CNBC
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (à esquerda), tira uma foto em grupo com líderes de empresas de IA, incluindo o CEO da OpenAI, Sam Altman (ao centro), e o CEO da Anthropic, Dario Amodei (à direita), na Cúpula de Impacto da IA, em Nova Délhi, em 19 de fevereiro de 2026.

CNBCGigantes da IA anunciam bilhões na Índia em busca de liderança global

Notícias do Brasil

Banco Master: crise expõe risco que investidores, empresas e até aposentados correm quando ultrapassam limite do FGC

Publicado 18/11/2025 • 12:42 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • Crise do Banco Master expõe risco para investidores acima do limite do FGC e alerta para perdas em fundos e empresas.
  • Aposentados do Rioprevidência podem enfrentar prejuízos após aplicações sem garantia ligadas ao Banco Master.
  • Para especialistas, a concentração de caixa em um único emissor fragilizado representa um risco corporativo incomum.
Crise do Banco Master pode causar sérios danos a empresas e aposentados

Crise do Banco Master pode causar sérios danos a empresas e aposentados

A crise do Banco Master expôs um risco iminente para milhares de investidores que não estão protegidos pelo limite de R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central coloca em xeque empresas, fundos e até aposentados que aplicaram recursos em instrumentos sem garantia, como letras financeiras, fundos administrados pela instituição e CDBs acima do limite assegurado pelo FGC.

O caso mais emblemático é o do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de mais de 235 mil aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro. O fundo aplicou cerca de R$ 960 milhões em letras financeiras do Banco Master, títulos sem cobertura do FGC e com elevado risco de perda.

Mesmo após alertas, o órgão ainda investiu outros R$ 100 milhões em um fundo de ações concentrado em 96% na Ambipar — empresa em recuperação judicial. Ambos os produtos estavam ligados ao Master, que administrava a carteira.

Segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), técnicos identificaram “graves irregularidades” nas aplicações e alertaram que continuar investindo em instituições de risco poderia transferir integralmente a responsabilidade pelos prejuízos aos gestores do fundo.

Mesmo assim, cerca de 10% do patrimônio do Rioprevidência foi exposto ao Master.

Segundo o Instituto Empresa, todos os credores acima de R$ 250 mil serão todos credores quirografários. Eles vão para o final da fila da massa falida, junto com fornecedores, para tentar recuperar o que der. “A perda provável é enorme“, diz o instituto.

Grupo Dia: 66% do caixa em produto ligado ao Banco Master

Além dos aposentados, a crise do Banco Master também pode afetar empresas relevantes do varejo. Conforme revelado primeiro pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o Grupo Dia mantinha 66% de seus recursos de curto prazo (R$ 161 milhões) aplicados em um único CDB emitido pelo Bluebank, instituição diretamente ligada ao Banco Master e que também enfrenta problemas de liquidez.

Os títulos vencem em 26 de dezembro de 2025 e remuneram 109% do CDI, mas a segurança do pagamento passou a ser questionada depois que o Bluebank virou alvo de rumores de intervenção.

Para especialistas, a concentração de caixa em um único emissor fragilizado representa um risco corporativo incomum.

No dia 19 de novembro, a assessoria de imprensa do Grupo Dia informou que, em 10 de novembro, o grupo protocolou oficialmente uma petição comunicando que “não possui mais investimentos relacionados ao CBD no Banco Bluebank“.

Quem corre mais risco: os investidores sem FGC

A especialista em finanças e CFO da SaS Brasil, Adriana Melo, afirma que a crise expôs uma percepção equivocada do investidor sobre risco bancário.

“O FGC cobre produtos simples e dentro do limite. Fundos, CRI, CRA, debêntures, COE e estruturas ‘criativas’ não têm proteção alguma. Muita gente compra risco achando que o FGC é um colete à prova de bala, mas ele só funciona para o varejo conservador, dentro do limite”, diz.

Segundo ela, o impacto pode ser severo para quem aplicou em instrumentos administrados pelo Master, como no caso do Rioprevidência. “Quando fundos de pensão entram em estruturas opacas sem questionar emissor, concentração e lastro, o problema deixa de ser financeiro e passa a ser institucional”, afirma.

A crise, segundo Adriana, também reforça que governança pública falhou: “Esses fundos deveriam ser o filtro mais técnico do mercado. Se até eles entraram em produtos de baixa transparência, há falha grave de governança pública.”

Emissão excessiva de CDBs do Banco Master acendeu alerta vermelho

O economista Igor Lucena, CEO da Amero Consulting, destaca que o volume de captação do Master foi um dos grandes fatores que colocaram o sistema em risco.

“O FGC protege até R$ 250 mil. Quem está dentro desse limite deve receber. Mas investidores acima disso correm risco de perda parcial”, afirma.

Ele lembra que o mercado ignorou sinais claros: “Títulos foram vendidos mesmo com baixa credibilidade. Taxas de CDI +30% deveriam acender alertas. Não é razoável uma instituição comprometer metade do FGC com sua emissão de CDBs.”

Lucena reforça que o problema não é regulatório, mas de governança interna: “Não houve falha regulatória. O que faltou foi troca de informações e vigilância interna. A falha foi de compliance dentro do Banco Master.”

E alerta para impactos nos próximos meses: “O maior risco agora é para fundos de pensão e fundos de investimento que compraram produtos sem garantia. Haverá remarcação de ativos e prejuízos distribuídos.”

Preocupação com pensionistas

O episódio reacende o risco fiscal no Rio de Janeiro. No mês passado, a Alerj aprovou a Lei 11.010/2025, que permite ao governo usar receitas de royalties do petróleo do Rioprevidência para pagar dívidas do Tesouro. Servidores temem que a combinação de:

  • investimentos de alto risco
  • perdas com títulos do Banco Master
  • retirada de receitas do fundo

possa comprometer a capacidade de pagamento de aposentadorias e pensões no longo prazo.

O que muda para empresas e investidores daqui para frente

Adriana Melo afirma que a crise do Banco Master deve gerar uma reprecificação de risco no mercado bancário.

“Spreads devem abrir no curto prazo, e investidores vão migrar para produtos mais simples. É um efeito higienizador: bons emissores ficam, maus emissores pagam mais caro ou desaparecem.”

Ela também alerta para a postura de parte dos investidores:
“Há um componente incômodo: muitos assumiram risco consciente. Achar que alguns pontos percentuais extras justificam fechar os olhos para ruídos de mercado é pura ganância.”

O caso do Banco Master mostra que emissores frágeis podem provocar danos profundos — especialmente para quem excede o limite do FGC ou investe por meio de fundos e estruturas não cobertas.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil

;