudios das reuniões sobre Master e saída de Toffoli aumentam tensão no STF

Questionamentos sobre imparcialidade marcaram o caso

A atuação de Toffoli no processo já vinha sendo questionada por parlamentares da oposição. A discussão sobre sua saída ocorre em meio à repercussão de informações envolvendo sua participação societária em um empreendimento ligado, indiretamente, ao entorno de Vorcaro.

O ministro admitiu fazer parte do quadro societário da Maridt Participações, empresa que vendeu parte de sua participação no resort Tayayá para um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Toffoli afirmou, no entanto, que não é amigo do banqueiro e que não recebeu recursos diretamente dele ou de Zettel.

O resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, funciona como um condomínio híbrido com cerca de 1,5 mil condôminos e estrutura voltada ao turismo de alto padrão, com marina, piscinas, restaurantes e atividades de lazer. As diárias podem chegar a quase R$ 10 mil em períodos de alta demanda.

Segundo informações divulgadas, o empreendimento teria sido beneficiado pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, com renúncia fiscal de pelo menos R$ 680,5 mil até março de 2025.

A venda de participação da empresa ligada a Toffoli teria começado em 2021, com aquisição inicial por um fundo relacionado à Reag Investimentos, apontada como ligada ao Banco Master, e concluída em 2025 para outro grupo sem relação com a instituição financeira.

Caso segue no Supremo

O processo envolvendo o Banco Master chegou ao STF após a defesa argumentar que documentos da investigação mencionavam um deputado federal, o que justificaria a competência da Corte.

Enquanto isso, a estratégia da defesa segue concentrada na análise do mérito das acusações, mesmo com o debate jurídico sobre a condução do processo ganhando força nos bastidores.

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