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CEO da Vale, Gustavo Pimenta diz que minerais críticos são “novo petróleo” e vê oportunidade para Brasil ganhar escala
Publicado 28/08/2026 • 18:23 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 28/08/2026 • 18:23 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O avanço da inteligência artificial, da eletrificação e da transição energética deve colocar os minerais críticos no centro da economia mundial nas próximas décadas e abre uma oportunidade para o Brasil ampliar sua presença no mercado.
Essa é a avaliação do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, que comparou nesta sexta-feira (28) a importância futura desses insumos à que o petróleo teve para a economia e a geopolítica global no último século.
“Os minerais críticos vão ter um papel geopolítico e econômico muito importante nos próximos 100 anos. É o novo combustível, é o novo petróleo das próximas gerações”, afirmou Pimenta durante o Fórum de Mineração do Lide, em São Paulo.
Para o executivo, o desafio da indústria está menos em encontrar compradores e mais em conseguir ampliar a produção na velocidade necessária.
“Demanda é infinita. Nosso problema é a oferta, a dificuldade de atender e trazer esses minerais para o mercado”, disse.
Pimenta citou projeções da Agência Internacional de Energia segundo as quais a oferta de minerais críticos precisará crescer entre cinco e seis vezes nos próximos 20 anos para acompanhar a expansão de tecnologias como veículos elétricos, redes de energia, data centers e equipamentos ligados à descarbonização.
Leia também: Vale lucra US$ 1,4 bilhão no segundo trimestre e eleva projeções de cobre e níquel
A avaliação da Vale é que o Brasil reúne condições naturais para ocupar uma posição maior nessa cadeia, mas precisa converter seu potencial geológico em projetos e produção.
Um estudo encomendado pela mineradora à Accenture identificou quatro frentes consideradas prioritárias: desenvolvimento e licenciamento de projetos, integração das cadeias produtivas, segurança institucional e geração de valor nos territórios onde a mineração opera.
A diferença entre Brasil e Austrália no minério de ferro foi usada por Pimenta para mostrar a perda relativa de espaço.
Em 2010, os dois países produziam volumes próximos, na faixa de 400 milhões de toneladas. Quinze anos depois, a Austrália alcançou aproximadamente 1 bilhão de toneladas, enquanto o Brasil permaneceu próximo dos 400 milhões. Movimentos semelhantes ocorreram em outros minerais, com o avanço de países como Indonésia, no níquel, e República Democrática do Congo, no cobre.
Outro gargalo está no conhecimento do subsolo. Apenas 28% do território brasileiro está mapeado em escala considerada adequada para a atividade mineral. Na Austrália e no Chile, esse percentual supera 70%.
A própria Vale vem ampliando essa frente. Segundo Pimenta, os investimentos da companhia em exploração e conhecimento geológico cresceram cerca de cinco vezes nos últimos dois anos.
Um dos pontos defendidos pelo CEO é reduzir o tempo necessário para colocar novas minas em operação sem diminuir as exigências ambientais.
Atualmente, um projeto mineral pode levar cerca de 15 anos entre o início da exploração e o começo da produção. Pimenta defende reforço das equipes dos órgãos responsáveis, maior uso de tecnologia e regras mais claras para acelerar as análises.
“Para os mineradores legais, o que a gente quer é rigor”, afirmou. A proposta, segundo ele, é combinar esse rigor com maior velocidade na avaliação dos empreendimentos.
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Siga o Times | CNBCNesse contexto, o executivo afirmou estar “otimista” com a possibilidade de publicação de um novo decreto sobre cavidades naturais, atualmente em análise na Casa Civil.
A regulamentação é acompanhada de perto pela Vale porque pode permitir o avanço de projetos em áreas onde restrições relacionadas a cavidades hoje dificultam o licenciamento.
Em Carajás, no Pará, a mineradora avalia o desenvolvimento do chamado bloco C, que tem potencial para adicionar entre 40 milhões e 50 milhões de toneladas anuais à capacidade de produção de minério de ferro.
Pimenta também defendeu rapidez na votação do projeto que cria uma política nacional para minerais críticos e estratégicos.
O CEO classificou a iniciativa como um avanço por criar uma estrutura voltada à aceleração dos projetos, mas alertou que a regulamentação final não deve acrescentar obstáculos que prejudiquem a competitividade brasileira.
A Vale também se posiciona contra a possibilidade de aumento da tributação sobre a exportação de matérias-primas como ferramenta para obrigar o processamento dos minerais dentro do país.
“Sobre a tributação, a nossa visão é que não deveria haver”, afirmou Pimenta. Segundo ele, uma carga adicional poderia reduzir a competitividade brasileira diante de outros países produtores.
Ao mesmo tempo, o executivo defende a criação de condições econômicas para que mais etapas da cadeia sejam desenvolvidas no Brasil, incluindo infraestrutura, tecnologia, disponibilidade de energia e gás natural competitivo.
Leia também: Vale lança plano para destravar mineração e gerar mais 2,3 milhões de vagas no setor até 2035
O estudo apresentado pela Vale estima que um avanço da produção brasileira para níveis mais compatíveis com o tamanho de suas reservas teria efeitos relevantes sobre a economia.
A mineração gerou aproximadamente R$ 74 bilhões em royalties e outros tributos nos últimos dez anos. Na modelagem apresentada pela companhia, esse montante poderia chegar a R$ 130 bilhões na próxima década caso o país amplie sua participação na produção mundial.
A cadeia mineral, que hoje reúne cerca de 2,9 milhões de postos de trabalho diretos e indiretos, poderia se aproximar de 5 milhões de empregos no mesmo cenário.
Para a Vale, a oportunidade também passa pela qualidade do minério brasileiro. Pimenta afirmou que produtos com maior teor de ferro já recebem prêmio sobre as referências internacionais e que essa diferença tende a aumentar à medida que a siderurgia avance na redução de emissões.
Atualmente, segundo o executivo, o minério com teor de 65% recebe prêmio de cerca de US$ 16 a US$ 17 por tonelada sobre produtos de menor qualidade.
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