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Payroll: EUA criam 162 mil vagas em agosto, bem acima do esperado; desemprego fica em 4,1%
Publicado 04/09/2026 • 12:47 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 04/09/2026 • 12:47 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
AFP
Bandeira dos Estados Unidos
A economia dos Estados Unidos criou empregos em ritmo acelerado em agosto, revertendo a desaceleração observada durante o verão, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável.
O número de empregos fora do setor agrícola (nonfarm payrolls) aumentou em 162 mil em agosto, com ajuste sazonal, enquanto a taxa de desemprego, conforme esperado, permaneceu em 4,1%, informou o Bureau of Labor Statistics (BLS) nesta sexta-feira (04). Economistas consultados pelo Dow Jones projetavam a criação de 53 mil vagas.
O resultado de agosto foi o maior ganho mensal desde março.
“Em suma, o mercado de trabalho está vivo e saudável, gerando milhares de novos empregos que ajudam a manter o crescimento econômico firmemente no campo positivo”, afirmou Chris Rupkey, economista-chefe da Fwdbonds.
O relatório está alinhado à avaliação de autoridades do Federal Reserve de que o mercado de trabalho permanece estável. Agora, o foco do banco central provavelmente se voltará aos dados de preços ao consumidor e ao produtor que serão divulgados na próxima semana, que devem ser determinantes para a decisão sobre os juros em menos de duas semanas.
Leia também: Payroll dos EUA supera previsões com a criação de 162 mil vagas; desemprego fica em 4,1%
Os futuros das ações americanas passaram a operar majoritariamente em baixa após a divulgação dos dados, enquanto os rendimentos dos Treasuries, especialmente os de curto prazo, onde a política monetária do Fed exerce maior influência, subiram com força.
Após o resultado dos payrolls superar as expectativas, os mercados passaram a considerar com mais força a possibilidade de uma alta de juros pelo Fed. Os operadores ainda precificavam cerca de 60% de probabilidade de uma elevação de 0,25 ponto percentual na reunião de política monetária do banco central, marcada para os dias 15 e 16 de setembro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.
“Uma surpresa positiva nos payrolls provavelmente aumentará as preocupações com uma alta dos juros, mas esse resultado está nas mãos dos dados de inflação da próxima semana”, afirmou Ellen Zentner, estrategista-chefe de economia da Morgan Stanley Wealth Management. “Se os números vierem mais baixos do que o esperado, o Fed provavelmente se sentirá confortável em desconsiderar os sinais potencialmente inflacionários vindos do mercado de trabalho.”
O presidente Donald Trump classificou o relatório de agosto como um “ótimo número de empregos” e afirmou que o Fed deveria reduzir os juros, e não elevá-los.
“O Conselho do Fed, com seu novo grande líder, precisa ser inteligente — SEJAM PATRIOTAS para variar”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais. “Juros altos colocam os EUA em uma desvantagem muito injusta, e eu não permitirei que isso aconteça!”
O presidente também ameaçou interromper o comércio com países com os quais os Estados Unidos mantêm déficit, caso o Fed não reduza os juros. Os EUA têm déficit comercial com mais de 90 países.
“REDUZAM OS JUROS OU VOU PARAR DE NEGOCIAR COM OS PAÍSES COM OS QUAIS TEMOS DÉFICIT, algo que a Suprema Corte dos EUA, em sua decisão ridícula e muito custosa sobre tarifas, reconheceu fortemente que ‘o presidente’ tem o direito absoluto de fazer”, escreveu Trump.
As autoridades monetárias costumam acompanhar a taxa de desemprego mais de perto como indicador da saúde do mercado de trabalho. O índice tem permanecido estável nos últimos anos e está, na verdade, 0,2 ponto percentual abaixo do nível registrado um ano atrás.
Também houve um dado positivo nesse aspecto: a taxa de desemprego permaneceu estável mesmo com um aumento de 0,2 ponto percentual na taxa de participação da força de trabalho, que mede a parcela da população empregada ou que procura emprego.
A pesquisa domiciliar usada para calcular a taxa de desemprego mostrou um aumento de 569 mil pessoas empregadas e uma entrada de 683 mil pessoas na força de trabalho.
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Siga o Times | CNBCUma medida alternativa de desemprego, que inclui trabalhadores desencorajados e pessoas que trabalham em regime parcial por razões econômicas, caiu para 7,7%, uma redução de 0,2 ponto percentual e o menor nível desde junho de 2025.
Além do resultado sólido de agosto, os dados dos meses anteriores também foram revisados para cima. Julho passou a mostrar a criação de 21 mil empregos, revertendo a perda de 23 mil vagas inicialmente registrada. Já junho foi revisado para uma alta de 31 mil postos, 11 mil a mais que a estimativa anterior.
Diferentemente dos meses anteriores, a criação de empregos foi relativamente disseminada entre os setores.
Leia também: Inflação e emprego: Payroll, IPCA-15 e PCE testam apostas para juros no Brasil e nos EUA
Restaurantes e bares lideraram, com 59 mil novas vagas, enquanto o setor de educação do governo adicionou 42 mil postos e a indústria de transformação contribuiu com 16 mil. O setor de saúde, principal motor da criação de empregos, registrou apenas 13 mil novas vagas, abaixo da média mensal de 32 mil nos 12 meses anteriores.
Houve também sinais de que a inteligência artificial pode estar afetando o mercado de trabalho. Os setores ligados à informação registraram perda de 23 mil empregos, levando a média dos últimos 12 meses para uma perda de 8 mil vagas.
Os ganhos médios por hora aumentaram 0,3%, em linha com o consenso. Na comparação anual, a alta foi de 3,1%, 0,1 ponto percentual acima das expectativas.
As expectativas do mercado sobre a trajetória dos juros oscilaram nos últimos dias.
Após declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, na semana passada, os operadores passaram a precificar uma forte possibilidade de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) elevasse sua taxa básica em 0,25 ponto percentual na reunião dos dias 15 e 16 de setembro.
No entanto, declarações feitas nesta semana pelo governador do Fed Christopher Waller, além de outros dirigentes, tornaram o cenário menos definido. O FOMC não altera a taxa dos Fed Funds desde os três cortes realizados na segunda metade de 2025.
As autoridades monetárias têm demonstrado preocupação muito maior com a inflação, que permanece acima da meta de 2% do Fed há cinco anos e meio.
O relatório de empregos prepara o terreno para os dados do BLS sobre os preços ao produtor e ao consumidor, previstos para quinta e sexta-feira, respectivamente.
Waller afirmou que seria favorável à manutenção dos juros se os relatórios mostrarem uma desaceleração mensal da inflação. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse à CNBC no início desta semana que está em modo de “esperar para ver” os dados, enquanto o governador Michael Barr também indicou que, enquanto a inflação estiver “moderando”, estaria confortável em manter os juros inalterados.
Barr e Waller, porém, afirmaram que estariam preparados para elevar os juros caso os dados não evoluam de forma favorável.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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