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American Express e Chase levam disputa por clientes de alta renda para além dos aeroportos
Publicado 03/07/2026 • 19:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 03/07/2026 • 19:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Um lounge de aeroporto – sem a necessidade de passar pela segurança ou apresentar cartão de embarque.
As empresas de cartões de crédito American Express e Chase estão levando sua disputa pelos lounges de luxo para além dos aeroportos. De um espaço climatizado em meio ao deserto durante o Coachella a encontros exclusivos entre atletas e clientes nos Jogos Olímpicos de Paris, as duas companhias estão investindo pesado em áreas de hospitalidade premium para conquistar consumidores de alta renda.
“É muito caro, mas acho que as empresas perceberam que isso se tornou um diferencial para o segmento premium”, afirmou Donald Fandetti, diretor de pesquisa em ações de finanças ao consumidor do Wells Fargo. “A ideia é oferecer serviços e experiências que façam valer a pena para o cliente pagar essas anuidades.”
Os cartões American Express Platinum e Chase Sapphire Reserve, líderes do segmento premium, aumentaram suas anuidades no ano passado. O Amex Platinum passou a cobrar US$ 895 (R$ 4.654) por ano, enquanto o Sapphire Reserve cobra US$ 795 (R$ 4.134).
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Os benefícios oferecidos por esses cartões, como créditos para restaurantes, upgrades em hotéis e parcerias digitais, ajudam a compensar esse custo. O objetivo é atrair e manter os consumidores de maior poder aquisitivo. Há anos, American Express e Chase disputam o posto de cartão preferido da elite americana.
Cada vez mais, o diferencial está no acesso.
“Cartões com anuidades mais altas enviam um determinado sinal. Mas o que realmente precisamos entender é a psicologia da exclusividade”, afirmou Dan Bennett, diretor de ciência comportamental da Ogilvy Consulting. “É fácil dizer: ‘Tenho muitos recursos’. Mais difícil é dizer: ‘Tenho capital social suficiente para acessar determinados espaços’.”
Entre os eventos que ofereceram lounges para clientes do American Express Platinum em 2025 estão o torneio de tênis US Open, o festival de música Stagecoach, na Califórnia, e diversas etapas da Fórmula 1 ao redor do mundo.
Já os clientes do Chase Sapphire Reserve tiveram acesso a lounges durante o festival Lollapalooza, em Chicago, a Miami Art Week, o Festival de Sundance e eventos do PGA Tour.
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Embora algumas ativações estejam abertas ao público geral, muitos desses espaços são exclusivos para portadores dos cartões premium.
“Percebemos que esse cliente é extremamente engajado”, afirmou Laura Picciano, diretora-geral do Chase Sapphire. “Depois que conquistamos esse consumidor, existe um nível muito alto de fidelidade. Por isso é um segmento que queremos continuar cultivando.”
Além dos lounges temporários em festivais e competições esportivas, essas áreas também passaram a ocupar espaços permanentes em estádios e arenas.
A American Express mantém parcerias com mais de 20 locais ao redor do mundo. Oito deles já contam com lounges exclusivos, incluindo o Hard Rock Stadium, em Miami, e a arena O2, em Londres. Um novo espaço será inaugurado ainda este ano no Barclays Center, em Nova York.
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Segundo Bess Spaeth, vice-presidente executiva global de gestão de marca e experiências da American Express, fatores como espaço disponível, oferta de alimentos e bebidas e qualidade da experiência do público influenciam a escolha dos locais.
“É um grande quebra-cabeça. Tentamos analisar todos os elementos de forma integrada para entender como podemos atender melhor nossos clientes nesses espaços”, afirmou Spaeth.
A Chase, por sua vez, instalou lounges no Madison Square Garden e no Chicago Theatre, abertos a todos os seus clientes, embora o espaço em Nova York conte com uma área exclusiva para portadores do Sapphire Reserve.
“Esses lounges se tornam especialmente valiosos quando fazem parte de uma rede que pode ser utilizada em diferentes lugares, e não apenas em aeroportos”, afirmou Chenzi Xu, professora assistente de Economia da Universidade da Califórnia, Berkeley.
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Chase e American Express buscam consumidores dispostos não apenas a pagar anuidades mais altas, mas também a concentrar despesas elevadas em seus cartões.
Segundo dados do Federal Reserve Bank da Filadélfia, pessoas com pontuação de crédito igual ou superior a 720 – normalmente exigida para aprovação dos cartões Sapphire Reserve e Platinum – gastam mais que o dobro dos consumidores com pontuação entre 660 e 719.
A American Express informou neste ano que passou a direcionar parte dos investimentos em marketing antes destinados a cartões sem anuidade para seus produtos premium, buscando ampliar a base de clientes de alta renda.
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Siga o Times | CNBCAs receitas com anuidades dos cartões da empresa alcançaram quase US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) em 2025, alta de aproximadamente 18% em relação a 2024. A Chase não divulga separadamente esse tipo de receita.
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“Chase está trabalhando muito para competir com a American Express”, afirmou Xu. “A concorrência beneficia o consumidor, mas está concentrada no segmento de maior renda. Nas faixas inferiores existe muito menos competição.”
Esse público é estratégico para as operadoras. Um relatório da Mastercard, divulgado em 2025, mostrou que consumidores considerados de alta renda – famílias com renda anual de US$ 200 mil (R$ 1,04 milhão) ou mais e pelo menos US$ 250 mil (R$ 1,3 milhão) em ativos financeiros – gastam 4,3 vezes mais do que a população em geral em compras discricionárias.
Dados da J.D. Power mostram que clientes com cartões cuja anuidade supera US$ 500 (R$ 2.600) gastaram, em média, US$ 3.200 (R$ 16.640) por mês entre maio de 2025 e junho de 2026, alta de cerca de 17% em relação aos 12 meses anteriores.
Já os consumidores com cartões cuja anuidade é inferior a US$ 500 (R$ 2.600) gastaram, em média, US$ 1.144 (R$ 5.949) por mês, crescimento de aproximadamente 6%.
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Segundo economistas, esse comportamento reforça o cenário conhecido como “economia em K”, em que consumidores de maior renda mantêm gastos elevados enquanto famílias de renda mais baixa reduzem despesas diante da incerteza econômica.
“O grande atrativo desse segmento premium é que estamos falando de consumidores que gastam muito”, afirmou Fandetti. “Esse negócio exige escala para financiar todos esses lounges, benefícios e programas de recompensas.”
Os lounges representam apenas uma das formas pelas quais as empresas aproveitam seus patrocínios em eventos e arenas.
Segundo Paul Needham, responsável pelas áreas de gastronomia e estilo de vida da Chase, a empresa também oferece brindes, áreas VIP, acesso antecipado a produtos exclusivos e descontos em alimentos durante eventos realizados em parceria.
Tanto Chase quanto American Express costumam oferecer descontos e créditos na fatura para compras realizadas em estabelecimentos parceiros ou durante festivais de música.
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“Quando pensamos nesses espaços de esportes e entretenimento, queremos elevar esses momentos para nossos clientes e encontrá-los justamente nos ambientes pelos quais eles são apaixonados”, afirmou Needham.
Os clientes do Chase Sapphire Reserve terão acesso a jantares realizados dentro de estádios da Copa do Mundo da FIFA em Nova Jersey e Califórnia. Já a rede Marriott Bonvoy firmou parceria com a American Express para recriar o tradicional restaurante Rao’s, de Nova York, dentro de um de seus hotéis para um jantar exclusivo destinado aos portadores do cartão.
Essa categoria de cartões – que também inclui produtos em parceria com Delta Air Lines e Hilton – respondeu por cerca de 25% dos gastos dos clientes da American Express em 2025, segundo relatório da companhia.
Para Dan Bennett, da Ogilvy Consulting, a presença física das operadoras em determinados eventos só faz sentido quando elas conseguem desempenhar um papel autêntico na experiência oferecida.
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“Você não pode simplesmente montar fortalezas corporativas iguais em todos os lugares”, afirmou. “O que realmente funciona é entender quais são as necessidades do cliente em cada ambiente.”
Segundo Bess Spaeth, parte da estratégia da American Express consiste em investir em comunidades de fãs, por meio de parcerias com artistas como Harry Styles e Olivia Rodrigo, além da NFL e da Fórmula 1.
A parceria com a Fórmula 1 começou em 2023, marcando o primeiro novo patrocínio esportivo da empresa em mais de uma década. Um ano depois, o acordo foi ampliado, com a criação de novos benefícios para fãs, como lounges à beira da pista.
“Esperamos que esses momentos fortaleçam a conexão emocional dos clientes com a American Express e façam com que o cartão ocupe o lugar mais importante da carteira deles”, concluiu Spaeth.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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