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Ex-executivos entram com ações trabalhistas milionárias contra empresa da família Safra

Publicado 26/08/2026 • 21:24 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Quase dez ex-executivos seniores recorreram à Justiça após deixar o ASA e cobram valores ligados aos pacotes de remuneração oferecidos quando foram contratados.
  • Ações discutem bônus de entrada, parcelas do chamado “total compensation” e os efeitos desses pagamentos sobre direitos como FGTS, férias e 13º salário.
  • O ASA sustenta, em processos que deixaram o sigilo, que determinadas parcelas não tinham natureza salarial. A maior parte das ações ainda tramita em segredo de Justiça e em primeira instância.

Foto: Divulgação

Quase dez ex-executivos seniores do ASA, grupo financeiro fundado por Alberto Safra, entraram com ações trabalhistas milionárias após deixar a instituição. As disputas envolvem principalmente valores que os profissionais afirmam ter sido garantidos nos pacotes de remuneração oferecidos durante a contratação.

Os pedidos individuais ficam, em geral, entre R$ 1 milhão e R$ 2,5 milhões, mas há ação com valor que chega a R$ 8 milhões. No centro dos processos estão as chamadas cartas-oferta, documentos que detalhavam bônus de entrada e uma remuneração total prometida aos executivos.

Os ex-funcionários afirmam que parte do modelo de remuneração deixou de ser cumprida após mudanças feitas pelo ASA em 2025. As informações foram reveladas pelo Valor Econômico, que teve acesso a processos e ouviu pessoas envolvidas nas disputas.

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Executivos contestam remuneração não paga

O modelo usado pelo ASA para atrair profissionais experientes do mercado combinava salário, benefícios, bônus de contratação e uma parcela complementar para atingir o chamado total compensation, ou remuneração total anual.

Segundo os relatos apresentados nas ações, essa remuneração era garantida nas cartas-oferta e não dependia do cumprimento de metas.

Parte do valor era paga ao longo do ano e a diferença ficava para um acerto posterior. Até 2023, esse complemento era pago em dezembro. A partir de 2024, passou para fevereiro do ano seguinte.

O impasse surgiu principalmente entre profissionais desligados em 2025. Eles sustentam que saíram da instituição antes de receber a parcela proporcional que faltava para completar a remuneração anual acertada na contratação.

Um dos ex-executivos afirma ainda que, ao analisar sua rescisão, identificou que parcelas tratadas como variáveis não teriam sido consideradas no cálculo de encargos como FGTS, 13º salário e férias.

Esses pontos agora estão sendo discutidos individualmente na Justiça do Trabalho.

Cartas incluíam bônus para atrair profissionais

As propostas de contratação também incluíam o chamado hiring bonus, uma espécie de bônus pago para convencer profissionais a deixar outras instituições e ingressar no ASA.

Em alguns casos, segundo os relatos, esse pagamento inicial podia equivaler a duas ou três vezes a remuneração anual recebida anteriormente pelo executivo. A remuneração total oferecida também poderia superar significativamente o pacote da instituição de origem.

Os contratos estabeleciam contrapartidas. Profissionais que deixassem voluntariamente o ASA antes do período acertado poderiam ter de devolver uma parcela do bônus de contratação.

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A estrutura fazia parte da estratégia adotada pelo grupo desde sua formação, entre 2019 e 2020, período em que o ASA passou a contratar profissionais para ampliar negócios como gestão de recursos e private banking.

Mudança no modelo virou ponto de disputa

Outro foco das ações está em uma alteração feita durante a vigência dos contratos. Ex-executivos afirmam que o ASA passou a classificar como “prêmio discricionário” uma parcela que originalmente aparecia na negociação como parte da remuneração total. Posteriormente, o grupo também implementou um programa de participação nos resultados.

Para os profissionais que recorreram à Justiça, a mudança teria alterado condições previamente acertadas.

Em 2025, o ASA também apresentou a parte dos executivos termos com cláusulas de não concorrência, confidencialidade e restrições ao contato com antigos clientes.

Segundo relatos reunidos nos processos, alguns profissionais que se recusaram a aceitar os novos termos foram desligados. Outros teriam assinado os documentos e também deixado a instituição posteriormente.

Em uma das ações, um ex-executivo pede que pagamentos classificados como remuneração variável ou prêmio sejam reconhecidos como parte do salário, o que ampliaria a base usada para calcular férias, FGTS e outros direitos trabalhistas.

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ASA contesta natureza salarial dos valores

Nos processos em que as informações estão disponíveis publicamente, o ASA contesta as alegações.

A instituição argumenta que determinadas parcelas discutidas pelos antigos funcionários não tinham natureza salarial e sustenta ter agido de forma correta na relação com os executivos.

A discussão deverá ser definida pela Justiça do Trabalho, inclusive sobre o peso jurídico das cartas-oferta e se os valores descritos nesses documentos integram ou não a remuneração para efeitos trabalhistas.

A maior parte dos casos ainda está em primeira instância, e eventuais decisões poderão ser questionadas por meio de recursos.

Procurado pelo jornal, o ASA não se manifestou.

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