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Febraban Tech: Qualidade de dados vira prioridade para bancos com avanço da IA, diz sócia da EY Brasil Telma Luchetta

Publicado 25/08/2026 • 20:39 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Telma Luchetta afirma que instituições financeiras terão de comprovar controles, integridade e processos relacionados à qualidade dos dados até o fim de 2026.
  • EY vê bancos em diferentes níveis de maturidade, mas com segurança e confiança no centro da agenda de inteligência artificial.
  • Executiva diz que avanço da IA aumenta a relevância do CDO, que deixa uma função mais técnica e ganha espaço nas decisões estratégicas.

A qualidade dos dados deixou de ser uma discussão restrita às áreas de tecnologia e passou a ocupar espaço na alta administração dos bancos com o avanço da inteligência artificial. É o que afirmou Telma Luchetta, sócia-líder de tecnologia, IA e dados para o setor financeiro da EY Brasil, durante a Febraban Tech 2026.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Luchetta disse que novas exigências regulatórias aumentaram a pressão para que as instituições comprovem a qualidade e a integridade das informações usadas em seus sistemas.

“A qualidade dos dados é o alicerce para tudo que se fala do hype da IA”, afirmou.

Segundo a executiva, a Resolução 18 do Banco Central (BC) exige que as instituições apresentem evidências sobre controles, políticas e processos relacionados aos dados, com prazo de adequação até 31 de dezembro de 2026.

“A qualidade de dados sai do bastidor, de uma agenda mais técnica, e passa a fazer parte da alta administração dos principais bancos”, disse.

Bancos terão de comprovar controles sobre dados

Luchetta afirmou que as instituições precisarão demonstrar ao BC que mantêm informações íntegras e mecanismos permanentes de controle.

“O banco precisa se comprometer a manter essa disciplina, deixar a qualidade dos dados bastante estruturada”, afirmou.

Segundo ela, esse cuidado ganha importância à medida que sistemas de inteligência artificial passam a apoiar mais decisões dentro das instituições financeiras.

A ausência de qualidade nas informações, afirmou a executiva, pode produzir erros e ampliar riscos de reputação.

“Quando a gente fala em IA, a gente precisa trazer confiança e não colocar as instituições financeiras expostas a um erro em função de alguma ausência de qualidade”, disse.

Segurança e confiança dominam agenda

A sócia da EY Brasil afirmou que bancos de portes diferentes apresentam níveis distintos de maturidade, mas compartilham a preocupação com segurança e uso responsável da inteligência artificial.

“A segurança e a confiança são a principal preocupação das instituições financeiras hoje”, afirmou.

Segundo Luchetta, a pressão para gerar resultados com IA aumentou, mas a adoção precisa ser acompanhada de controles.

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“Todo mundo muito pressionado para usar, principalmente para obter os resultados através do uso da IA. Mas não adianta usar sem a confiança e a segurança do que está sendo utilizado”, disse.

A EY apresentou durante o evento, em parceria com a Databricks, uma solução voltada à qualidade de dados e às exigências regulatórias mencionadas pela executiva.

CDO ganha espaço na estratégia dos bancos

Luchetta também destacou a mudança no papel do Chief Data Officer (CDO) dentro das instituições financeiras.

Segundo ela, a função deixou de estar concentrada apenas em questões técnicas e operacionais e passou a ganhar proximidade com a estratégia dos negócios.

“O CDO sai de um papel muito mais técnico e operacional e passa a fazer parte da estratégia das organizações”, afirmou.

A executiva avaliou que o domínio de dados e inteligência artificial coloca esse profissional em posição cada vez mais relevante, desde que também desenvolva capacidade de influência e relacionamento com outras áreas.

Ela ressaltou, porém, que a expansão da tecnologia para diferentes departamentos precisa ser coordenada.

Acesso maior à IA também cria risco de fragmentação

Luchetta afirmou que tecnologias antes concentradas em áreas especializadas estão hoje muito mais acessíveis às unidades de negócio.

“Antigamente a tecnologia era escassa e agora está acessível para as áreas de negócio também”, disse.

Esse movimento aumenta a velocidade para desenvolver produtos, melhorar relacionamento com clientes e buscar maior assertividade, mas também cria novos riscos.

Segundo ela, sem uma coordenação adequada, diferentes áreas podem desenvolver soluções isoladas e ampliar a fragmentação dos sistemas.

“Qualquer autonomia de descentralização pode levar a uma fragmentação. E isso é ruim, porque a gente não tem confiança, e isso pode trazer prejuízos para as organizações”, afirmou.

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