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Governo Lula aposta no silêncio diante da saída de Flávio Bolsonaro e do questionamento da eleição

Publicado 29/10/2026 • 16:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A orientação no governo federal é evitar comentários sobre a saída de Flávio Bolsonaro do país e as dúvidas levantadas sobre a eleição. Lula não deve falar do assunto por enquanto.
  • Para fontes diplomáticas, os EUA perderam espaço para contestar o resultado das eleições porque organismos internacionais acompanharam a votação. O governo não quer transformar o caso em crise com Washington.
  • A posição americana só deve ficar mais clara depois das eleições de meio de mandato nos EUA, na terça-feira (3). Lula e Donald Trump não se falaram desde a eleição.

No Planalto, a leitura é de que o episódio se desgasta sozinho. A estratégia é esperar os próximos passos dos EUA, que não reconheceram o resultado e receberam o senador.

O governo Lula decidiu não entrar no debate sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do país nem sobre o questionamento do resultado da eleição. Articuladores do governo federal classificam o episódio como uma “autocombustão”: na visão deles, a polêmica se alimenta sozinha, e qualquer reação do Planalto só aumentaria a repercussão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comentar o assunto por enquanto.

A estratégia, segundo esses articuladores, é deixar que os próprios envolvidos arquem com o desgaste de suas declarações e iniciativas. No governo, a leitura é de que o episódio expõe o enfraquecimento político do grupo e reforça a imagem de derrota.

A manifestação do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em defesa da lisura das eleições reforçou essa percepção. Para fontes do governo federal, o fato de a defesa partir de um ministro indicado por Jair Bolsonaro mostra que não há necessidade de se envolver mais na discussão.

Washington em compasso de espera

Em relação aos Estados Unidos, fontes diplomáticas avaliam que Washington perdeu espaço para questionar a eleição brasileira. Segundo elas, o processo eleitoral ficou protegido de contestações externas pela presença de vários organismos internacionais que acompanharam e fiscalizaram a votação.

Ainda de acordo com essas fontes, os americanos não devem abandonar o aliado Flávio Bolsonaro, mas também não podem endossar todas as suas declarações. O governo identifica sinais contraditórios nas falas do presidente Donald Trump e prefere esperar antes de tirar conclusões. Lula e Trump não se falaram desde a eleição.

O governo brasileiro não pretende transformar a controvérsia em crise diplomática. A expectativa é que a relação com os EUA mantenha o tom pragmático do ano passado.

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A avaliação pode mudar nos próximos dias, com a eventual divulgação de uma nota do Itamaraty. Por enquanto, porém, o governo não vê essa necessidade. “Vamos olhar para esse episódio com mais serenidade e ver como as coisas decantam”, disse uma fonte diplomática.

No Planalto, a percepção é de que os americanos estão redefinindo a estratégia em relação ao Brasil. Segundo fontes do governo federal, o resultado da eleição foi um revés para Washington, que já trabalhava com a perspectiva de acordos sobre terras raras e outras áreas estratégicas e agora revê seus planos.

A orientação nos bastidores é acompanhar os próximos movimentos americanos. A posição dos EUA, segundo essas fontes, só deve ficar mais clara a partir de terça-feira (3), quando o país realiza as eleições de meio de mandato. A votação define a nova composição do Congresso e abre uma nova etapa do processo eleitoral rumo a 2028.

Embaixadores e o caso do avião

O agrément, autorização que um país concede para receber o embaixador de outra nação, ainda pode sair neste ano para o novo representante dos EUA. Segundo fontes diplomáticas, porém, o processo não deve avançar rapidamente, sobretudo depois da saída de Flávio Bolsonaro e da atuação do Departamento de Estado.

O governo também decidiu, por ora, não reagir à reportagem do jornal The New York Times segundo a qual a Casa Branca teria contratado um avião para Flávio. A orientação é aguardar os próximos dias para avaliar os desdobramentos e, se necessário, recalibrar a estratégia.

Com a Argentina, a posição é mais dura. Segundo fontes diplomáticas, não há condições políticas para o retorno do embaixador argentino ao Brasil. A possibilidade está descartada neste momento, e não há previsão de retomada da representação diplomática nesse nível.

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