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Volkswagen prepara corte de até 50% na linha de modelos; entenda o plano

CNBCVolkswagen sobe quase 6% após anunciar corte de mais 50 mil empregos em meio a tarifas e concorrência da China

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Volkswagen sobe quase 6% após anunciar corte de mais 50 mil empregos em meio a tarifas e concorrência da China

Publicado 04/09/2026 • 08:47 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • A Volkswagen anunciou o corte de mais 50 mil empregos como parte de seu plano de reestruturação.
  • As ações da montadora dispararam nesta sexta-feira, após investidores reagirem positivamente ao plano de redução de custos.
  • Segundo analistas, a decisão pode gerar um “efeito halo” sobre toda a indústria automobilística alemã.
Volkswagen prepara corte de até 50% na linha de modelos; entenda o plano

Foto: unsplash

Volkswagen sobe após anunciar planos para cortar 50 mil empregos, em meio à intensificação de pressões tarifárias e da concorrência chinesa.

As ações da Volkswagen subiram nesta sexta-feira (04) depois que a companhia anunciou planos para cortar mais 50 mil empregos como parte de um histórico plano de transformação, em meio à intensificação das pressões tarifárias e da concorrência chinesa.

A maior montadora da Europa informou na quinta-feira que seu conselho de supervisão aprovou o Future Plan 2030, composto por 12 iniciativas que resultarão no “programa de transformação estrategicamente mais profundo” dos 89 anos de história do grupo.

O plano inclui o corte de cerca de 50 mil postos de trabalho, incluindo cargos de gestão. A empresa citou a concorrência global, mudanças na demanda e transformações tecnológicas como fatores por trás da decisão. A Volkswagen também pretende simplificar sua estrutura de liderança, com uma hierarquia mais enxuta.

A medida se soma aos 50 mil cortes de empregos já aprovados anteriormente, elevando o total previsto para 100 mil postos de trabalho eliminados.

As ações da Volkswagen lideraram os ganhos do índice Stoxx 600 nesta sexta-feira e subiam 5,8% pouco depois da abertura dos mercados. No acumulado do ano, porém, os papéis registram queda de 21%.

Leia também: Volkswagen planeja eliminar 100 mil postos de trabalho até o fim da década

A companhia também pretende simplificar seu portfólio de modelos em 50% até 2035, reduzindo sua linha de produtos e avaliando usos alternativos para quatro fábricas na Alemanha cuja produção futura ainda não estava garantida para o período entre 2031 e 2034.

“Estamos assumindo responsabilidade por toda a nossa força de trabalho, por nossos parceiros e pelos empregos industriais em todo o mundo”, afirmou o CEO da Volkswagen, Oliver Blume. “Nos próximos anos, investiremos uma soma de centenas de bilhões para tornar nossas marcas icônicas ainda mais atraentes, fortes e competitivas.”

A Volkswagen enfrentou uma queda nos lucros ao longo do último ano, com as pressões tarifárias entre os fatores que pesaram sobre os resultados. A empresa reportou despesas de 2,9 bilhões de euros (US$ 3,4 bilhões) relacionadas a tarifas em todo o ano de 2025.

Há dois anos, a montadora alemã pagava uma tarifa de 2,5% sobre veículos europeus. Desde então, a alíquota subiu para 15%, afirmou Blume em agosto.

“Nossos carros estão se tornando mais caros e, portanto, cada vez mais difíceis de vender — não porque tenham piorado, mas porque as regras do jogo mudaram”, disse o executivo na ocasião.

Além disso, a Volkswagen enfrenta uma forte concorrência de rivais chinesas, à medida que fabricantes como BYD e Geely avançam no mercado de veículos elétricos e desafiam sua posição histórica no setor.

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O plano de reestruturação da montadora reflete pressões mais amplas enfrentadas pela indústria automobilística europeia, incluindo o excesso de capacidade produtiva na China e as importações a preços muito mais baixos, afirmou Kevin Thozet, membro do Comitê de Investimentos da Carmignac.

“A Europa está, portanto, importando não apenas carros chineses, mas também a deflação de preços chinesa”, afirmou Thozet nesta sexta-feira.

A Europa também enfrenta “um problema de excesso de capacidade próprio”, acrescentou o analista. A Volkswagen estaria particularmente exposta porque algumas de suas fábricas alemãs foram construídas para produzir sedãs elétricos de primeira geração, cuja demanda perdeu força.

“A China tem carros demais. A Europa tem fábricas demais. E os dois problemas estão colidindo”, afirmou Thozet.

Leia também: CEO da Volkswagen diz que situação é ‘mais do que crítica’ e admite risco para fábricas

Resultado melhor do que o esperado

Analistas já esperavam uma alta das ações da Volkswagen após o anúncio. Embora a decisão tenha representado uma “grande surpresa”, ela também demonstra que a companhia é capaz de executar decisões difíceis, segundo analistas do Deutsche Bank.

“A aprovação unânime do Zukunftsplan 2030 da Volkswagen na noite passada representa, em nossa visão, um avanço fundamental e um resultado muito melhor do que se temia”, disseram os analistas.

“Praticamente todos os inúmeros investidores com quem conversamos nos últimos dias continuavam a enxergar a Volkswagen simplesmente como uma empresa ‘sem conserto’, e o ceticismo em relação à possibilidade de um acordo abrangente permanecia extremamente elevado”, acrescentaram.

Embora a transformação não resolva os desafios da Volkswagen da noite para o dia, o anúncio representa um passo na direção certa e marca uma nova fase para a companhia, segundo os analistas.

Eles acrescentaram que o resultado pode ter “implicações mais amplas” para a indústria automobilística alemã, com outras montadoras adotando medidas semelhantes para compensar o crescimento mais lento, o excesso de capacidade, a concorrência internacional e a pressão sobre os retornos.

“O acordo de reestruturação de dezembro de 2024 provavelmente incentivou outros fabricantes a buscar ajustes igualmente difíceis, mas necessários”, afirmaram. “A decisão de hoje pode criar um efeito halo semelhante.”

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