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Dario Durigan: mercado diverge sobre expectativas em relação ao novo ministro

Publicado 19/03/2026 • 18:11 | Atualizado há 7 minutos

KEY POINTS

  • Haddad deixa o cargo para lançar sua pré-candidatura ao governo de São Paulo.
  • A indicação de Durigan é vista com cautela, mas também com otimismo por parte do mercado.
  • O cenário mais provável é de continuidade da política econômica já conduzida pela equipe de Fernando Haddad.
Dario Durigan

Foto: Fotos públicas

Dario Durigan mercado diverge sobre expectativas em relação ao novo ministro

Nesta quinta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, vai substituir o ministro Fernando Haddad à frente da pasta.

Durante um evento no Expo Center Norte, em São Paulo, ao citar o nome de Durigan, Lula o apresentou ao público presente: “Dario, levanta aí para as pessoas te conhecerem. O Dario será o substituto do Haddad. Olhem bem para a cara dele, porque é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, afirmou.

Haddad deixa o cargo e deve lançar sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, abrindo espaço para uma mudança no comando da equipe econômica.

Leia também: Dario Durigan é confirmado por Lula como novo ministro da Fazenda a partir de sexta-feira (20)

Indicação de Dario Durigan

A indicação de Durigan é vista com cautela, mas também com otimismo por parte do mercado, que espera continuidade na política fiscal e maior capacidade de diálogo com o Congresso.

Para Gustavo Spinola, economista e estrategista-chefe da RB Investimentos, a expectativa é, em geral, positiva.

“Ele foi um quadro bem técnico ao longo desses três anos de mandato. Não é um nome político, o que pode pesar na articulação, mas, por outro lado, ele parece entender o problema. Não chegou com nenhum tipo de medida inovadora, continua na mesma linha de que o Brasil precisa cumprir o arcabouço fiscal”, afirma.

Segundo Spinola, o desafio será lidar com pressões, como a alta nos preços de combustíveis, que podem exigir respostas do governo. “Agora é ver, claro, os próximos passos, até porque com essa guerra puxando os preços de combustíveis, a gente sabe que vai existir uma pressão política para dar um alívio nos preços.”

Leia também: Quem é Dario Durigan, conheça a trajetória do novo ministro da Fazenda

Dario Durigan e o elo entre Executivo e o Legislativo

Artur Horta, sócio do The Link Investimentos, acredita que Durigan tende a atuar como um elo entre o Executivo e o Legislativo.

“Ele é visto como um bom interlocutor entre governo e Congresso, o que é positivo após alguns embates recentes”, diz. Para o especialista, a expectativa também é de continuidade na linha adotada por Haddad, com foco no cumprimento da agenda fiscal e possível avanço de medidas de arrecadação, aliado a um perfil mais conciliador em pautas sensíveis, o que Horta enxerga como algo positivo.

Na mesma linha de Spinola e Horta, Elber Laranja – fundador da Titanium, engenheiro de produtos de crédito, também acredita que a gestão de Dario Durigan seja mais neutra e técnica.

“É um nome pouco conhecido do grande público, com um perfil mais técnico, certamente, do que o Haddad. Ele pretende evitar atritos no processo que mais importa para o governo neste momento de ano eleitoral. Em geral, o mercado vê esse nome com mais afeição à austeridade e ao equilíbrio fiscal”, afirma.

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Segundo ele, a principal preocupação está no baixo capital político do novo ministro. “A dúvida é o quanto ele terá que ceder às pressões do governo, especialmente em um ano eleitoral, quando há tendência de aumento de gastos”, diz.

Para Elber Laranja, a expectativa é de uma condução mais técnica. “A expectativa é de uma gestão de neutralidade, né? É um nome pouco conhecido do grande público, com um perfil mais técnico, certamente, do que o Haddad.”

O especialista também destaca que, apesar desse perfil mais técnico, existe uma preocupação relevante entre os agentes do mercado em relação à capacidade do novo ministro de resistir a pressões políticas, especialmente em um ano eleitoral, quando tradicionalmente há maior demanda por aumento de gastos públicos, de acordo com ele:

“[…] como ele tem baixo capital político, a grande preocupação é o quanto ele terá que ceder, inclusive às suas convicções, por pressões do governo, do presidente Lula, para abrir o cofre com benesses que envolvam o aumento do gasto do governo num ano eleitoral.”

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Continuidade da política econômica

Na avaliação de Bruno Caumont, estrategista de investimentos na Delta Investor, o cenário mais provável é de continuidade da política econômica já conduzida pela equipe de Fernando Haddad, sobretudo pela proximidade entre os dois e pelo fato de Durigan já ocupar uma posição de destaque dentro do ministério. Ele afirma:

“Hoje, a expectativa do mercado é de continuidade do trabalho que vem sendo feito pelo Haddad, tanto por ele já ser o número dois do Ministério da Fazenda, quanto pela proximidade com o Haddad e os anos que trabalhou junto a outros membros do partido, e pelo fato de pegar um governo já no último ano, não tem muito tempo também para muita inovação.”

Ele destaca o principal desafio: “[…] o grande desafio que ele vai enfrentar vai ser manter um equilíbrio fiscal em ano eleitoral.”

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Para Luciano Gomes, sócio fundador do STG Law, a reação do mercado está menos relacionada ao nome escolhido e mais à forma como a política econômica será conduzida nos próximos meses, especialmente em um ambiente ainda marcado por incertezas e restrições de crédito. Ele ressalta:

“Mais do que o nome em si, o que realmente importa é o sinal que será dado em relação à condução da economia.”

Ele também alerta que, diante de um cenário ainda sensível, qualquer mudança de rumo pode gerar reações imediatas por parte dos agentes econômicos, reforçando a importância da estabilidade e da previsibilidade. Segundo o especialista:

“Qualquer sinal de instabilidade ou falta de direção pode gerar uma reação rápida do mercado, porque o cenário ainda é sensível.”

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Com a troca no comando do Ministério da Fazenda, a leitura predominante entre analistas é de que Dario Durigan deve adotar uma gestão de transição, marcada pela continuidade das diretrizes atuais e por uma atuação mais técnica do que política.

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