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DECISÃO 2026: Sem debate da Globo, Lula e Flávio fazem transmissões paralelas; candidatos à presidência repercutem cancelamento e acusam TSE e STF de interferência

Publicado 01/10/2026 • 23:43 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Lula participou do Flow Podcast no horário em que ocorreria o debate, chamou o formato da Globo de “infrutífero”, atacou Flávio Bolsonaro e disse acreditar que a eleição pode ser definida no primeiro turno.
  • Flávio Bolsonaro fez uma live após desistir do encontro, acusou o TSE de “censura”, pediu “voto de revolta” para tentar vencer no domingo e falou sobre futuras indicações ao STF caso seja eleito.
  • Caiado, Zema, Cury e Renan Santos também reagiram ao cancelamento, com críticas ao Judiciário, às ausências dos dois primeiros colocados nas pesquisas e à própria Globo.
Montagem com candidatos à Presidência que participam de agendas de campanha nas eleições de 2026

O cancelamento do debate presidencial da TV Globo a três dias do primeiro turno transformou a noite desta quinta-feira (1º) em uma sequência de transmissões e declarações dos candidatos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia decidido não participar do encontro, foi entrevistado pelo Flow Podcast, enquanto Flávio Bolsonaro (PL), que desistiu horas antes, fez uma live no horário em que ocorreria o confronto.

Lula usou a entrevista para justificar a ausência, atacar Flávio, dizer que acredita em vitória no primeiro turno e discutir temas como Banco Master e Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio, por sua vez, acusou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de “censura”, responsabilizou Lula pelo episódio e pediu que eleitores de outros candidatos concentrem votos em sua candidatura já no domingo.

Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), que já estavam nos Estúdios Globo, também criticaram o cancelamento. Renan Santos (Missão), cuja participação havia sido determinada pouco antes pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, reagiu enquanto se deslocava para o local.

Leia também: Globo cancela debate presidencial após decisões do TSE e STF

Lula chama formato da Globo de “infrutífero”

No Flow Podcast, Lula foi questionado logo no início sobre por que havia escolhido participar do podcast em vez do debate.

“Eu, sinceramente, acho que esses debates são infrutíferos, não produzem nada, não dão sequência”, afirmou.

O presidente disse que, com muitos candidatos no palco, cada participante dispõe de pouco tempo seguido para desenvolver as ideias e que a dinâmica acaba estimulando “gracinha”, “piada” e “pegadinha”.

“Quando você está numa disputa para presidente da República é uma coisa mais séria. Você está discutindo o país, está discutindo o povo brasileiro, a soberania brasileira”, declarou.

Lula também defendeu um formato que leve em consideração a posição dos candidatos na disputa.

“Você não pode pegar uma pessoa que tem 49% e levar para disputar com uma pessoa que está começando a ter 1%. É desproporcional até para o telespectador”, afirmou.

O petista lembrou ainda que não compareceu a um debate da Globo em 2006 e que, naquela ocasião, a emissora manteve uma cadeira vazia para registrar sua ausência. Nesta quinta, mencionou a decisão judicial que impediu a repetição da estratégia.

A entrevista avançou para a disputa com Flávio Bolsonaro. Lula chamou o candidato do PL de “desqualificado” para a Presidência e fez críticas à trajetória política do adversário.

“Ele não tem passado, não tem presente e não tem futuro”, disse.

Na sequência, Lula afirmou acreditar que a eleição pode terminar já no domingo.

“Mas eu, sinceramente, acho que eu vou ganhar as eleições no primeiro turno. Acho que as eleições vão ser definidas domingo. Se não for, paciência”, declarou.

Lula fala sobre Master e cobra explicação de Moraes

A entrevista também passou pelo caso Banco Master e pelas discussões envolvendo integrantes do Supremo. Lula defendeu que as apurações avancem independentemente dos nomes envolvidos.

“O que eu acho é que a coisa criou uma proporção tão grande que só tem uma saída: ser investigado”, afirmou.

“Não tem proteção do presidente da República ao ministro da Suprema Corte, ao deputado, ao senador. É preciso investigar todo mundo”, acrescentou. Mais adiante, resumiu: “Vamos investigar, investigar, doa a quem doer.”

Lula também disse que falou diretamente com Alexandre de Moraes sobre questionamentos relacionados ao ministro.

“Você deve uma explicação à sociedade brasileira”, afirmou ter dito a Moraes.

O presidente acrescentou que a sociedade também tem direito a esclarecimentos sobre outros ministros mencionados nas controvérsias recentes.

Ao falar do pedido de vista apresentado por Flávio Dino em um processo relacionado ao caso, Lula afirmou que ministros têm o direito de interromper um julgamento para analisar melhor os autos e defendeu uma apuração mais ampla, em vez de concentrada em uma única pessoa.
Lula também fez críticas ao funcionamento do Supremo.

“O que está acontecendo está levando a Suprema Corte a perder credibilidade na sociedade”, afirmou.

Flávio fala em “censura” e culpa Lula

Flávio Bolsonaro iniciou a transmissão no horário em que deveria ocorrer o debate e voltou a atribuir sua ausência às decisões judiciais que alteraram as regras do encontro.

“A censura, no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha que vocês já viram nos últimos tempos”, afirmou.

A equipe do candidato chegou a colocar na transmissão um púlpito com o nome de Lula, em referência à decisão do TSE que havia proibido a Globo de exibir o espaço vazio destinado ao presidente.

“É isso aí que você censurou, Lula. Isso que ia ter no debate que você mandou tirar”, disse Flávio.

Flávio voltou então a desafiar Lula e elevou o tom contra o adversário.

“Te chamei, Lula, para o debate mais de duas vezes. Você correu. É com você que nós queremos debater, esfregar na sua cara a verdade, a sua incompetência, corrupção. Você vai ser expulso da Presidência nesse domingo, Lula”, afirmou.

A transmissão também foi usada para pedir a concentração de votos em sua candidatura já no primeiro turno. Flávio falou em “voto de revolta” e disse que o eleitor não deveria “parcelar” o voto em duas rodadas.

A live avançou também para propostas de governo. Em um dos momentos, Flávio exibiu uma grande tesoura nas cores verde e amarela e prometeu promover um “tesouraço” em normas que considera excessivamente burocráticas.

“É tudo um bando de portaria, é decreto, instrução normativa, um bando de coisa que não presta, que é só para criar burocracia e atrapalhar quem quer empreender”, disse.

Flávio também retomou críticas ao governo sobre as apostas online e chamou Lula de “pai do Tigrinho”.

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STF entra em pauta na transmissão

O candidato dedicou parte da live a críticas ao Supremo e às decisões tomadas durante a campanha.

Flávio acusou integrantes das Cortes superiores de favorecer Lula e afirmou que pretende alterar a composição do STF por meio das indicações que caberiam ao próximo presidente durante o mandato.

“Imaginem o STF sem os ministros do Lula. Conseguiram imaginar? É a única forma que nós temos de voltarmos a respirar democracia nesse país”, afirmou.

Em outro trecho, disse que quer ter a oportunidade de indicar ministros que, em sua avaliação, decidam “conforme a lei” e “conforme a Constituição”.

Ao longo da live, Flávio chamou aliados para participar da transmissão. Douglas Ruas, Carlos Jordy, Nikolas Ferreira, Carlos Bolsonaro, Carol de Toni, Pablo Marçal, Deltan Dallagnol e Guilherme Derrite estiveram entre os participantes.

Douglas Ruas relacionou o cancelamento do debate a críticas que já vinha fazendo ao Judiciário no Rio de Janeiro. Jordy também atacou decisões judiciais. Nikolas comemorou o cancelamento durante uma participação por vídeo.

A maior parte dos aliados aproveitou a transmissão para reforçar a campanha de Flávio e defender uma definição da eleição já no primeiro turno.
Caiado fala em “atentado à democracia”

Ronaldo Caiado, que já estava nos Estúdios Globo, falou com jornalistas depois de receber a notícia do cancelamento.

“É um atentado à democracia brasileira. A palavra é essa”, afirmou. “Destruíram o processo eleitoral no país. Nós não tivemos a oportunidade de poder promover debates.”

Caiado disse que havia chegado ao local com três horas de antecedência e criticou decisões do TSE e do STF. O candidato voltou a usar a expressão “ditadura da toga” ao falar sobre a atuação do Judiciário.

Questionado sobre o que diria a Lula e Flávio, Caiado atribuiu ao petista a principal responsabilidade pelo impasse.

“O Lula provocou tudo isto. Ele foi o fator determinante de tudo isso”, afirmou. A declaração representa a avaliação de Caiado sobre a sequência de acontecimentos.

Zema critica decisões de última hora

Romeu Zema também se manifestou diante de jornalistas depois do cancelamento.

“Nós estamos assistindo, mais uma vez, o Judiciário fazer política no Brasil”, afirmou.

Zema disse não ter objeção à participação de outros candidatos, mas afirmou que as regras deveriam ser respeitadas e criticou mudanças determinadas pouco antes do programa.

Questionado sobre o fato de ele próprio ter conseguido participar do debate em razão de uma decisão judicial, Zema disse que via diferença entre as situações. Segundo o candidato, no caso do Novo havia uma discussão sobre qual número de parlamentares deveria ser considerado para cumprir o critério previsto na legislação eleitoral.

Zema afirmou ainda que não havia lido a íntegra da decisão que garantiu a participação de Renan Santos.

Leia também: Flávio Bolsonaro desiste de último debate antes do 1º turno na TV Globo e fala em “censura” do TSE; Lula também recusou participação

Cury diz estar “completamente indignado”

Augusto Cury também reagiu após o cancelamento e direcionou suas críticas a Lula e Flávio.

“Estou eu completamente indignado com o que ocorreu hoje na Globo”, afirmou.

Cury disse que Flávio deveria ter mantido a participação e chamou Lula de “fujão”.

“Flávio tinha que estar aqui de qualquer maneira”, declarou.

O candidato afirmou que pretendia usar o encontro para apresentar suas propostas e confrontar os adversários.

“O debate é o oxigênio da democracia”, disse.

Cury também criticou o chamado voto útil e pediu apoio à própria candidatura na reta final da campanha.

Renan questiona Globo e acusa Lula e Flávio de “fugirem”

Renan Santos soube do cancelamento enquanto se dirigia aos Estúdios Globo, depois de conseguir no STF uma decisão que determinava sua inclusão no evento.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, reagiu à notícia.

“Rede Globo cancela o debate. Que caos, que caos! Rede Globo, por que você não manteve o debate?”, disse.

Renan afirmou que sua equipe havia ido até os estúdios e que ele seguia de carro para o local quando foi informado de que o encontro não ocorreria.

“Você, brasileiro, não terá debate algum. Os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro fugiram mais uma vez, e por conta dessa fuga não haverá debate”, afirmou.

O candidato disse ainda que Flávio havia desistido poucos minutos depois de sua participação ser oficializada e atribuiu a saída do adversário a “medo”. Essa sequência temporal e a motivação foram apresentadas por Renan; Flávio atribuiu publicamente sua decisão às mudanças determinadas pelo TSE.

O primeiro turno da eleição presidencial ocorre neste domingo (4).

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