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Anvisa deve decidir nas próximas semanas sobre rivais do Ozempic

Publicado 17/02/2026 • 07:50 | Atualizado há 4 meses

KEY POINTS

  • Anvisa deve decidir nas próximas semanas sobre novos concorrentes do Ozempic.
  • Patente da semaglutida expira em março e abre espaço para novas marcas.
  • Mercado aposta em queda de preços com aumento da oferta.
Duas canetas emagrecedoras em cima de uma mesa, ao lado de um estetoscópio

Canva

Anvisa debate norma para manipulação de canetas emagrecedoras no dia 29

A corrida por um dos mercados mais quentes da indústria farmacêutica global entra em uma nova fase no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve se manifestar nas próximas semanas sobre pedidos de registro de medicamentos que podem concorrer diretamente com Ozempic e Wegovy, as canetas emagrecedoras que transformaram a semaglutida em um fenômeno de consumo.

O interesse não é pequeno. A quebra da patente da substância, prevista para 20 de março, abre espaço para novos players em um mercado que já movimenta bilhões e vem sendo impulsionado tanto por tratamentos médicos quanto pelo uso estético.

Anvisa analisa novos pedidos em fase final

Segundo a agência, os pedidos estão na etapa final de revisão interna. Entre os processos mais avançados está o de um medicamento desenvolvido pela EMS, que já atua no segmento com canetas à base de liraglutida, usadas como alternativa a produtos como Saxenda e Victoza.

Outro pedido relevante foi originalmente protocolado pela Momenta, do grupo Eurofarma, e posteriormente transferido para a Ávita Care. A Eurofarma já tem presença no mercado por meio de parcerias na distribuição de produtos com semaglutida.

Apesar do avanço, não há garantia de aprovação. O processo regulatório pode exigir novos dados ou até resultar na rejeição dos pedidos, como ocorreu com um produto à base de liraglutida do laboratório Megalabs, que teve o registro negado pela Anvisa em dezembro.

No total, a agência analisa 14 pedidos envolvendo semaglutida e outros sete com liraglutida.

Leia também: Anvisa aprova novas indicações de Ozempic e Wegovy; veja quais

Mercado espera queda de preços com concorrência

Hoje, as canetas emagrecedoras disponíveis no Brasil são dominadas por poucos produtos. Entre os principais estão Ozempic e Wegovy, ambos da Novo Nordisk, e Mounjaro, da Eli Lilly, que utiliza a tirzepatida, substância com patente mais longa, até 2036.

Mesmo sem enquadramento como genéricos, o aumento da concorrência é visto como um fator-chave para reduzir preços. No setor, a expectativa é de que mais oferta ajude a tornar os tratamentos mais acessíveis, algo que hoje ainda limita o consumo em larga escala.

O movimento reflete uma lógica semelhante à de outras indústrias de alto crescimento, em que a entrada de novos players tende a diluir margens e ampliar o público consumidor.

Leia também: Pílulas para emagrecer: Wegovy coloca a Novo Nordisk na defensiva

Anvisa encara pressão por acesso cresce entre consumidores e indústria

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras criou uma demanda que vai além do uso clínico. O consumo fora da bula e para fins estéticos se tornou comum, o que intensificou a pressão por mais opções e preços menores.

Ao mesmo tempo, entidades médicas e associações da indústria alertam para riscos, como o uso indiscriminado e a circulação de versões manipuladas sem controle rigoroso.

O tema também chegou ao Congresso. Recentemente, a Câmara aprovou um requerimento de urgência para um projeto que prevê a quebra de patente de medicamentos à base de tirzepatida, proposta que enfrenta resistência tanto da indústria quanto do governo.

Leia também: Anvisa emite alerta sobre risco de pancreatite por uso de canetas emagrecedoras

Prioridade regulatória levanta debate na Anvisa

O avanço dos emagrecedores na fila da Anvisa também gerou questionamentos. No ano passado, a agência priorizou a análise de 20 pedidos desse tipo após solicitação do Ministério da Saúde.

A decisão foi justificada por risco de desabastecimento e pela alta demanda, mas gerou críticas de especialistas, que apontam possível atraso na aprovação de tratamentos para doenças graves, como câncer e doenças raras.

Documentos internos indicam que técnicos da agência veem a priorização com cautela, destacando a necessidade de equilíbrio na análise de medicamentos com maior impacto clínico.

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Produção nacional e acesso ao SUS entram no radar

Outro fator estratégico para o setor é a produção local. A Anvisa tem dado prioridade a medicamentos com etapas de fabricação no Brasil, o que favorece empresas com estrutura instalada no país.

A EMS, por exemplo, possui uma fábrica de peptídeos sintéticos em Hortolândia, tecnologia essencial para esse tipo de medicamento. A companhia já comercializa produtos à base de liraglutida e aguarda a decisão sobre sua versão com semaglutida.

No horizonte, o debate sobre acesso ao sistema público também ganha força. Há discussões sobre a incorporação desses tratamentos no SUS, embora o alto custo ainda seja um obstáculo relevante.

Uma das estratégias em análise envolve a transferência de tecnologia para produção nacional, o que poderia reduzir custos no longo prazo.

Mercado de emagrecimento entra em nova fase

O avanço regulatório acontece em um momento em que o setor vive uma transformação acelerada. O que começou como um tratamento para diabetes se tornou um dos produtos mais desejados da indústria farmacêutica, impulsionado por redes sociais, celebridades e mudanças de comportamento.

Agora, com a possível entrada de novos concorrentes, o mercado deve caminhar para uma nova etapa. Mais competição, preços potencialmente mais baixos e um público ainda maior.

Na prática, é a lógica de qualquer mercado aquecido. Quando a demanda explode, a oferta corre atrás. E quem chega primeiro na prateleira tende a capturar a maior fatia desse novo ciclo.

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