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Minerais críticos podem atrair capital, mas Brasil precisa dar segurança ao investidor
Publicado 25/08/2026 • 20:19 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 25/08/2026 • 20:19 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Brasil tem reservas, logística e potencial para ocupar uma posição relevante na corrida global por minerais críticos, mas precisa oferecer mais segurança aos investidores de longo prazo, segundo Leonardo Lima, diretor de mineração da Arcadis. Para ele, regras claras, sustentabilidade e um ambiente de negócios previsível são fundamentais para transformar a riqueza mineral em investimentos e desenvolvimento econômico.
Em entrevista nesta terça-feira (25) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Lima afirmou que a oportunidade não se limita ao Brasil e pode beneficiar toda a América Latina, mas ressaltou que reservas minerais, isoladamente, não garantem a chegada do capital necessário para desenvolver os projetos.
A crescente procura mundial por minerais estratégicos abre uma oportunidade para a região, mas Lima considera que os investidores precisam encontrar condições capazes de sustentar projetos que podem levar anos para amadurecer.
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“É trazer mais confiança para o investidor, regras claras, infraestrutura, reservas. A questão da sustentabilidade tem que ser tratada cada vez mais a sério, desde a origem da concepção dos projetos”, afirmou. Segundo ele, esses fatores podem ajudar a “destravar esse crescimento, que é robusto em termos de perspectiva”.
No Brasil, o setor de mineração vem aumentando sua maturidade na agenda ambiental e social, de acordo com o executivo. “A gente entende que uma mineração sustentável hoje se calca em três grandes pilares”, explicou.
O primeiro é a descarbonização, com metas de longo prazo para reduzir emissões tanto nas operações quanto na cadeia de valor. O segundo envolve a biodiversidade e a compensação dos impactos ambientais. “Como é que a gente devolve para a natureza o que se impacta liquidamente?”, questionou.
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O terceiro está relacionado ao legado social da mineração. “Como é que, desde a origem, se pensa não em benefícios apenas durante a exploração da mineração, mas após, principalmente quando a mineração se encerrar?”, afirmou. Segundo Lima, são áreas nas quais o setor demonstra “cada vez mais maturidade”.
A previsibilidade regulatória será determinante para transformar o potencial mineral brasileiro em projetos efetivos. “A segurança jurídica é sempre um tema que desperta ou impede investimentos”, destacou Lima.
O executivo apontou que matérias em discussão no Congresso podem ajudar a tornar as regras mais transparentes. O objetivo, segundo ele, deve ser atrair recursos comprometidos com projetos duradouros. “Nós não estamos interessados no capital de curto prazo. O capital de longo prazo precisa de regras mais claras”, afirmou.
Apesar dos desafios, Lima vê evolução no ambiente brasileiro. “A boa notícia é que isso tem evoluído cada vez mais, principalmente com o advento dos minerais críticos”, ressaltou.
O Brasil possui grandes reservas, mas ainda está distante do estágio alcançado pela China na produção e processamento desses minerais. Lima reconhece a diferença, mas pondera que o próprio mercado de minerais críticos ainda é relativamente jovem quando comparado a outros segmentos da mineração.
“Dá um pouco de aflição, sem dúvida, saber que a gente tem essas reservas e não conseguir tirá-las o quanto antes. Mas o ambiente regulatório e jurídico é fundamental para isso”, disse.
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Além das regras, existe a necessidade de garantir compradores em grande escala e compromissos de longo prazo. “Quando a gente melhora o ambiente de negócio com mais segurança e mais tranquilidade, os investidores começam a chegar mais e confiar mais na equação de longo prazo”, explicou.
A demora na obtenção de licenças ambientais costuma aparecer entre as críticas direcionadas ao desenvolvimento de novos projetos minerais no país. Lima, porém, considera equivocado tratar o rigor do licenciamento como o principal obstáculo.
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Siga o Times | CNBC“O problema não é o licenciamento. O licenciamento precisa ser rigoroso para garantir que os impactos sejam mínimos”, afirmou. Para o executivo, incorporar critérios ambientais e sociais desde a elaboração do empreendimento pode tornar o próprio processo mais eficiente.
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“Quando trazemos desde a origem, na concepção do projeto, regras claras de como vamos tratar a questão do meio ambiente e a questão do legado social, isso acelera, em tese, o licenciamento, o que traz mais viabilidade para o projeto”, explicou.
Nesse cenário, sustentabilidade e retorno econômico deixam de ser objetivos concorrentes. “A sustentabilidade hoje não é mais um acessório, e sim um habilitador real de negócio”, destacou Lima.
Em relação às terras raras, o executivo apontou Minas Gerais e Goiás como as duas regiões de maior potencial conhecido atualmente. “São os lugares mais conhecidos e mapeados e que já têm uma reserva muito considerável”, afirmou.
Para Lima, a prioridade deve ser criar condições para desenvolver as reservas já identificadas. “A gente tem que criar as condições para realmente produzir primeiro essa grande descoberta que já temos, para depois continuar mapeando o território, que seguramente vamos encontrar mais”, disse.
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Os impactos ambientais também exigem uma diferenciação entre operações regulares e atividades clandestinas, segundo Lima. Ele argumenta que empresas formalizadas possuem compromissos ambientais relevantes, enquanto a mineração ilegal precisa continuar sendo combatida.
“O que tem que ser combatido é a mineração ilegal, mas a mineração lícita de empresas sérias hoje tem contrapartidas muito fortes em termos de preservação e reflorestamento”, afirmou.
Para o executivo, a atividade ilegal não produz benefícios econômicos amplos e prejudica a percepção sobre todo o setor. “Não gera nenhum dividendo, nenhuma riqueza, senão para os próprios que exploram, e acaba manchando a imagem de um setor de base que é muito importante para todos os outros setores da economia”, avaliou.
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A importância da mineração tende a aumentar com a transformação da matriz energética mundial. “Não vai haver uma transição energética sem um setor de mineração muito forte”, ressaltou Lima.
A disputa internacional por terras raras e outros minerais estratégicos também coloca o Brasil diante de decisões geopolíticas. Para Lima, o país deveria evitar alinhar sua política mineral exclusivamente a uma potência e buscar as propostas que produzam maior retorno econômico internamente.
“Toda riqueza mineral sempre causa muita atenção, chama muita atenção de diversas nações”, afirmou. Segundo ele, a regulamentação discutida no Congresso pode estabelecer condições mais claras para qualquer investidor interessado no mercado brasileiro.
Nesse processo, Lima defende que o país procure avançar na cadeia produtiva em vez de se limitar à exportação da matéria-prima. “O Brasil não pode escolher nessa guerra lados, e sim quem traz a melhor equação para que a gente possa não só enviar um material bruto, mas sim beneficiado”, explicou.
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O objetivo, segundo o executivo, deve ser utilizar a corrida internacional pelos minerais brasileiros para ampliar o retorno econômico dentro do próprio país, “criando melhores condições aqui de geração de riqueza para a população”.
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