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DECISÃO 2026: parceiro de chefe da comunicação de Lula recebeu R$ 1 milhão em projeto de WhatsApp do governo

Publicado 22/10/2026 • 17:40 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Sidônio Palmeira, ministro licenciado da Secom e fundador da Leiaute Propaganda, é ligado profissionalmente a João Dude, que recebeu R$ 1,02 milhão do projeto Conexão Cidadã entre 2024 e 2026.
  • Os registros do projeto mostram 26 pagamentos a João Dude, entre março de 2024 e agosto de 2026, por serviços de estudos, análises, consultoria e mentoria.
  • Em agosto deste ano, o publicitário também foi contratado pelas campanhas de Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado, ambas do PT, por R$ 112,5 mil cada.
Sidônio Palmeira, novo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Reprodução

O publicitário João Pinto Rodrigues da Costa Júnior, conhecido como João Dude, recebeu R$ 1,02 milhão do projeto Conexão Cidadã, ligado ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), entre março de 2024 e agosto de 2026.

Os pagamentos constam da prestação de contas do Instituto de Apoio à Universidade de Pernambuco (Iaupe), entidade responsável pela execução da parceria com o governo federal. Ao todo, são 26 lançamentos relacionados a estudos, análises, diagnósticos, consultoria, suporte e mentoria.

João Dude é diretor de Planejamento da Leiaute Propaganda desde 2013. A agência foi fundada por Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), atualmente afastado das funções para atuar na campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O Conexão Cidadã é usado para comunicação com beneficiários de políticas sociais e prevê o envio de mensagens por WhatsApp e outros canais digitais. O projeto passou a integrar uma investigação eleitoral em curso no TSE sobre o uso de canais oficiais do governo durante o período eleitoral.

Leia também: GERP: Flávio tem 53 pontos e Lula, 47; distância aumenta a cinco dias das eleições

R$ 1,02 milhão em 26 pagamentos

A primeira transferência registrada para João Dude ocorreu em 19 de março de 2024, no valor de R$ 50 mil.

Nos meses seguintes, pagamentos com o mesmo valor aparecem repetidamente na prestação de contas. Os registros descrevem os serviços como “estudos, análises e diagnóstico”, além de consultoria, suporte técnico, mentoria e assessoria.

A partir de agosto de 2025, os valores por lançamento caíram para R$ 15 mil. O pagamento mais recente listado nos documentos é de 26 de agosto de 2026, também de R$ 15 mil.

A soma dos 26 registros chega a R$ 1,02 milhão.

Os documentos do Conexão Cidadã também colocam João Dude entre os profissionais classificados como “notáveis”, responsáveis por avaliar relatórios e atividades do projeto.

Em um dos relatórios, referente ao núcleo de Inteligência de Dados e Business Intelligence, Dude é apresentado como profissional encarregado de analisar entregas e aparece ao lado de especialistas de áreas como ciência de dados, tecnologia e marketing.

Os avaliadores atribuíam notas aos trabalhos desenvolvidos e produziam análises sobre as entregas, seguindo critérios definidos pelo próprio projeto.

O Conexão Cidadã foi criado a partir de uma parceria entre o MDS e o Iaupe para desenvolver métodos de comunicação com beneficiários de programas sociais. O plano de trabalho prevê envio de mensagens sociais e alertas por WhatsApp, RCS e outros meios, além de análise de dados, segmentação de públicos, monitoramento de desempenho e testes para melhorar a entrega das comunicações.

O documento estabelece, por exemplo, valores unitários para mensagens enviadas por WhatsApp e prevê análises para definir grupos, narrativas e testes A/B. Também inclui um núcleo de inteligência de dados voltado ao acompanhamento das respostas e do desempenho das mensagens.

Os canais são usados para divulgar informações sobre políticas e serviços públicos.

Parceria aumentou ao longo dos anos

O termo de fomento firmado com o Iaupe recebeu sucessivos acréscimos durante sua execução.

Um termo aditivo publicado no Diário Oficial da União em dezembro de 2024 adicionou R$ 32,99 milhões e prorrogou a vigência da parceria até dezembro de 2025.
Outro aditivo, assinado em dezembro de 2025, acrescentou R$ 34,53 milhões e estendeu a vigência até 29 de dezembro de 2026.

Na ação atualmente em análise no TSE, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirma que a parceria começou em R$ 34,5 milhões e, depois dos acréscimos, chegou a R$ 273,2 milhões, dos quais R$ 237,8 milhões já teriam sido repassados.

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João Dude também trabalhou para campanhas do PT

Dados de prestação de contas eleitorais de 2026 mostram que João Dude também foi contratado por duas campanhas petistas na Bahia.

Em 16 de agosto, a campanha de Jaques Wagner ao Senado declarou uma despesa de R$ 112,5 mil com o publicitário para coordenação de marketing e planejamento estratégico.

No mesmo dia, a campanha de Rui Costa ao Senado registrou outra contratação de R$ 112,5 mil, neste caso relacionada à produção de filmes para publicidade.
Juntas, as duas despesas somam R$ 225 mil.

A coincidência entrou na mira da disputa judicial porque a campanha de Flávio incluiu na ação apresentada ao TSE a alegação de que empresas e profissionais remunerados pelo Conexão Cidadã também tiveram contratos eleitorais com candidatos do PT.

Projeto entrou em investigação no TSE

O Conexão Cidadã passou a fazer parte de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral apresentada por Flávio contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e Sidônio Palmeira.

A ação acusa os investigados de abuso de poder político, econômico e de autoridade em razão do envio de mensagens institucionais durante o período eleitoral.

No aditamento apresentado em 21 de outubro, a campanha de Flávio incluiu especificamente o Conexão Cidadã e citou o aumento dos recursos do projeto, os fornecedores ligados à operação das mensagens e os contratos eleitorais firmados por alguns deles.

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral eleitoral e relator do caso, recebeu a ação e o aditamento.

Leia também: DECISÃO 2026: Lula avalia troca de marqueteiro e mudança na SECOM de Sidônio no segundo turno

TSE manteve mensagens do governo

Apesar de admitir a investigação, Cueva rejeitou os principais pedidos urgentes apresentados pela campanha de Flávio.

O ministro negou a suspensão das mensagens enviadas pelos canais oficiais do governo e rejeitou, neste momento, pedidos para obrigar órgãos públicos e empresas a entregar documentos em 24 horas.

Também foi negada a retirada da marca e do slogan utilizados nas contas oficiais.

Os pedidos relacionados à preservação de registros digitais ainda poderão ser analisados, mas a campanha de Flávio terá de especificar quais documentos e dados pretende conservar.

Cueva deixou claro ainda que a negativa das medidas urgentes não funciona como autorização para eventual publicidade institucional irregular nem para o uso de recursos públicos em benefício eleitoral.

Outro lado

O Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC procurou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Instituto de Apoio à Fundação Universidade de Pernambuco (Iaupe), a campanha de Lula, o ministro licenciado da Secom, Sidônio Palmeira, e João Dude, diretor de Planejamento da Leiaute Propaganda. Até a publicação desta reportagem, nenhum deles havia se manifestado.

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