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Conheça Armínio Fraga, ex-presidente do BC escolhido para força-tarefa do Fed, dos EUA

Publicado 10/07/2026 • 10:05 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Armínio Fraga, economista ex-presidente do Banco Central do Brasil, foi escolhido para integrar uma das cinco forças-tarefa criadas pelo Fed.
  • A lista de especialistas foi divulgada nesta quinta-feira (09). Fraga fará parte do grupo responsável pela revisão da comunicação do Fed.
  • Arminio Fraga Neto teve duas passagens pela diretoria do Banco Central do Brasil (BCB).
Armínio Fraga em entrevista ao Times Brasil, Licenciado Exclusivo CNBC

reprodução

Armínio Fraga, economista e ex-presidente do Banco Central do Brasil (BCB), foi escolhido para integrar uma das cinco forças-tarefa criadas pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) para auxiliar reformas na autoridade monetária americana.

A lista de especialistas foi divulgada nesta quinta-feira (9). Fraga fará parte do grupo responsável pela revisão da comunicação do Fed.

Arminio Fraga Neto teve duas passagens pela diretoria do Banco Central do Brasil. Ele presidiu o Banco Central entre 1999 e 2003, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sua gestão da época foi ligada à transição para a flutuação cambial e à implantação do regime de metas de inflação, em 1999, em um período de forte instabilidade econômica. Além disso, foi diretor da Área Externa entre 1991 e 1992, na gestão de Francisco Gros.

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Lista reúne nomes de bancos centrais e setor privado

Além de Armínio Fraga, a lista inclui ex-presidentes de bancos centrais, como Raghuram Rajan, da Índia, e Mervyn King, do Banco da Inglaterra.

Também fazem parte dos grupos ex-integrantes do próprio Fed, como Jeremy Stein, além de executivos do setor privado e nomes ligados a Wall Street. Entre os nomes empresariais citados está Doug McMillon, ex-CEO do Walmart. Também foi citado o nome de Peter R. Fisher, professor da Universidade de Washington.

A iniciativa ocorre em meio ao esforço do Fed para revisar práticas internas e aprimorar a forma como conduz e comunica suas decisões de política monetária.

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A carreira

Nascido no dia 20 de julho de 1957, na cidade do Rio de Janeiro, Armínio seguiu a carreira
de economista, estimulado pelos professores que reformularam o Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), ao final dos anos 1970, com o objetivo de formar um centro de ensino e pesquisa semelhante aos das melhores universidades norte-americanas.

Armínio completou o mestrado na PUC-Rio em apenas um ano e meio e seguiu para o programa de doutorado na Universidade de Princeton. Nesse programa, teve entre seus professores renomados economistas como John Taylor, William Branson, Peter Kenen, Alan Blinder, Joseph Stiglitz, Avinash Dixit, entre outros.

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Voltou ao Brasil como economista-chefe do Banco Garantia e manteve, paralelamente, sua carreira acadêmica como professor da PUC-Rio e, posteriormente, da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV).

Mais adiante, aceitou a proposta de lecionar na Wharton School, seguindo, depois de um ano, para o banco de investimentos Salomon Brothers, em Nova Iorque. Nessa etapa, desenvolveu conhecimentos do mercado financeiro internacional, inclusive do mercado de títulos de economias emergentes.

O economista é fundador e sócio da Gávea Investimentos, criada por ele em agosto de 2003. Também preside o conselho do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, instituição fundada em 2019. Ambas as organizações têm sede no Rio de Janeiro.

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Quando convidado a assumir a presidência do BCB, no início de 1999, o país atravessava o processo de mudança do regime cambial e sua ampla experiência, tanto por sua passagem anterior no Banco Central quanto por seus conhecimentos sobre a operacionalização do mercado financeiro, seriam extremamente úteis. A recuperação da credibilidade na sustentabilidade da política econômica seria central para a normalização da economia.

Na presidência do BCB, ainda enfrentou um conjunto de choques adversos, como a moratória argentina, o ataque às Torres Gêmeas em Nova Iorque e a crise hídrica no Brasil, em 2001, e o ambiente de elevada aversão ao risco associado às eleições em 2002.

Em entrevista concedida à equipe do CPDOC/FGV (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas), no âmbito do Projeto Memória do Banco Central, em 2016, o economista relembrou a implementação dessas medidas durante o acordo firmado à época com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

“Então, junto ao FMI, introduzimos, naquele momento, no lado fiscal, metas para o saldo primário. No lado nominal, na verdade, abandonamos as metas monetárias e introduzimos, como uma meta qualitativa, o sistema de metas para a inflação. Isso foi totalmente pioneiro. Também reduzimos o piso das reservas internacionais, dando um sinal claro para o mercado de que poderiam ser utilizadas, o que representava uma ameaça para o especulador. Basicamente, foram essas três as âncoras do acordo: metas para o saldo primário, sistema de metas para a inflação e redução do piso das reservas. Tudo refletia o nosso desenho de política macro, incorporado ao acordo. E tudo deu certo.”

Além de ex-presidente do BC, Armínio Fraga também é cofundador do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), uma organização sem fins lucrativos, independente e apartidária, com foco principal em contribuir para o aprimoramento e o fortalecimento das políticas públicas de saúde no Brasil.

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