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Tarifaço: audiência pública na segunda-feira abre semana decisiva para negociações entre Brasília e Washington

Publicado 05/07/2026 • 21:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é um dos representantes brasileiros que vai falar na audiência que acontecerá entre segunda e terça.
  • Após a audiência pública, países terão menos de 10 dias para negociar antes das tarifas entrarem em vigor.  
  • Mesmo após a audiência, o ministro Márcio Elias, do MDIC,  ainda tem dois encontros com representantes do governo de Donald Trump antes das novas tarifas começam a valer

Foto: Global Business Alliance

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) marcou para segunda-feira (6) uma audiência pública para tratar da investigação da “Seção 301”, sobre políticas e práticas relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, principalmente o PIX, tarifas preferenciais, aplicação de leis anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento – todos temas relevantes à pauta exportadora brasileira. A audiência vai se encerrar na terça-feira (7). 

O Brasil entra nos próximos dias pressionado por dois relógios: o político, para evitar que a tarifa seja confirmada, e o econômico, para estimar os efeitos de uma eventual sobretaxa sobre exportações, custos logísticos, câmbio e inflação.

O país corre contra o tempo, já que a janela para um acordo fica mais estreita a cada dia. Depois da audiência, restarão menos de dez dias até o prazo legal de 15 de julho.

Leia mais: Tarifa de 25% dos EUA sobre o Brasil se aproxima e mercado avalia risco para câmbio, frete e inflação

Teor político

As novas tarifas de 25% para produtos brasileiros nos Estados Unidos foram anunciadas pelo governo americano no último dia 2 de junho. Além do impacto econômico, o acirramento das tensões entre os dois países reflete o momento político, às vésperas das eleições no Brasil. Alguns produtos podem ser sobretaxados em até 37,5%, se as tarifas extras de 12,5% anunciadas pelos Estados Unidos entrarem em vigor.   

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será um dos expositores na audiência da próxima terça-feira (7), em Washington, quando falará por cerca de cinco minutos. O parlamentar sinalizou que defenderá a não aplicação das tarifas pelos americanos e a busca por uma solução negociada.

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Leia mais: Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos para audiência sobre tarifas

Em manifestação enviada à USTR (Representação Comercial dos Estados Unidos) no dia 2 de julho, Flávio sugeriu que a adoção do “tarifaço” de 25% sobre certos produtos brasileiros poderia favorecer a candidatura de Lula. Por isso, pediu que a medida fosse aplicada apenas em 180 dias, ou seja, após o pleito presidencial.

A guinada do senador em relação às tarifas acendeu o sinal de alerta no governo, que vê na estratégia uma tentativa de diminuir o desgaste de imagem às vésperas da eleição.

Sobre a tentativa de adiar a entrada em vigor da sobretaxa, Lula afirmou que o Brasil “não está à venda” e que a aplicação das tarifas sobre os produtos brasileiros não se justifica nem antes, nem depois das eleições.

Após a audiência, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias,  tem dois encontros com representantes do governo de Donald Trump antes das novas tarifas começam a valer.

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