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Controle das contas públicas é desafio imediato do Brasil, avalia Meirelles

Publicado 01/09/2026 • 11:00 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Henrique Meirelles acredita que o equilíbrio das contas públicas deverá ser central na agenda econômica do próximo governo.
  • De acordo com Meirelles, independentemente do resultado eleitoral, o país terá de conciliar maior controle fiscal com medidas voltadas ao crescimento da produtividade e à geração de empregos
  • Na avaliação do economista, um dos problemas atuais está na falta de sintonia entre as políticas fiscal e monetária.
'Dívida pública pode atingir 90% do PIB sem controle fiscal', afirma Henrique Meirelles

O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles afirmou em evento na capital paulista que o equilíbrio das contas públicas deverá ocupar posição central na agenda econômica do próximo governo. Para ele, independentemente do resultado eleitoral, o país terá de conciliar maior controle fiscal com medidas voltadas ao crescimento da produtividade e à geração de empregos. “Tem que ser feito um ajuste fiscal muito sério”, afirmou Meirelles.

Na avaliação do economista, um dos problemas atuais está na falta de sintonia entre as políticas fiscal e monetária. Enquanto a primeira permanece expansionista, a segunda atua em sentido contrário, com juros elevados para conter a inflação.

“Você tem uma política fiscal expansionista e uma política monetária contracionista”, disse.

Segundo Meirelles, esse descompasso exige maior esforço da política de juros para controlar os preços. Ele observou que, mesmo com uma taxa elevada, a inflação ainda permanece acima da meta considerada para o período.

“Nós temos que sintonizar as duas políticas”, afirmou. Na sequência, acrescentou: “A única saída agora, de fato, é o controle fiscal.”

Leia também: Henrique Meirelles: “Juros foram mais decisivos que o tarifaço para a desaceleração do PIB”

Experiência dos anos 2000

Ao tratar dos desafios atuais, Meirelles relembrou a situação econômica encontrada no início dos anos 2000, quando assumiu a presidência do Banco Central. Naquele momento, o país enfrentava dificuldades fiscais, inflação e baixo volume de reservas internacionais diante de seus compromissos externos.

Segundo ele, as reservas chegaram a aproximadamente US$ 15 bilhões, enquanto o Brasil devia cerca de US$ 30 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Meirelles afirmou que a resposta naquele período passou pela reorganização das contas públicas. Ao relembrar as discussões dentro da equipe econômica, contou que chegou a defender um superávit primário superior ao inicialmente proposto.

A primeira proposta mencionada por ele previa resultado positivo de 3,95% do PIB. Meirelles disse ter defendido 4,25%, enquanto o resultado posteriormente alcançado ficou em 4,35%. “A partir daí o Brasil começou a crescer”, afirmou.

Para o ex-presidente do Banco Central, a experiência daquele período serve como referência para a discussão atual sobre a necessidade de reduzir desequilíbrios fiscais e criar condições mais favoráveis para a atividade econômica.

Emprego e política social

Meirelles também relacionou crescimento econômico e equilíbrio fiscal à capacidade de geração de postos de trabalho. Na avaliação dele, programas de transferência de renda têm seu papel, mas precisam ser acompanhados por uma economia capaz de ampliar as oportunidades no mercado de trabalho.

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“O melhor programa social que existe é o emprego”, disse.

Segundo ele, a prioridade deve ser criar condições para a expansão do emprego, em vez de concentrar a política social apenas em mecanismos de subsídio e transferência de recursos. “Nós temos que criar empregos e não apenas subsidiar através de programas sociais”, afirmou.

Produtividade como desafio estrutural

Se o ajuste fiscal aparece como uma questão imediata, Meirelles considera que a produtividade representa um desafio de médio e longo prazo. Para ele, o tema recebe menos atenção do que deveria no debate econômico brasileiro. “Se fala pouco da questão da produtividade no Brasil”, afirmou.

Segundo os números apresentados pelo ex-ministro, a produtividade brasileira corresponde atualmente a cerca de um quarto da registrada nos Estados Unidos. Ele destacou que a diferença já foi menor: na década de 1970, o indicador brasileiro teria chegado a aproximadamente metade do nível americano.

“A questão de médio e longo prazo que decide a sorte de um país é produtividade”, declarou.

Para Meirelles, aumentar a eficiência da economia depende de uma combinação de iniciativas, incluindo digitalização, educação e qualificação profissional.

Educação e qualificação profissional

Entre as medidas destinadas a elevar a produtividade, Meirelles colocou a educação como uma das principais prioridades. Ele ponderou, porém, que os resultados dos investimentos tradicionais na formação básica e superior levam tempo para aparecer.

Por isso, defendeu também a ampliação do ensino técnico e de programas de treinamento profissional, que, em sua avaliação, podem produzir efeitos em prazo mais curto. “Educação através do ensino técnico, de treinamento do trabalhador, esta é necessária e dá resultados rápidos”, afirmou.

Ao projetar os próximos anos, Meirelles defendeu que o país trabalhe simultaneamente em duas frentes: controle das contas públicas no curto prazo e aumento da produtividade de forma estrutural. “O ponto fundamental, evidentemente, é a educação, treinamento, principalmente do trabalhador”, afirmou.

Na avaliação do ex-ministro, a mudança de governo abre espaço para que essas questões sejam incorporadas à agenda econômica, independentemente do resultado da disputa eleitoral.

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