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Reforma tributária exigirá empresas no mesmo nível tecnológico do Fisco, diz Giovanni Schiavone, sócio de Tax Technology da EY Brasil
Publicado 29/09/2026 • 20:10 | Atualizado há 43 minutos
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Publicado 29/09/2026 • 20:10 | Atualizado há 43 minutos
KEY POINTS
A reforma tributária exigirá das empresas um grau maior de maturidade tecnológica para acompanhar a capacidade de processamento e fiscalização do Fisco, segundo Giovane M. Schiavone, sócio de Tax Technology da EY Brasil. Para o executivo, a transformação vai além da substituição de tributos e altera a própria maneira como as companhias prestarão informações e recolherão impostos.
Em entrevista nesta terça-feira (29) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Schiavone explicou que uma das principais mudanças será a passagem do atual sistema declaratório para um modelo no qual a apuração ocorrerá praticamente em tempo real, a partir dos documentos fiscais emitidos pelas empresas.
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“Hoje, as empresas apuram os tributos e declaram por meio das obrigações acessórias, que são os famosos SPEDs. A gente deixa de ter esse modelo para um modelo de apuração em tempo real. Conforme as empresas passem a emitir os documentos fiscais, eles já serão apurados pelo Fisco, Receita Federal e Comitê Gestor”, explicou.
Outra transformação apontada pelo executivo está na forma de recolhimento. Atualmente, as companhias calculam os tributos, emitem as respectivas guias e efetuam o pagamento. Com a implementação do split payment, o imposto poderá ser separado no próprio momento da liquidação financeira da operação.
“No futuro, a expectativa é que o famoso split payment seja implementado. Ou seja, já na operação comercial, quando da liquidação financeira, o valor do tributo seria separado, direcionado ao governo, e o vendedor receberia o valor líquido”, disse.
Na prática, o dinheiro correspondente ao imposto sequer passaria pelo caixa do vendedor, modificando uma dinâmica financeira presente hoje nas operações das empresas.
Para o executivo, as companhias enfrentarão essa transformação diante de uma administração tributária que já apresenta elevado nível de digitalização. Ele citou um estudo do Banco Mundial de 2022 no qual, segundo o executivo, o Brasil apareceu na segunda posição entre 198 países no quesito GovTech, atrás apenas da Coreia do Sul. A pesquisa, acrescentou, foi atualizada em 2025 com mudanças metodológicas, mantendo o país entre os mais tecnológicos.
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O sócio da EY também apontou dados da Receita Federal para exemplificar o aumento da capacidade fiscalizatória proporcionado pela tecnologia. Segundo ele, em 2012, um auditor tinha capacidade média de recuperar R$ 28 milhões em créditos para os cofres públicos. Pouco mais de uma década depois, esse montante teria alcançado R$ 148 milhões, já descontada a inflação.
“É uma eficiência muito grande que, obviamente, só foi possível com o uso de muita tecnologia”, destacou.
Schiavone acrescentou que, de acordo com relatórios da Receita citados por ele, mais de 85% das fiscalizações apresentam resultado assertivo. Na avaliação do executivo, isso demonstra que a seleção das empresas fiscalizadas está cada vez mais baseada na análise prévia de informações.
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“Não existe mais aquele processo randomizado de fiscalização. A Receita Federal faz a lição de casa, avalia os seus dados e aí, sim, bate à porta das empresas”, observou.
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Siga o Times | CNBCDiante dessa capacidade do Fisco, Schiavone considera que a tecnologia será essencial para reduzir a diferença entre a estrutura das empresas e a administração tributária. Entre as ferramentas disponíveis, citou inteligência artificial e soluções capazes de cruzar obrigações acessórias com notas fiscais.
“Hoje, a gente tem a IA sendo utilizada a favor das companhias. Também temos outras tecnologias em que conseguimos cruzar dados. Nós conseguimos cruzar as obrigações acessórias com as notas fiscais das companhias para ter informações muito valiosas”, ressaltou.
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Esses dados, segundo ele, podem ser usados não apenas para compliance tributário, mas também no planejamento fiscal e na avaliação da cadeia logística. “Nós, tributaristas, sabemos que nem sempre o menor preço representa o menor custo. Então, é muito importante que as empresas usem essas tecnologias que estão à disposição”, acrescentou.
O primeiro passo para a adaptação, segundo Schiavone, é identificar como a reforma afetará concretamente cada negócio. A partir desse diagnóstico, as empresas deverão revisar processos, qualidade dos dados e sistemas, além de implementar e testar novas tecnologias.
A preparação também deverá envolver as equipes. “Depois é necessário revisitar processos, dados e sistemas, implementar as novas tecnologias, testar essas tecnologias e, por fim, fazer também uma revisão da estrutura de pessoas”, explicou.
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Para o executivo, empresas que construírem essa base terão vantagem na entrada do novo sistema. “Quem tiver essa fundação tecnológica adequada sairá na frente a partir do ano que vem e cumprirá todos os requisitos da reforma tributária. O sucesso na reforma tributária é proporcional à maturidade da companhia do ponto de vista tecnológico”, avaliou.
Entre os riscos, o executivo da EY Brasil destacou começar o novo período sem os sistemas preparados para as mudanças. Um dos pontos mais sensíveis, segundo ele, será garantir que as informações registradas pelas empresas sejam compatíveis com aquelas processadas pela administração tributária.
“A gente vai ter um desafio muito grande, que é o desafio da conciliação de dados. O valor que será apurado pelo Fisco, Receita Federal e Comitê Gestor, precisa bater com os dados do ERP das companhias e das soluções fiscais”, disse.
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Ao mesmo tempo, o executivo enxerga na reforma uma oportunidade para reduzir o peso das tarefas operacionais sobre os profissionais das áreas tributárias. Atividades repetitivas que hoje consomem tempo das equipes poderão ser automatizadas, liberando profissionais para funções de maior valor agregado.
“São atividades extremamente operacionais, que deveriam estar sendo feitas por máquina e são feitas por profissionais. Essas atividades deixam de existir em um cenário de reforma tributária”, ponderou.
Com a automação, Schiavone espera uma mudança no papel das áreas fiscais dentro das companhias. “Os profissionais terão certamente muito mais tempo para atuar em atividades estratégicas, que de fato gerem valor agregado e inclusive resultado ao negócio. É isso que os executivos esperam das funções fiscais”, concluiu.
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