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Firjan: Tarifa dos EUA ameaça 21% das exportações brasileiras ao mercado americano

Publicado 02/06/2026 • 22:00 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Firjan avalia que medida adiciona instabilidade a uma relação industrial considerada prioritária para o Brasil.
  • Entidade defende ampliar lista de exceções e pedir suspensão dos prazos definidos pelos Estados Unidos.
  • Setor privado vê espaço para negociação em temas de interesse americano, como minerais críticos e cadeias produtivas.

A recomendação do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre importações brasileiras pode atingir cerca de 21% das exportações do Brasil ao mercado americano, segundo Rodrigo Santiago, presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da Firjan.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Santiago afirmou que a notícia foi recebida pelo setor empresarial como mais uma surpresa negativa em um processo que já vinha gerando apreensão desde o início da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.

“Não foi recebida com surpresa. Tínhamos grande apreensão do resultado das investigações da 301, acompanhamos isso desde o início”, disse.

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Segundo Santiago, o impacto numérico da medida ainda precisará ser avaliado caso a caso, porque a recomendação americana inclui exceções. Ainda assim, ele afirmou que a tarifa adiciona instabilidade a uma relação bilateral já pressionada.

“Os Estados Unidos são o principal parceiro industrial do Brasil. Então, obviamente, é um impacto grande nos números em si”, afirmou.

A Firjan participou do processo da investigação americana e apresentou manifestação formal, ao lado de outras entidades empresariais e da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Santiago disse que representantes do setor estiveram nos Estados Unidos acompanhando reuniões ligadas à Seção 301.

Segundo ele, a entidade identificou, durante o processo, uma leitura equivocada sobre práticas comerciais, industriais e econômicas brasileiras.

“O que mais impressionou a Firjan e os empresários lá presentes no hearing era uma visão errada sobre a realidade das práticas de comércio industriais e da realidade da vida econômica no Brasil”, disse.

Para tentar evitar ou reduzir a nova tarifa, Santiago afirmou que o primeiro passo deve ser pedir a suspensão dos prazos definidos pelos Estados Unidos, considerados curtos pelo setor privado. O objetivo, segundo ele, é ganhar tempo para negociação.

O executivo disse que governo e setor privado devem atuar de forma coordenada. Ele citou o Itamaraty, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o vice-presidente Geraldo Alckmin como atores relevantes no processo.

Na avaliação de Santiago, o Brasil deve colocar na mesa temas de interesse dos Estados Unidos, como minerais críticos e itens que impactam cadeias produtivas americanas. Ele também defendeu que o país destaque os possíveis efeitos inflacionários da tarifa nos Estados Unidos.

“Nós temos negociações a serem feitas em relação a minerais críticos e a diversos itens de interesse claro dos Estados Unidos”, afirmou.

Santiago disse ainda que o setor privado deve acionar contrapartes americanas para tentar ampliar a lista de exceções. Segundo ele, essas exclusões tendem a considerar produtos relevantes para o comércio e para as cadeias dos próprios Estados Unidos.

O presidente do conselho da Firjan também pregou cautela em relação a eventuais respostas brasileiras. Ele afirmou que medidas como reciprocidade não devem ser descartadas, mas precisam ser tratadas dentro de uma estratégia de negociação.

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“Nós não podemos tirar nada da mesa, mas isso deve ser negociado e pensando no que importa para a gente”, disse.

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Para Santiago, é difícil esperar uma mudança de mérito na posição americana no curto prazo. Por isso, a estratégia mais pragmática deve ser ampliar exceções e retardar os efeitos da decisão.

Ele afirmou que o episódio reforça a necessidade de o Brasil trabalhar melhor sua presença institucional e empresarial nos Estados Unidos, com foco na complementaridade entre cadeias produtivas dos dois países.

“Esse tema é que, independente do ente da decisão, a gente deva continuar nos próximos anos trabalhando para que as nossas cadeias, que já são complementares, se intensifiquem”, afirmou.

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