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Administradora judicial da Fictor pede afastamento de fundador e cinco executivos
Publicado 25/08/2026 • 21:25 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 25/08/2026 • 21:25 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: reprodução.
Fictor
A administradora judicial da recuperação da Fictor se manifestou a favor do afastamento do fundador do grupo, Rafael Ribeiro Leite de Góis, e de outros cinco executivos do comando das empresas.
A Laspro também defendeu a nomeação de um gestor judicial para assumir a condução do grupo. O pedido ainda precisa ser analisado pela Justiça de São Paulo.
O parecer foi apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo em 18 de agosto e sustenta um pedido feito por credores desde abril. As informações foram reveladas pelo NeoFeed.
Além de Rafael de Góis, a medida alcança Wagner Luiz dos Santos, Davi Rufino Montenegro, Renato Campos Amaral, Abelardo Sá Junior e Raul Alves Araujo Nascimento.
A Laspro aponta como fundamentos para o afastamento a paralisia operacional de empresas do grupo, a intensa circulação de dinheiro entre companhias relacionadas e indícios de irregularidades nas Sociedades em Conta de Participação (SCPs) usadas pela Fictor para captar recursos de investidores.
Leia também: Compra do Master daria à Fictor ‘um banco na mão’ e abriria caminho para venda de CDBs, disse CEO em reunião
Um dos pontos mais graves levantados pela administradora judicial está na origem dos rendimentos pagos aos investidores.
Segundo laudo apresentado no processo, a análise das operações indicou que parte dos pagamentos não teria origem na geração de resultado das atividades empresariais, mas na entrada de recursos de novos investidores.
Entre os elementos citados pela Laspro como indícios de uma possível pirâmide financeira estão promessas de rentabilidade acima das referências de mercado, incentivos para que clientes reinvestissem os valores e falta de documentos capazes de comprovar parte dos ativos que sustentariam as operações.
A Laspro também descreveu forte dependência financeira entre empresas do próprio grupo, com recursos circulando entre diferentes companhias e baixa autonomia financeira.
Relatórios anteriores da administradora já vinham apontando problemas na estrutura. Em um dos levantamentos, a Fictor Invest aparecia com R$ 2,78 bilhões em ativos, dos quais 99,6% correspondiam a créditos contra partes relacionadas, sem comprovação suficiente sobre liquidez e amortização.
A movimentação de recursos dentro da Fictor já está no centro de outras medidas tomadas durante a recuperação judicial.
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Siga o Times | CNBCEm julho, a Justiça determinou que a Kroll, contratada para monitorar o grupo, rastreasse o destino de aproximadamente R$ 3 bilhões captados por meio das SCPs e analisasse uma baixa contábil de R$ 309,7 milhões registrada pela Fictor Holding Financeira.
O tribunal também determinou o compartilhamento, dentro dos limites legais, de informações da Operação Fallax, investigação que apura suspeitas relacionadas a fraudes bancárias, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.
Rafael de Góis está entre os investigados e já foi alvo de busca e apreensão. A investigação criminal ainda está em andamento.
Na sexta-feira (21), a Justiça de São Paulo declarou nulos os contratos de SCP usados pela Fictor para captar dinheiro de investidores e determinou que essas operações sejam tratadas como empréstimos.
A mudança afeta diretamente a forma como os créditos serão calculados na recuperação judicial. Valores que a Fictor já pagou aos investidores passarão a ser descontados do montante originalmente aplicado na apuração de quanto ainda é devido.
As SCPs se tornaram uma das principais frentes da crise do grupo. A Fictor utilizava essas sociedades para receber recursos de pessoas físicas e jurídicas destinados a diferentes negócios.
Leia também: O que acontece com quem investiu na Fictor após a recuperação judicial?
A crise da Fictor ganhou força depois que o grupo tentou comprar o Banco Master, em novembro de 2025, um dia antes do Banco Central decretar a liquidação da instituição.
A Fictor afirmou que enfrentou uma crise de liquidez após o episódio, com uma corrida de investidores para retirar recursos. O grupo entrou com pedido de recuperação judicial no início de fevereiro, com dívidas estimadas em cerca de R$ 4,3 bilhões.
Em abril, a Justiça autorizou o processamento da recuperação de todo o grupo e nomeou a Laspro como administradora judicial.
O plano de recuperação foi apresentado em junho e ainda precisa passar pelos credores. O documento prevê medidas para tentar reorganizar as dívidas e manter as operações, mas já enfrentou objeções de investidores.
Agora, além da discussão sobre como os credores serão pagos, a Justiça terá de decidir quem continuará à frente da Fictor durante a recuperação. Caso acolha a manifestação da Laspro e o pedido dos credores, Rafael de Góis e os outros cinco executivos deixarão a administração e um gestor judicial passará a comandar as empresas.
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