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Anvisa deve decidir nas próximas semanas sobre rivais do Ozempic
Publicado 17/02/2026 • 07:50 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 17/02/2026 • 07:50 | Atualizado há 8 meses
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A corrida por um dos mercados mais quentes da indústria farmacêutica global entra em uma nova fase no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve se manifestar nas próximas semanas sobre pedidos de registro de medicamentos que podem concorrer diretamente com Ozempic e Wegovy, as canetas emagrecedoras que transformaram a semaglutida em um fenômeno de consumo.
O interesse não é pequeno. A quebra da patente da substância, prevista para 20 de março, abre espaço para novos players em um mercado que já movimenta bilhões e vem sendo impulsionado tanto por tratamentos médicos quanto pelo uso estético.
Segundo a agência, os pedidos estão na etapa final de revisão interna. Entre os processos mais avançados está o de um medicamento desenvolvido pela EMS, que já atua no segmento com canetas à base de liraglutida, usadas como alternativa a produtos como Saxenda e Victoza.
Outro pedido relevante foi originalmente protocolado pela Momenta, do grupo Eurofarma, e posteriormente transferido para a Ávita Care. A Eurofarma já tem presença no mercado por meio de parcerias na distribuição de produtos com semaglutida.
Apesar do avanço, não há garantia de aprovação. O processo regulatório pode exigir novos dados ou até resultar na rejeição dos pedidos, como ocorreu com um produto à base de liraglutida do laboratório Megalabs, que teve o registro negado pela Anvisa em dezembro.
No total, a agência analisa 14 pedidos envolvendo semaglutida e outros sete com liraglutida.
Leia também: Anvisa aprova novas indicações de Ozempic e Wegovy; veja quais
Hoje, as canetas emagrecedoras disponíveis no Brasil são dominadas por poucos produtos. Entre os principais estão Ozempic e Wegovy, ambos da Novo Nordisk, e Mounjaro, da Eli Lilly, que utiliza a tirzepatida, substância com patente mais longa, até 2036.
Mesmo sem enquadramento como genéricos, o aumento da concorrência é visto como um fator-chave para reduzir preços. No setor, a expectativa é de que mais oferta ajude a tornar os tratamentos mais acessíveis, algo que hoje ainda limita o consumo em larga escala.
O movimento reflete uma lógica semelhante à de outras indústrias de alto crescimento, em que a entrada de novos players tende a diluir margens e ampliar o público consumidor.
Leia também: Pílulas para emagrecer: Wegovy coloca a Novo Nordisk na defensiva
A popularização das chamadas canetas emagrecedoras criou uma demanda que vai além do uso clínico. O consumo fora da bula e para fins estéticos se tornou comum, o que intensificou a pressão por mais opções e preços menores.
Ao mesmo tempo, entidades médicas e associações da indústria alertam para riscos, como o uso indiscriminado e a circulação de versões manipuladas sem controle rigoroso.
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Siga o Times | CNBCO tema também chegou ao Congresso. Recentemente, a Câmara aprovou um requerimento de urgência para um projeto que prevê a quebra de patente de medicamentos à base de tirzepatida, proposta que enfrenta resistência tanto da indústria quanto do governo.
Leia também: Anvisa emite alerta sobre risco de pancreatite por uso de canetas emagrecedoras
O avanço dos emagrecedores na fila da Anvisa também gerou questionamentos. No ano passado, a agência priorizou a análise de 20 pedidos desse tipo após solicitação do Ministério da Saúde.
A decisão foi justificada por risco de desabastecimento e pela alta demanda, mas gerou críticas de especialistas, que apontam possível atraso na aprovação de tratamentos para doenças graves, como câncer e doenças raras.
Documentos internos indicam que técnicos da agência veem a priorização com cautela, destacando a necessidade de equilíbrio na análise de medicamentos com maior impacto clínico.
Leia também: Gigantes do setor farmacêutico investem milhões em anúncios de remédios para emagrecer no Super Bowl
Outro fator estratégico para o setor é a produção local. A Anvisa tem dado prioridade a medicamentos com etapas de fabricação no Brasil, o que favorece empresas com estrutura instalada no país.
A EMS, por exemplo, possui uma fábrica de peptídeos sintéticos em Hortolândia, tecnologia essencial para esse tipo de medicamento. A companhia já comercializa produtos à base de liraglutida e aguarda a decisão sobre sua versão com semaglutida.
No horizonte, o debate sobre acesso ao sistema público também ganha força. Há discussões sobre a incorporação desses tratamentos no SUS, embora o alto custo ainda seja um obstáculo relevante.
Uma das estratégias em análise envolve a transferência de tecnologia para produção nacional, o que poderia reduzir custos no longo prazo.
O avanço regulatório acontece em um momento em que o setor vive uma transformação acelerada. O que começou como um tratamento para diabetes se tornou um dos produtos mais desejados da indústria farmacêutica, impulsionado por redes sociais, celebridades e mudanças de comportamento.
Agora, com a possível entrada de novos concorrentes, o mercado deve caminhar para uma nova etapa. Mais competição, preços potencialmente mais baixos e um público ainda maior.
Na prática, é a lógica de qualquer mercado aquecido. Quando a demanda explode, a oferta corre atrás. E quem chega primeiro na prateleira tende a capturar a maior fatia desse novo ciclo.
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