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Funeral de Ali Khamenei reúne cúpula do Irã, Hamas e Hezbollah, enquanto ausência do sucessor amplia incertezas
Publicado 05/07/2026 • 18:30 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 05/07/2026 • 18:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O segundo dia das cerimônias fúnebres em homenagem ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei, reuniu neste domingo (5) milhares de pessoas em Teerã e a principal cúpula política e militar do país. No entanto, a ausência de Mojtaba Khamenei — apontado como sucessor do pai — se tornou um dos principais focos das homenagens e alimentou dúvidas sobre a nova liderança iraniana.
O caixão de Khamenei, coberto pelas cores da bandeira iraniana, foi exposto no complexo religioso Grande Mosalla, diante de uma multidão que participou das cerimônias de luto organizadas pelo governo. Ao lado dele também estavam os caixões de familiares mortos no mesmo ataque aéreo que matou o aiatolá, incluindo uma filha, um genro, uma nora e uma neta de apenas 14 meses.
Embora três filhos de Khamenei — Masud, Mostafa e Meysam — tenham feito uma rara aparição pública, Mojtaba permaneceu ausente. Segundo o governo iraniano, ele teria sido ferido no início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, e desde então só se manifesta por meio de mensagens escritas.
A ausência ocorre justamente no momento em que o país tenta consolidar a transição de poder após quase quatro décadas sob o comando de Ali Khamenei, que liderou a República Islâmica desde 1989 até morrer aos 86 anos.
Na primeira fila da cerimônia estavam o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, considerado hoje uma das figuras mais influentes do regime e responsável por liderar as negociações iranianas com os Estados Unidos.
Em publicação nas redes sociais, Ghalibaf afirmou que a “nação orgulhosa e invencível do Irã islâmico” prestava homenagem ao seu “mártir”.
Também participaram da cerimônia os principais comandantes da Guarda Revolucionária, força militar de elite do regime iraniano. Entre eles estavam o general Esmail Qaani, comandante da Força Qods — unidade responsável pelas operações militares do Irã no exterior — e Ahmad Vahidi.
Qaani afirmou à televisão estatal que a morte de Khamenei representou um “fim abençoado” após décadas dedicadas à República Islâmica.
Chamou atenção também a ausência dos ex-presidentes Mohammad Khatami, Mahmoud Ahmadinejad e Hassan Rouhani, todos historicamente marcados por divergências políticas com o antigo líder supremo.
As homenagens também tiveram forte presença dos principais aliados regionais do Irã.
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Siga o Times | CNBCO chefe do comitê político do Hamas, Mohamed Darwish, participou das cerimônias e se reuniu com Mohammad Bagher Ghalibaf durante sua visita a Teerã. Integrantes ligados ao Hezbollah libanês também marcaram presença, reforçando a aliança construída durante décadas sob a liderança de Khamenei.
Ao longo de seu governo, o líder iraniano foi um dos principais apoiadores políticos, financeiros e militares dos grupos armados que compõem o chamado “Eixo da Resistência”, bloco formado por organizações alinhadas aos interesses iranianos no Oriente Médio.
As autoridades iranianas decretaram feriado nacional neste domingo e na segunda-feira para facilitar a participação popular nas cerimônias.
Além do caráter religioso, o funeral também é visto pelo governo como uma demonstração de unidade e força política em meio ao delicado processo diplomático com os Estados Unidos, iniciado após a assinatura de um acordo-quadro para encerrar o conflito entre os dois países.
A segurança foi reforçada em toda a região central de Teerã, que recebeu forte presença policial e diversos pontos de controle.
Entre os participantes, o sentimento predominante era de apoio ao regime e pedidos por retaliação.
“Os assassinos de Khamenei devem ser castigados”, afirmou à AFP um participante identificado apenas como Miremadi.
Outra iraniana, identificada como Bakand, disse que compareceu para demonstrar apoio à Revolução Islâmica e exigir “vingança pelo sangue” das vítimas.
As cerimônias continuam nesta segunda-feira com um cortejo pelas ruas de Teerã.
Depois, o corpo seguirá por diversas cidades iranianas e também por dois importantes santuários xiitas no Iraque antes do sepultamento definitivo, previsto para o dia 9 de julho, em Mashhad, cidade natal de Ali Khamenei, localizada no nordeste do Irã.
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