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Caso Master: ex-metalúrgico por trás de empresa ligada a imóvel de Jaques Wagner comandava negócios milionários

Publicado 04/07/2026 • 21:08 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A PF investiga a empresa que negociou um apartamento de R$ 2,45 milhões ligado a Jaques Wagner, ex-lider do governo Lula no Senado, e apura se o imóvel seria uma vantagem indevida.
  • O administrador da empresa saiu de oficinas mecânicas para comandar companhias que somam R$ 56 milhões em capital social, segundo a investigação.
  • A investigação aponta uma rede de empresas e fundos ligada ao caso Master; todos os citados negam irregularidades e contestam as conclusões da PF.

Foto gerada por IA

A investigação da Operação Compliance Zero segue revelando novos personagens e ampliando o mapa das empresas e fundos de investimento que, segundo a Polícia Federal (PF), teriam sido utilizados para estruturar operações financeiras e patrimoniais ligadas ao antigo grupo controlador do Banco Master.

O novo foco das apurações é Luiz Antônio Lombardi, ex-metalúrgico e ex-proprietário de oficinas mecânicas em São Paulo, que passou a ocupar cargos de direção em empresas com capital social que, somado, chega a R$ 56 milhões.

Segundo a PF, Lombardi teria atuado como uma “pessoa interposta”, expressão usada para designar alguém que aparece formalmente como administrador ou representante de uma empresa, mas que serviria para ocultar os verdadeiros responsáveis pela operação.

A suspeita está relacionada à tentativa de compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões, em Salvador, que, de acordo com a investigação, teria sido destinado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-lider do governo Lula no Senado, como uma suposta vantagem indevida em troca de influência política no Congresso.

A empresa no centro da investigação

A operação imobiliária envolveu a Epitome S.A., empresa de consultoria empresarial que administrava a negociação do imóvel.

Embora a compra não tenha sido concluída, os investigadores afirmam que a companhia recebeu recursos de uma cadeia de fundos de investimento antes da transação.

De acordo com a investigação, a Epitome recebeu R$ 2,5 milhões do fundo Hockenheim, que tem como cotista outro fundo, o Le Mans, controlado pelo advogado Daniel Monteiro.

Monteiro é apontado pela Polícia Federal como um dos operadores responsáveis pela estrutura técnica e patrimonial ligada ao antigo grupo do Banco Master.

A defesa afirma que todas as empresas são regularmente registradas na Receita Federal e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e que não existe qualquer estrutura oculta.

Da oficina mecânica à administração de empresas milionárias

Um dos aspectos que chamou a atenção dos investigadores foi a mudança na trajetória profissional de Lombardi.

Até poucos anos atrás, ele administrava oficinas mecânicas especializadas na adaptação de veículos e, segundo relatos de ex-sócios e pessoas próximas, enfrentava dificuldades financeiras.

Entre os episódios citados estão o parcelamento da compra de um equipamento avaliado em cerca de R$ 6 mil e uma ação judicial para cobrança de dívida de IPTU.

A partir de 2021, porém, Lombardi passou a ocupar cargos de direção em diversas empresas ligadas ao advogado Daniel Monteiro.

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Entre elas estão:

  • Epitome S.A., que teve seu capital social elevado de R$ 100 para R$ 2 milhões em 2024;
  • Rubicão S.A., com capital social de R$ 19,5 milhões e participação em ativos do setor de petróleo;
  • Pegasus, empresa voltada à intermediação de negócios, com capital social de R$ 15 milhões.

Segundo a Polícia Federal, essa estrutura empresarial integra a rede de companhias analisadas na Operação Compliance Zero.

O que diz a Polícia Federal

Os investigadores afirmam que Lombardi teria sido utilizado para representar formalmente empresas que fariam parte da estrutura patrimonial ligada ao caso Master.

A investigação também destaca sua amizade de infância com Daniel Monteiro, apontado como responsável pela arquitetura jurídica e financeira das operações analisadas.

Mensagens interceptadas mostram ainda que Jaques Wagner informou diretamente ao então empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, detalhes sobre o apartamento desejado, incluindo número da unidade e valor do imóvel.

O que dizem as defesas

Jaques Wagner reconheceu que pediu a Augusto Lima ajuda para adquirir o apartamento, afirmando que pretendia destiná-lo à filha, mas nega qualquer contrapartida política.

A defesa do senador informou que não fará novas manifestações sobre o caso.

A defesa de Augusto Lima afirma que ele nunca adquiriu o imóvel e não possui participação nas empresas apontadas pela investigação. Também sustenta que não há demonstração de qualquer ato funcional praticado pelo senador em benefício do empresário ou do Banco Master.

Já Luiz Antônio Lombardi declarou que nunca foi proprietário da Epitome, tendo apenas exercido funções administrativas nas empresas às quais esteve vinculado.

Os advogados de Daniel Monteiro afirmam que Lombardi foi contratado por ser uma pessoa de confiança e que todas as empresas citadas possuem registros regulares perante os órgãos competentes.

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