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Caso Lulinha: PF analisa mensagens sobre quadro que lobista teria dado ao então nº 2 da Saúde

Publicado 28/08/2026 • 13:31 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Roberta Luchsinger teria presenteado Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, com uma obra de arte no fim de 2024.
  • Mensagens em poder da PF mostram o atual auxiliar de Lula agradecendo pelo quadro; ele nega ter recebido o presente.
  • Na época, Roberta e Lulinha apareciam em tratativas investigadas pela PF para tentar viabilizar negócios de interesse do Careca do INSS na Saúde.
Roberta Luchsinger aparece ao lado da então ministra da Saúde, Nísia Trindade, e de Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, em foto publicada no Instagram em março de 2024

Reprodução/Instagram/@roberta.luchsinger

Roberta Luchsinger aparece ao lado da então ministra da Saúde, Nísia Trindade, e de Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo da pasta, em publicação de março de 2024.

A lobista Roberta Luchsinger, citada nas investigações da Polícia Federal (PF) envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria presenteado, no fim de 2024, o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, com uma obra de arte. Hoje, Barbosa é chefe de gabinete adjunto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mensagens em poder dos investigadores mostram que Roberta avisou que o quadro seria entregue a Barbosa, conhecido como Berge. No dia seguinte, ele enviou à lobista uma foto da obra já emoldurada e agradeceu. As conversas foram obtidas pela equipe da colunista Malu Gaspar, de O Globo.

Procurado pela assessoria de imprensa da Presidência, Barbosa negou ter recebido a obra. “A informação de que recebeu o quadro não procede”, afirmou ao jornal.

Na época das mensagens, Berge ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde e aparecia em outra frente da investigação envolvendo Roberta, Lulinha e Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Leia também: Caso Lulinha: Lula diz nunca ter visto Roberta Luchsinger; fotos mostram os dois juntos

Mensagens mostram agradecimento pelo quadro

A conversa sobre a obra ocorreu em dezembro de 2024. Em mensagem enviada a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, Roberta afirmou que o quadro destinado a Berge estava sendo preparado para entrega.

“Berger indo hoje. Tá colocando moldura. Ontem fui lá”, escreveu a lobista em 19 de dezembro. Na sequência, enviou uma fotografia de uma tela do artista mineiro Antonio Veronese.

No dia seguinte, Berge enviou a Roberta uma foto do quadro emoldurado, acompanhada de emojis de palmas e de um coração. Depois que a lobista encaminhou informações sobre o artista, ele respondeu: “Excepcional!!! Muuuito obrigado”, de acordo com as mensagens obtidas por O Globo.

Roberta ainda sugeriu promover um encontro entre Barbosa e Veronese. “Maravilha, grande honra!”, respondeu o então secretário-executivo.

Roberta disse que obra valia 100 mil euros

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Em um áudio enviado a Marcola, Roberta afirmou que a obra valeria 100 mil euros.

“É lindo o quadro, maravilhoso. Esse quadro vale 100 mil euros”, disse a lobista.

O valor citado por ela, porém, é muito superior aos preços encontrados para trabalhos do artista na apuração de O Globo. O jornal localizou obras de Antonio Veronese anunciadas por R$ 2.800 e outras com lance inicial de R$ 800 em leilões. Colecionadores ouvidos pela reportagem afirmaram que os trabalhos do artista não chegam a 5 mil euros.

Berge aparece nas tratativas investigadas pela PF

Quando as mensagens sobre o quadro foram trocadas, Barbosa ocupava uma posição relevante no Ministério da Saúde nas negociações que, posteriormente, passaram a ser investigadas pela PF.

Roberta e o grupo ligado ao Careca do INSS tentavam viabilizar, junto à pasta, a venda de 1,2 milhão de frascos de medicamentos à base de canabidiol pela World Cannabis. O negócio poderia chegar a cerca de R$ 626 milhões.

Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que Roberta chegou a se reunir presencialmente com Berge e pediu a Lulinha que pressionasse o então secretário-executivo para que as tratativas avançassem. O contato entre Roberta e Berge havia sido articulado por Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula. As negociações ocorreram entre 2024 e 2025, mas não resultaram em contrato.

A PF abriu um inquérito específico para investigar possível tráfico de influência nas negociações envolvendo cannabis medicinal. A apuração foi separada da Operação Sem Desconto depois que os investigadores entenderam que essa frente não tinha conexão direta com as fraudes nos descontos de aposentados e pensionistas do INSS.

Marcola também aparece nas mensagens sobre presentes. Em 19 de dezembro de 2024, ele perguntou a Roberta: “E meu quadro?”. A lobista respondeu que a obra seria entregue na semana seguinte e enviou a imagem de uma pintura do mesmo artista.

As investigações já haviam identificado cerca de R$ 249 mil em boletos e despesas pagos por Roberta em benefício do ex-assessor, incluindo faturas de cartão de crédito e financiamento de veículo. Marcola afirma que os valores correspondiam a empréstimos.

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