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Conta de luz cara trava transição energética na Europa e preocupa BCE

Publicado 17/02/2026 • 14:30 | Atualizado há 37 minutos

KEY POINTS

  • A eletrificação é peça-chave da transição energética na Europa, mas o custo elevado da energia tem freado o avanço.
  • As famílias pagam, em média, cerca do dobro do valor desembolsado por setores intensivos em energia.
  • Entre 2019 e 2024, os preços subiram 33% para consumidores residenciais e 53% para a indústria, principalmente devido ao aumento dos custos de combustíveis.
Frankfurt ao anoitecer

Wikimedia

A sede do Banco Central Europeu está situada em Frankfurt, na Alemanha.

A União Europeia enfrenta um paradoxo que preocupa economistas e empresários. A eletrificação é peça-chave da transição energética, mas o custo elevado da energia tem freado o avanço dessa agenda.

Segundo boletim econômico divulgado pelo Banco Central Europeu nesta terça-feira, os preços da eletricidade seguem pressionados desde a crise energética de 2021-2022 e já impactam diretamente o consumo e a competitividade do bloco.

Na prática, o custo da energia virou um dos principais gargalos para a descarbonização.

Consumo de eletricidade cai, mas deveria subir

Os números mostram o descompasso entre meta e realidade.

Entre 2015 e 2023, o consumo de eletricidade na zona do euro caiu 6,3%. Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia projeta aumentar a participação da eletricidade no consumo final de energia de 23% em 2024 para 32% até 2030.

Ou seja, enquanto o plano é eletrificar mais a economia, o uso efetivo de energia elétrica vem recuando.

Esse movimento reflete tanto a desaceleração econômica quanto o impacto direto dos preços mais altos.

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O que pesa na conta de luz

O BCE detalha a composição da tarifa, mostrando onde está o peso real para consumidores e empresas.

Para as famílias, cerca de 50% da conta está ligada ao custo da própria energia, que inclui geração, fornecimento e o preço do carbono. Já para a indústria intensiva em energia, esse percentual sobe para 63%.

Outros componentes da conta incluem:

  • Custos de rede: 27% para famílias e 12% para a indústria
  • IVA: cerca de 14% para ambos
  • Tributos nacionais: aproximadamente 10%

Esse conjunto explica por que há diferenças relevantes de preço entre os países do bloco.

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Famílias pagam mais que a indústria

Um dado chama atenção: os consumidores residenciais pagam, em média, o dobro do valor desembolsado por setores industriais intensivos em energia.

Ainda assim, o impacto da alta de preços foi mais forte para a indústria.

Entre 2019 e 2024, a conta de luz subiu 33% para as famílias e o aumento chegou a 53% para a indústria. Mesmo com queda no consumo, os gastos totais aumentaram.

A indústria reduziu o uso de eletricidade em 14,5% entre 2019 e 2023, enquanto o consumo residencial caiu 1,5% no mesmo período. Ainda assim, a conta ficou mais cara.

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Carbono também encarece a energia

Outro fator relevante é o sistema europeu de comércio de emissões, conhecido como ETS.

O mecanismo, que precifica as emissões de carbono, pode representar até 9% do preço final da eletricidade em países com matriz mais poluente.

Isso reforça um dilema: a política climática encarece a energia no curto prazo, mas é essencial para a transição no longo prazo.

O BCE alerta que medidas emergenciais, como subsídios temporários, não resolvem o problema.

Para a instituição, é necessário atacar as causas estruturais do alto custo de energia, sem eliminar os incentivos à transição para fontes limpas.

Um equilíbrio difícil para governos e empresas

Para empresas, especialmente as intensivas em energia, o cenário pressiona margens e competitividade global.

Para governos, o desafio é equilibrar três forças: garantir energia acessível; manter metas climáticas; e preservar a competitividade industrial

No fim, a conta de luz virou mais do que um custo operacional. Ela se tornou um dos principais termômetros da transição energética na Europa.

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