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Inflação da folia: curtir o Carnaval ficou quase 80% mais caro em dez anos, puxado por bebidas
Publicado 05/02/2026 • 10:12 | Atualizado há 2 meses
Publicado 05/02/2026 • 10:12 | Atualizado há 2 meses
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Tânia Rêgo/Agência Brasil
Curtir o Carnaval pesa cada vez mais no bolso do brasileiro. Levantamento da Rico mostra que os principais gastos associados à folia subiram 79,07% nos últimos dez anos, ficando acima da inflação oficial do país no mesmo período.
O estudo analisou o comportamento de preços de produtos e serviços tradicionalmente consumidos durante o Carnaval, como cerveja, outras bebidas alcoólicas, bijuterias, artigos de maquiagem, cabeleireiro, passagens aéreas e ônibus interestaduais, em diferentes recortes de tempo.
Enquanto o IPCA acumulou alta de 64,77%, os principais itens da folia avançaram cerca de 14 pontos percentuais acima da média geral de preços.
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“De maneira simplificada, isso significa que os principais itens consumidos durante o carnaval subiram perto de 14% a mais do que a inflação média de bens e serviços do país nos últimos 10 anos”, diz Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico e responsável pelo estudo.
Mesmo em períodos mais curtos, a pressão se mantém. Nos últimos seis anos, os itens carnavalescos acumularam alta de 48,97%, frente a 39,15% do IPCA. Já no curto prazo, considerando 2025, os preços ligados à folia também seguem acima da inflação. “Ou seja, a folia tem encarecido acima da inflação nos últimos anos”, destaca a analista.

Entre os itens analisados, as bebidas aparecem como um dos principais vilões da alta de preços. A cerveja subiu 58,18% em dez anos, enquanto outras bebidas alcoólicas, como destilados e coquetéis prontos, tiveram alta ainda maior, de 80,76%, a maior variação do levantamento.
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Segundo o estudo, isso acontece por conta do encarecimento de insumos, como malte e alumínio, além do impacto do câmbio. No caso de bebidas alcoólicas em geral, a valorização do dólar elevou custos de matérias-primas e produtos importados. O vinho apresentou inflação menor, de 23,64% em seis anos, período em que passou a integrar o IPCA.
Itens ligados ao visual carnavalesco também ficaram mais caros. As bijuterias acumularam inflação de 61,76% em dez anos e de 57,84% em seis anos. No acumulado de 2025, esse grupo registrou a maior alta entre todos os itens analisados, superando inclusive a média da cesta.
De acordo com o estudo, o avanço está relacionado ao aumento dos custos de produção e à alta do dólar, que encarece metais e pedras sintéticas. Já os artigos de maquiagem tiveram alta de 35,16% em dez anos, refletindo o encarecimento de pigmentos importados e embalagens.
Os serviços também contribuíram para o aumento do custo da folia. Cabeleireiros e barbeiros registraram inflação acumulada de 42,62% nos últimos seis anos. “Esse tipo de serviço é influenciado pelo comportamento da renda disponível da população e pela variação da demanda, que tende a subir em períodos de festas”, aponta o estudo.
Para quem viaja, os custos de deslocamento seguem como um dos principais gargalos. As passagens aéreas subiram 74,23% em dez anos, enquanto as passagens de ônibus interestaduais avançaram 54,91% no mesmo período. Fatores como preços de combustíveis, câmbio, ajustes de oferta e concentração da demanda ajudam a explicar as altas.
Segundo a analista, mudanças tributárias, aumento da demanda sazonal, encarecimento de insumos e a depreciação cambial ajudaram a tornar a festa mais cara ao longo do tempo, consolidando uma tendência que se mantém mesmo fora de picos inflacionários.
| Itens | 12 meses | 6 anos | 10 anos |
| IPCA | 4,26% | 39,15% | 64,77% |
| Total dos itens | 5,51% | 48,97% | 79,07% |
| Cerveja | 5,97% | 41,34% | 58,18% |
| Outras bebidas alcoólicas | -2,88% | 51,09% | 80,76% |
| Vinho | 0,80% | 23,64% | Iniciou a partir de 01/2020 |
| Cerveja | 3,11% | 31,87% | 51,53% |
| Bijuteria | 9,88% | 57,84% | 61,76% |
| Ônibus interestadual | 4,04% | 26,95% | 54,91% |
| Passagem aérea | 7,86% | 48,64% | 74,23% |
| Artigos de maquiagem | 3,27% | 29,09% | 35,16% |
| Cabeleireiro e barbeiro | 8,07% | 42,62% | Iniciou a partir de 01/2020 |
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