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Caso Master: BRB derrete mais de 90% na Bolsa em cinco anos e crise bilionária segue sem solução
Publicado 05/07/2026 • 20:40 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 05/07/2026 • 20:40 | Atualizado há 2 horas
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As ações do Banco de Brasília (BRB) encerraram a última sexta-feira (3) cotadas a R$ 3,02. O valor representa uma queda de aproximadamente 92% em relação ao preço registrado há cinco anos, quando os papéis eram negociados perto de R$ 38.
A forte desvalorização ocorreu ao longo da gestão do então presidente Paulo Henrique Costa, período em que o banco expandiu suas operações, ampliou sua presença no mercado e atingiu seu maior valor de mercado. Nos últimos meses, porém, a crise ganhou uma nova dimensão após a Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de corrupção e irregularidades em operações entre o BRB e o Banco Master.
A trajetória das ações do BRB mudou completamente nos últimos anos.
Em 2017, os papéis eram negociados perto de R$ 1,46. A estratégia de crescimento adotada pela instituição impulsionou a valorização das ações, que alcançaram a máxima histórica de R$ 107,69 em janeiro de 2021.
Depois desse pico, a tendência se inverteu. As ações passaram a acumular perdas sucessivas até chegar aos atuais R$ 3,02. Quem investiu no banco durante o auge da valorização hoje registra perdas superiores a 97%.
Embora a queda das ações tenha começado anos antes, o caso Master agravou a crise.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de irregularidades em operações entre o BRB e o Banco Master, incluindo a compra de carteiras de crédito, contratos considerados prejudiciais ao banco público e o pagamento de vantagens indevidas para favorecer os negócios.
Segundo as investigações, essas operações provocaram um prejuízo estimado em R$ 8,8 bilhões. O caso aumentou a desconfiança dos investidores e passou a levantar dúvidas sobre a situação financeira da instituição.
Paulo Henrique Costa deixou a presidência do BRB por decisão judicial e acabou preso quatro meses depois, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele permanece detido.
De acordo com a Polícia Federal, o ex-executivo é investigado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro e organização criminosa. Os investigadores afirmam que ele teria recebido seis imóveis avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master à época, em troca de favorecimento nas operações entre as duas instituições.
As investigações continuam em andamento e os envolvidos negam irregularidades.
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Siga o Times | CNBCAo mesmo tempo em que enfrenta a maior crise de sua história, o BRB tenta concluir uma operação para recompor seu patrimônio.
O Governo do Distrito Federal negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, estruturado com participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e garantias de bancos públicos e privados.
Segundo a governadora Celina Leão, o principal entrave da operação já foi superado. A negociação agora depende da conclusão dos ajustes técnicos e financeiros, entre eles a definição da taxa de juros, das garantias oferecidas pelo Distrito Federal e da participação de bancos privados.
A expectativa do governo é contar com Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil entre as instituições que darão suporte à operação.
Além do empréstimo, o Distrito Federal prepara uma operação de securitização de créditos da dívida ativa para complementar a recapitalização do banco.
De acordo com estimativas da administração do BRB, a instituição precisa de cerca de R$ 8,8 bilhões para neutralizar os prejuízos relacionados ao caso Master.
Outro ponto de atenção é o atraso na divulgação das demonstrações financeiras.
O BRB ainda não publicou o balanço referente ao exercício de 2025. A instituição informou que pretende divulgar os resultados após a conclusão da operação de capitalização.
A ausência das demonstrações financeiras aumenta a cautela do mercado e dificulta uma avaliação mais precisa da situação patrimonial do banco.
A queda de 92% das ações em cinco anos ocorreu antes da Operação Compliance Zero, mas a investigação aprofundou a crise ao expor suspeitas de corrupção, ampliar as incertezas sobre a situação financeira do BRB e elevar a necessidade de um aporte bilionário.
Agora, o mercado acompanha três frentes principais: a conclusão da capitalização de R$ 6,6 bilhões, a divulgação do balanho de 2025 e o avanço das investigações. O desfecho desses processos deve definir a velocidade da recuperação do banco e sua capacidade de reconquistar a confiança de investidores e clientes.
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