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‘Brasil tropeça na volatilidade do câmbio’: entenda o alerta sobre o impacto político na inflação
Publicado 02/01/2026 • 06:30 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 02/01/2026 • 06:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O início de 2026 projeta um cenário de desafios rigorosos para a economia brasileira, com o mercado financeiro voltado para o cumprimento das metas fiscais e o início do ciclo de queda dos juros.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o economista da GO Associados, Luccas Saqueto, analisou o descompasso entre as políticas fiscal e monetária, destacando que o governo federal enfrentará uma pressão adicional por ser um ano eleitoral.
Saqueto explica que, após um 2025 em que o governo operou dentro da margem de tolerância — com um déficit aproximado de 0,25% do PIB (entre R$ 20 e R$ 30 bilhões) — as regras para o novo ano são consideravelmente mais restritas. Para cumprir o centro da meta estabelecida, que agora busca um superávit, o governo não terá margem para gastos acima da arrecadação.
“Para este ano de 2026, entramos com um desafio maior. Agora, o centro da meta fiscal é um superávit de 0,25%. Portanto, para o governo se manter dentro do limite da meta, é necessário atingir um déficit zero, gastando exatamente o que arrecada dentro da lógica das contas públicas. O problema é que estamos em um ano eleitoral, período em que, historicamente, os governos possuem maior dificuldade em conter gastos ou implementar medidas impopulares, como o aumento de receitas via impostos”, afirmou o economista.
Embora a inflação tenha apresentado queda, situando-se dentro da margem de tolerância, o Banco Central mantém uma postura de extrema cautela. Saqueto aponta que indicadores como a taxa de desemprego, que atinge recordes de mínimas históricas, sinalizam uma economia ainda aquecida, o que desestimula um corte imediato na taxa Selic na reunião de janeiro.
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“Nossa projeção é de que o primeiro corte na taxa Selic ocorra apenas na reunião de 18 de março, com uma redução de 0,5%. É bastante improvável que isso aconteça agora em janeiro, pois o Banco Central, sob a gestão de Gabriel Galípolo, tem sido muito cauteloso. Indicadores relevantes, como a taxa de desemprego resiliente, mostram que a economia ainda está aquecida”, afirmou.
Além disso, de acordo com o especialista, as expectativas de inflação para 2027 seguem acima da meta de 3%, e o Banco Central toma decisões sempre observando as projeções futuras.
A autonomia do Banco Central e o rigor técnico do Copom devem ser testados pela volatilidade típica de anos eleitorais.
O economista ressalta que o câmbio é o principal canal de transmissão dessa incerteza para a inflação, o que pode forçar a autoridade monetária a manter os juros em patamares elevados por mais tempo do que o desejado pelo setor produtivo.
“O ano eleitoral traz um ingrediente fundamental para a política monetária, que é a volatilidade do câmbio. O mercado reage rapidamente a notícias sobre candidatos ou propostas econômicas, gerando desvalorização ou valorização do Real, o que impacta diretamente os preços. Esse cenário deve tornar as decisões do Copom ainda mais cautelosas”.
“Talvez a taxa de juros elevada permaneça por mais tempo justamente para mitigar os riscos dessa volatilidade cambial e de outros imprevistos que toda eleição costuma reservar”, explicou o analista.
Ao analisar a viabilidade do Arcabouço Fiscal, Saqueto demonstrou preocupação com a forma como a regra vem sendo aplicada. Para ele, o uso recorrente de exceções e a exclusão de certas despesas (como precatórios) da conta oficial podem distorcer a percepção da economia real sobre a saúde das contas públicas.
“O grande ponto do arcabouço fiscal é que o objetivo cumprido pelo governo nem sempre reflete o espírito da regra aprovada originalmente. A regra parece ter se tornado a busca por meios de extrapolá-la. O governo pode até atingir o déficit zero através de um esforço concentrado no fim do ano, mas é preciso refletir se, com tantas exceções implementadas, o cumprimento da meta é suficiente para equilibrar as contas e aproximar a inflação do centro do alvo. Para a economia real, o que importa é a percepção de equilíbrio, e não apenas o cumprimento burocrático de uma meta ajustada”, concluiu.
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