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Delator do caso Master diz que movimentava malas de dinheiro e fazia remessas a mando de Vorcaro

Publicado 04/09/2026 • 20:15 | Atualizado há 16 minutos

KEY POINTS

  • Empresário relatou que terceiros cobravam comissão de 4% para disponibilizar dinheiro em espécie.
  • Freixo disse não saber qual era o destino final dado por Vorcaro aos valores entregues.
  • Acordo de colaboração foi fechado com a PGR e ainda depende de homologação pelo ministro André Mendonça, do STF.

Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em acordo de colaboração premiada que atuava na obtenção de grandes volumes de dinheiro em espécie e na realização de remessas financeiras a pedido de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Segundo o relato, Vorcaro transferia recursos ou bens para empresas ligadas a Freixo, que então procurava outros operadores capazes de disponibilizar o dinheiro vivo. Esses intermediários cobravam uma comissão de 4% pela operação, e parte dos valores, devido ao volume, era transportada em malas.

As informações constam da colaboração fechada por Freixo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e foram reveladas pela Folha de S.Paulo. O empresário afirmou não saber qual destino Vorcaro dava ao dinheiro depois das entregas.

Operadores entregavam dinheiro em espécie

Freixo relatou às autoridades que tinha uma relação antiga com Vorcaro e participava de negócios em conjunto com o ex-banqueiro.

Segundo pessoas com conhecimento da colaboração, em determinado momento Vorcaro teria começado a solicitar operações classificadas pelo empresário como “não ortodoxas”, entre elas remessas sem lastro e a obtenção de dinheiro vivo.

O modelo descrito por Freixo envolvia a transferência de bens ou recursos para suas empresas. A partir daí, ele buscava operadores que pudessem disponibilizar os valores em espécie.

Esses operadores ficavam com 4% do montante. Freixo reunia o dinheiro e o entregava a Vorcaro, inclusive em malas quando o volume de notas era elevado.

O empresário afirmou que desconhecia a utilização posterior desses recursos.

A colaboração poderá ajudar os investigadores a identificar em quais momentos Vorcaro teria recorrido a dinheiro em espécie e se essas movimentações guardam relação com outros fatos investigados no caso Master.

Recursos foram enviados a fundo nos Estados Unidos

Freixo também relatou operações de envio de dinheiro ao exterior.

Entre elas estão transferências para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

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Segundo a investigação, a Entre Investimentos e Participações, empresa de Freixo, funcionava como um braço operacional usado para movimentar recursos definidos por Vorcaro.

Parte do dinheiro enviado ao Havengate estava ligada ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Autoridades suspeitam que uma parcela dos recursos possa ter sido destinada a Eduardo Bolsonaro. Freixo, porém, afirmou não saber se o dinheiro enviado aos Estados Unidos beneficiou o ex-deputado ou qualquer outro aliado do ex-presidente.

Empresa de Freixo já estava no radar da PF

A Entre Investimentos já aparecia nas investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre as operações relacionadas ao Banco Master.

Freixo foi alvo de busca e apreensão em janeiro, durante uma nova fase da Operação Compliance Zero.

A PF apontava a empresa como parte da estrutura usada para repasses de recursos determinados por Vorcaro. A Entrepay, outra empresa do Grupo Entre, teve a liquidação decretada pelo Banco Central em março deste ano.

Em manifestações anteriores, o Grupo Entre afirmou não possuir vínculo societário com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master e sustentou que suas operações foram realizadas de forma regular.

Acordo ainda precisa ser homologado

A colaboração de Freixo foi fechada com a PGR em agosto e encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para análise.

Mendonça ainda não homologou o acordo. A homologação é a etapa em que o Supremo verifica, entre outros pontos, a regularidade, legalidade e voluntariedade da colaboração.

Este é o segundo acordo de colaboração premiada firmado pela PGR no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. O primeiro foi fechado com João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, e também foi encaminhado a Mendonça.

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