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Ajuste fiscal pode prolongar alta do mercado após eleição, avalia Fernanda Rocha
Publicado 05/10/2026 • 19:52 | Atualizado há 43 minutos
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Publicado 05/10/2026 • 19:52 | Atualizado há 43 minutos
KEY POINTS
A reação dos mercados ao resultado do primeiro turno pode se transformar em um movimento mais prolongado caso o próximo governo apresente um plano consistente de ajuste fiscal, avaliou Fernanda Rocha, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Fernanda, a dimensão do resultado eleitoral surpreendeu os investidores e começou a ser incorporada aos preços ainda no domingo, antes da abertura do mercado brasileiro. A alta dos ativos ligados à Bolsa brasileira no exterior já antecipava um pregão de forte valorização das ações, recuo do dólar e fechamento das curvas de juros.
“A gente já sabia que hoje ia acordar um dia de muita euforia, de muita alta, de dólar recuando, curvas de juros recuando, cedendo. Então, isso é muito positivo para o mercado”, avaliou.
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A assessora de investimentos destacou que empresas mais alavancadas, com maior volume de dívidas, estão entre as principais beneficiadas pela redução das taxas de juros projetadas, porque a queda do custo do dinheiro altera o cálculo do valor presente desses ativos.
“Hoje foi, digamos, uma festa no mercado”, resumiu Rocha.
Para a especialista, a continuidade da valorização dependerá principalmente das sinalizações sobre as contas públicas após o segundo turno. Rocha apontou o risco fiscal como um dos fatores que mais vinham pressionando os ativos brasileiros, diante do crescimento da dívida e do aumento do custo para financiá-la.
“Quanto maior é o seu risco, mais se cobra pela sua dívida. Então, esse risco fiscal estava encarecendo demais e isso trazia para a gente uma perspectiva extremamente negativa”, explicou.
Na avaliação de Fernanda, um eventual governo que apresente uma agenda voltada ao equilíbrio das contas públicas poderia sustentar por mais tempo a melhora dos ativos. Ela citou como referência uma redução de gastos equivalente a cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
“Se eles conseguirem trazer algo factível de diminuição de gastos em torno de 1,5% do PIB, a gente pode considerar que essa alta vai ser prolongada”, disse.
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Siga o Times | CNBCO movimento desta segunda-feira também foi intenso no mercado de juros. Segundo Rocha, títulos públicos de vencimentos mais longos registraram forte valorização com o fechamento da curva, beneficiando investidores que já estavam posicionados nesses papéis.
“Esses clientes que conseguiram fazer aquisições desses títulos antes chegaram a ver hoje ganhos na casa de 20%, 30% só no dia de hoje”, relatou.
A assessora de investimentos explicou que taxas projetadas para vencimentos mais longos, que estavam próximas de 14%, chegaram a recuar para cerca de 12,70%. Para ela, a queda das taxas futuras também pode representar redução significativa do custo de rolagem da dívida pública.
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Fernanda Rocha acrescentou que, caso o segundo turno resulte em mudança de governo acompanhada de um plano fiscal mais ajustado, poderá haver espaço para redução da Selic mais adiante. As novas projeções dos bancos, segundo ela, deverão começar a incorporar o cenário produzido pelo resultado eleitoral.
Para quem já estava investido antes da forte valorização, Fernanda considera importante reavaliar o peso de cada classe de ativos na carteira, principalmente quando a alta da renda variável faz com que a exposição a ações ultrapasse o limite originalmente definido pelo perfil do investidor.
“Fazer o ajuste da sua posição, voltar para a sua estratégia, diminuir, realizar um pouco desses ganhos e trazer a sua posição para o montante que deveria ser com base no seu perfil de risco é muito positivo”, recomendou.
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Investidores que mantiveram recursos disponíveis para oportunidades também podem, segundo ela, avaliar o alongamento de posições e novas alocações, desde que preservem a estratégia definida para a carteira.
Em um cenário de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernanda considera que parte do movimento registrado nesta segunda-feira poderia ser revertida, com o mercado voltando a incorporar um prêmio de risco maior aos ativos brasileiros.
“Tudo que a gente viu hoje foi a diminuição do prêmio de risco. Então, se acontecer a manutenção do governo no segundo turno, a gente vai ver o retorno desse prêmio de risco”, concluiu.
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