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Com estoques apertados e El Niño à vista, preço do café pode subir para o consumidor, aponta especialista

Publicado 28/08/2026 • 13:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Especialista acredita que El Niño vai afetar de forma diferente as produções do arábica e do conilon no Brasil.
  • Recentes problemas de infraestrutura logística na Colômbia, decorrentes de terremotos, afetaram diretamente os portos e dificultaram as exportações do país vizinho.
  • Apesar das adversidades climáticas e do encarecimento dos insumos, o produtor brasileiro mantém margens favoráveis, amparado por safras consistentes e patamares historicamente elevados para a commodity.

A combinação de estoques apertados, custos elevados e a iminência de um “Super El Niño” coloca a próxima safra brasileira de café sob forte pressão. Segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa), a probabilidade de o fenômeno climático se concretizar é de 90%, o que acende o sinal amarelo para o setor e para o bolso dos consumidores.

Em entrevista ao Real Time – do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, José Carlos Hausknecht, sócio em agronegócio da EY Brasil, explicou que o impacto do El Niño varia conforme a região produtora. Enquanto o café arábica brasileiro costuma sofrer menos efeitos diretos do fenômeno climático, áreas voltadas ao conilon — como o Espírito Santo e o sul da Bahia — podem registrar perdas devido a períodos de seca.

No cenário internacional, o impacto tende a ser ainda mais abrangente, atingindo grandes players globais. “Todas essas regiões que são afetadas pelo El Niño acabam puxando os preços internacionais da commodity, e isso leva a uma subida de preços nos preços internos também”, destacou Hausknecht. O especialista também pontuou que recentes problemas de infraestrutura logística na Colômbia, decorrentes de terremotos, afetaram diretamente os portos e dificultaram as exportações do país vizinho.

Leia também: Brasil lança concurso inédito para premiar e exportar os melhores cafés conilon e robusta do mundo

Rentabilidade e Comportamento do Produtor

Apesar das adversidades climáticas e do encarecimento dos insumos, o produtor brasileiro mantém margens favoráveis, amparado por safras consistentes e patamares historicamente elevados para a commodity.

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“A rentabilidade está muito boa, na verdade. Quer dizer, quem tem café, para quem produziu café, e o Brasil tem uma boa safra, inclusive, e com preços que caíram, mas ainda estão em um patamar bastante elevado”, avaliou.

Capitalizados por resultados expressivos em temporadas anteriores, os agricultores ganharam maior poder de barganha no mercado atual. Com a perspectiva de quebras de safra no Brasil e no exterior, muitos produtores estão retendo estoques: “O produtor também segura mais e fala: ‘Ó, vou esperar preços melhores para fazer essa comercialização do café'”. Embora o aumento nos custos de produção reduza parte das margens se comparado a anos anteriores, o saldo geral permanece positivo.

Perspectivas para o Consumidor Final

Para a ponta final da cadeia, a notícia não é animadora. O histórico de eventos passados de El Niño demonstra forte correlação com quebras de safra e disparadas nas cotações internacionais. Diante disso, o mercado orienta que o consumidor prepare o bolso. “Tem que estar no radar”, confirmou o especialista sobre a possibilidade de novos aumentos consideráveis nos preços do café comercializados nos supermercados.

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