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Ex-dono da Reag entrega à PGR proposta de delação focada em Daniel Vorcaro

Publicado 26/08/2026 • 07:30 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Ex-presidente da gestora entregou à PGR uma proposta de delação premiada com 17 anexos e foco em Daniel Vorcaro.
  • Mansur relatou operações envolvendo fundos ligados à Reag e apontou caminhos de recursos supostamente desviados do Banco Master.
  • A proposta ainda precisa ser formalmente assinada e submetida ao ministro André Mendonça, do STF, para eventual homologação.

O ex-presidente do conselho de administração da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada com informações sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Segundo apuração do UOL, a proposta está em fase de ajustes finais antes da assinatura e contém 17 anexos com relatos de suspeitas de crimes financeiros. Mansur também deverá pagar R$ 40 milhões em multas, valor equivalente ao que teria recebido da Reag durante o período em que atuou na empresa.

O principal foco da colaboração é Vorcaro. De acordo com a reportagem, Mansur descreveu negociações realizadas diretamente com o banqueiro e afirmou que, nessas tratativas, teria ficado claro que Vorcaro sabia dos supostos desvios e estava por trás das operações.

O acordo ainda precisa ser formalmente assinado e, depois, encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações relacionadas ao Banco Master. Caberá ao magistrado analisar se estão presentes os requisitos legais para eventual homologação.

Para a PGR, segundo a reportagem, o foco da delação de Mansur é confirmar os caminhos dos recursos supostamente desviados do Banco Master para tentar recuperá-los. O executivo também teria apresentado novos nomes de empresas e fundos usados no esquema.

Leia também: Banco Master movimentou R$ 3,6 bilhões em créditos para fundos da Reag

Fundos ligados à Reag aparecem na delação

Em um dos anexos dedicados a Vorcaro, Mansur afirma ter identificado pessoas que atuavam como cotistas de fundos em benefício do banqueiro.

Um dos casos mencionados é o Jaguar Multimarket Fund Ltd, registrado nas Ilhas Cayman e que teria recebido R$ 494 milhões do Banco Master.

Segundo o relato atribuído a Mansur pelo UOL, o beneficiário formal do fundo seria Benjamin Botelho, empresário que teve negócios com o Master e foi sócio da Sefer, gestora também investigada. Mansur sustenta, porém, que Vorcaro seria o verdadeiro beneficiário dos recursos.

A reportagem afirma ainda que investigações do Banco Central e da Polícia Federal apontam para um mecanismo no qual o Master emprestava dinheiro a empresas recém-criadas e sem atividade operacional. Os recursos seriam posteriormente aplicados em fundos administrados pela Reag e usados na aquisição de ativos por valores muito superiores aos de mercado.

Um dos exemplos citados é o fundo High Tower, que teria adquirido R$ 850 milhões em carteiras de crédito do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e registrado esses ativos como se valessem R$ 10 bilhões.

Ao todo, seis fundos da Reag somariam R$ 102,4 bilhões em patrimônio informado, segundo o UOL. Os investigadores suspeitam, contudo, que parte desse montante corresponda a patrimônio artificialmente inflado na estrutura investigada.

Mansur também cita políticos

A proposta de delação também contém anexos que mencionam políticos, segundo o UOL.

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Um deles é o senador Jaques Wagner (PT-BA). Mansur teria relatado que Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, pediu que ele comprasse ingressos avaliados em R$ 53,3 mil para um show da cantora Taylor Swift no Allianz Parque, em São Paulo. Os ingressos teriam sido destinados a Wagner.

Procurado pelo UOL, o senador afirmou que a compra foi “um pedido pessoal do senador a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos” e declarou não conhecer Mansur nem ter tido relação com a Reag.

Outro nome citado é ACM Neto (União-BA), candidato ao governo da Bahia e cliente da Reag.

De acordo com a reportagem, ACM Neto era cotista do fundo Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. Por meio do fundo, foram feitas aplicações no Structure, composto por empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

ACM Neto afirmou ao UOL que os recursos investidos tinham origem lícita e que a contratação da Reag ocorreu para cumprir as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo ele, as operações foram declaradas e realizadas dentro da legalidade.

Investigações sobre Mansur

Mansur foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e atuação do crime organizado no setor de combustíveis. A Reag, gestora e administradora de fundos, foi posteriormente liquidada pelo Banco Central.

O executivo também passou a ser investigado por sua relação com o Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero, caso relatado no STF pelo ministro André Mendonça.

Segundo o UOL, Mansur ainda negocia uma colaboração com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), responsável pelas investigações da Operação Carbono Oculto.

Entre os fatos apresentados na proposta à PGR estão operações envolvendo fundos da Reag supostamente utilizados por Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecidos como “Primo” e “Beto Louco”, empresários investigados no setor de combustíveis.

Relação entre Master e Reag já estava sob investigação

As operações entre o Banco Master e fundos administrados pela Reag já vinham sendo investigadas pelas autoridades.

Em julho, documentos apresentados à Justiça pelo liquidante do banco mostraram que o Master havia transferido ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para fundos administrados pela Reag. Os valores apareciam em uma relação de 112 operações de crédito cedidas a terceiros.

Meses antes, em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, Mansur confirmou que o Banco Master era cliente da Reag, mas afirmou que a instituição mantinha com a gestora uma relação semelhante à de outros clientes.

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