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Regras mais claras podem destravar investimentos em minerais críticos no Brasil, diz CEO da Progesys Latam
Publicado 06/10/2026 • 16:58 | Atualizado há 39 minutos
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Publicado 06/10/2026 • 16:58 | Atualizado há 39 minutos
KEY POINTS
O Brasil precisa ampliar a segurança jurídica e tornar mais previsíveis os processos de licenciamento para converter o crescente interesse internacional por minerais críticos em projetos efetivos, avaliou Juliana Junqueira, CEO da Progesys Latam, em entrevista nesta terça-feira (6) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo a executiva, o país reúne reservas minerais e profissionais qualificados, mas investidores ainda encontram diferenças importantes nas regras e nos procedimentos exigidos conforme a região ou a esfera responsável pelas autorizações.
“Na realidade, a grande questão que a gente precisa trabalhar bem no país para atrair o investimento é melhorar a segurança jurídica, as questões de licenciamento e ter regras mais claras para os investidores entenderem melhor”, explicou.
Para Juliana Junqueira, o avanço dos projetos também depende de um equilíbrio entre retorno ao investidor, desenvolvimento econômico e benefícios para as comunidades afetadas pela atividade mineral.
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“Esses investimentos têm que ter um equilíbrio entre o interesse do investidor, o interesse do poder público e o interesse da sociedade. Tem que ser bom para todo mundo”, ressaltou.
A CEO defendeu que as exigências ambientais permaneçam rígidas, especialmente diante dos desastres de Mariana e Brumadinho, mas considera possível tornar a análise dos projetos mais eficiente.
“Não dá para falar que a mineração não gera impacto. O que precisa é ser uma engenharia responsável, que minimize os impactos e que, quando ocorram, tenha mitigações”, disse.
Um dos entraves, de acordo com a CEO, está na diversidade de procedimentos encontrados pelo país. Projetos semelhantes podem enfrentar processos distintos de aprovação dependendo do Estado, da região e dos órgãos envolvidos.
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“Eu tenho projetos no Brasil inteiro e cada unidade trabalha de uma forma. Às vezes, o investidor tem uma dificuldade numa região do Brasil que não tem em outra. Tem muita regulação, mas ainda não existe uma previsibilidade”, observou.
Ela considera que regras nacionais mais claras poderiam aumentar o interesse dos investidores mesmo mantendo exigências ambientais rigorosas. “Dá para fazer mineração cuidando do meio ambiente. Claro que existe impacto, porque não tem como não ter, mas dá para fazer uma mineração sustentável”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCJuliana Junqueira também destacou que a expansão de tecnologias ligadas à transição energética depende diretamente da mineração, embora a importância da atividade vá muito além desse processo.
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“Não existe vida sem mineração. As panelas que a gente tem em casa, as luzes, estarmos aqui hoje, a gente precisa da mineração. Então, isso também precisa ser desmistificado”, acrescentou.
Na avaliação da executiva, mão de obra qualificada não é o principal obstáculo para o Brasil avançar no processamento de minerais críticos. O desafio maior está no acesso à tecnologia necessária para etapas mais sofisticadas de beneficiamento e separação.
Ela citou as terras raras como exemplo de minerais cujo processamento exige soluções específicas, uma vez que suas características podem variar conforme a jazida.
“Tecnologia, eu acredito que seja o grande problema que a gente tem”, avaliou.
Por isso, Juliana Junqueira defende que acordos internacionais envolvendo minerais críticos contemplem transferência de tecnologia para o Brasil. Segundo ela, o país dispõe de profissionais capazes de absorver esse conhecimento.
Questionada sobre a disputa entre Estados Unidos e China pelo acesso a minerais estratégicos, a CEO afirmou que o Brasil não precisa necessariamente optar por apenas um dos dois países.
“Eu acho que com os dois. Se a gente conseguisse fazer com os dois, seria um mundo perfeito, porque acho que a gente tem potencial”, declarou.
Para ela, parcerias com ambos podem trazer resultados desde que sejam estabelecidas regras claras e condições capazes de preservar os interesses brasileiros.
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