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Tarifa de 25% dos EUA sobre o Brasil se aproxima e mercado avalia risco para câmbio, frete e inflação
Publicado 04/07/2026 • 21:05 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 04/07/2026 • 21:05 | Atualizado há 2 horas
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Exportações brasileiras
O relógio está correndo. Os Estados Unidos têm até 15 de julho para decidir se levarão adiante a tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros.
A medida foi proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) no âmbito de uma investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301.
Depois da audiência marcada para segunda-feira (06), as negociações entram na reta final. O prazo é apertado, as conversas ainda não chegaram a um acordo e o mercado financeiro avalia o tamanho do risco.
A investigação, aberta por determinação do presidente Donald Trump em julho de 2025, concluiu que políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio americano em seis eixos: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais consideradas injustas a países como México e Índia, proteção de propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
No eixo digital, o USTR faz críticas ao Pix e a decisões de tribunais brasileiros envolvendo plataformas americanas.
A proposta mira bens brasileiros de forma ampla, mas prevê exceções para produtos relevantes da pauta exportadora, como carne bovina, café, terras raras, energia, peças de aeronaves e alguns metais.
Para o restante da pauta, o impacto potencial é significativo. Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, com US$ 37,7 bilhões em 2025.
O representante comercial americano Jamieson Greer deixou a porta aberta para negociação.
“Aguardo com expectativa a continuação do diálogo com o governo brasileiro antes do prazo legal de 15 de julho de 2026”, disse ele ao anunciar a proposta.
Do lado brasileiro, a resposta foi de rejeição formal à tarifa, mas com manutenção do canal de negociação.
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Siga o Times | CNBCPara além do impacto direto nas exportações, o risco que analistas identificam é sistêmico.
Um relatório da Análise Econômica lembra que algo semelhante ocorreu em 2025, quando a expectativa em torno do chamado “Liberation Day”, o dia 2 de abril, em que o governo Trump anunciou tarifas globais, provocou uma corrida às importações, à produção e ao consumo antes da entrada em vigor das medidas.
O efeito foi um aumento repentino das importações americanas. O déficit comercial dos EUA saltou de US$ 270,7 bilhões nos três primeiros meses de 2024 para mais de US$ 476,4 bilhões no primeiro trimestre de 2025, alta de aproximadamente 69%.
O mercado agora avalia se essa nova investida do governo americano pode provocar efeitos semelhantes.
O risco de repetição desse movimento preocupa porque gera distorções em toda a cadeia logística global, com gargalos nos portos, encarecimento dos fretes e pressão inflacionária que se propaga além das fronteiras americanas.
Para o Brasil, há um segundo canal de transmissão: o impacto sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
A Análise Econômica aponta que a guerra comercial torna a condução da política monetária americana “ainda mais complexa”. Com inflação pressionada pelas tarifas e sinais de economia aquecida, o Fed pode adiar cortes de juros ou até elevar a taxa básica.
Isso tem efeito direto sobre o câmbio brasileiro e sobre o fluxo de capital para mercados emergentes.
O Boletim Focus de 30 de junho manteve a projeção de inflação para 2026 em 5,33% e a Selic em 14% ao fim do ano.
Os números ainda não mostram, de forma explícita, um prêmio para um eventual choque tarifário de 25% sobre exportações brasileiras. Dependendo do desfecho das negociações, esse fator pode se tornar uma variável relevante para o segundo semestre.
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