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Esposa de Moraes disse estar “gostando muito” de jatinho e helicóptero ligados a contrato de R$ 50 mi com Vorcaro
Publicado 01/09/2026 • 19:19 | Atualizado há 55 minutos
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Publicado 01/09/2026 • 19:19 | Atualizado há 55 minutos
KEY POINTS
Um acordo entre a Viking Participações, representada por Daniel Vorcaro, e o escritório Barci de Moraes previa o pagamento de honorários advocatícios de R$ 50 milhões por meio de participações em empresas ligadas a um jatinho Legacy 650 e a um helicóptero Airbus EC 155 B1, além do reembolso de despesas relacionadas às aeronaves.
Os documentos fazem parte de um relatório produzido pela Polícia Federal a partir da análise do celular apreendido com Vorcaro. A PF classifica o instrumento firmado em 12 de maio de 2025 entre a Viking e o Barci como o segundo contrato localizado envolvendo o escritório ligado a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e empresas relacionadas ao ex-banqueiro.
O contrato de prestação de serviços previa vigência de três anos e estabelecia um limite máximo de R$ 50 milhões em honorários. Entre os serviços estavam consultoria jurídica e estratégica, atuação em procedimentos administrativos e fiscais, acompanhamento de investigações criminais e representação em processos judiciais.
Uma semana depois, em 19 de maio, as partes firmaram um termo para definir como os valores seriam quitados. O documento afirma que os serviços jurídicos continuavam em curso e que o valor total ajustado era de R$ 50 milhões.
Pelo acordo, R$ 40 milhões seriam pagos mediante a transferência de ações de duas sociedades.
A primeira participação correspondia a 33,33% do capital da Fraction 024 Administração de Bem Próprio, empresa que possuía um avião Legacy 650, prefixo PP-NLR.
A segunda representava 20% do capital da Fraction 053, sociedade que, segundo o documento, estava em fase de aquisição de um helicóptero EC 155 B1, fabricado pela Airbus Helicopters.
A transferência das ações daria quitação parcial de R$ 40 milhões à Viking. O termo estabelecia prazo de até 30 dias para a realização dos atos societários e registrais necessários à operação.
Os R$ 10 milhões restantes seriam pagos por meio do reembolso de despesas decorrentes da utilização das aeronaves e de valores relacionados à aquisição dos próprios ativos.
O acordo também permitia ao escritório utilizar as aeronaves desde a data de assinatura, desde que assumisse as despesas e responsabilidades civis, administrativas e operacionais decorrentes do uso.
O relatório da PF também reproduz mensagens entre Vorcaro e o advogado Leonardo Palhares sobre a estrutura da operação.
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Siga o Times | CNBCEm uma das conversas, Palhares apresentou duas possibilidades para a transferência. Uma delas previa a entrega imediata dos ativos e das cotas, com opção de recompra por R$ 1 caso o contrato de honorários não fosse cumprido. A outra condicionava a transferência definitiva à conclusão dos serviços.
Vorcaro rejeitou a primeira formulação e, ao discutir a situação dos bens, escreveu: “Os ativos sao deles…ja”.
Dias antes da elaboração do termo, em 9 de maio, Vorcaro pediu que fossem enviadas a Viviane Barci de Moraes informações sobre o Legacy 650 e o helicóptero EC 155 B1. Segundo a brochura reproduzida pela PF, uma cota do avião era avaliada em aproximadamente US$ 5,51 milhões, enquanto a participação relacionada ao helicóptero custava cerca de US$ 1,34 milhão.
As conversas analisadas pela PF também trazem referências posteriores ao uso dos ativos.
Em julho de 2025, Vorcaro perguntou a Marcus da Mata, ligado à empresa responsável pelas aeronaves, se os beneficiários não estavam utilizando os bens. Marcus respondeu que eles já haviam usado “aviões e helicópteros”.
Na sequência, Marcus encaminhou a Vorcaro uma captura de conversa com Viviane Barci de Moraes na qual perguntava se estavam gostando da utilização das cotas.
“Sim, estamos gostando muito”, respondeu Viviane, segundo o registro reproduzido no relatório.
Leia também: Vorcaro se encontrou com Moraes na véspera de ser preso, indicam mensagens
Segundo as mensagens, houve avaliação de substituir o Barci por outra empresa ligada ao grupo familiar. Em uma conversa reproduzida pela PF, Marcus afirmou que haveria uma “mudança de empresa” e que não seria mais o Barci, mencionando uma empresa chamada Lux.
Em 24 de julho, uma funcionária informou a Vorcaro que Leonardo Palhares havia solicitado o pagamento de uma fatura emitida pelo Barci em nome da Viking no valor de R$ 22,8 milhões. No mesmo dia, Vorcaro questionou Palhares sobre a mudança do contrato.
Segundo a mensagem de Palhares reproduzida pela PF, havia preocupação com a visibilidade dos sócios da empresa que ficaria com os ativos e com um eventual “risco reputacional”.
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