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‘Herança difícil’: economista alerta para contas públicas e risco de recessão no governo Lula
Publicado 26/10/2026 • 21:44 | Atualizado há 26 minutos
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Publicado 26/10/2026 • 21:44 | Atualizado há 26 minutos
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O Brasil pode enfrentar um período de recessão em 2027 se o quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não adotar medidas para corrigir o desequilíbrio fiscal. É o que avaliou Silvio Campos Neto, sócio e economista sênior da Tendências Consultoria, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo ele, a reação negativa dos mercados após a reeleição de Lula reflete tanto o reposicionamento dos investidores, que vinham apostando em uma vitória da oposição, quanto as dúvidas sobre a disposição do governo em promover ajustes nas contas públicas.
“Se não for por esse caminho, os juros não vão cair, a inflação vai subir ainda mais e a economia pode inclusive passar por um período recessivo no ano que vem”, afirmou.
Na sexta-feira anterior à votação, os mercados estavam fortemente posicionados para um resultado diferente.
“Dá para dizer que os mercados estavam posicionados 80%, pensando, pelo menos acreditando, numa vitória da oposição”, afirmou.
Para ele, a intensidade do movimento desta segunda-feira também está ligada à avaliação dos investidores de que o governo reeleito não apresentou, durante a campanha, sinais claros de que pretende promover as correções consideradas necessárias na política econômica.
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Campos Neto afirmou que a correção registrada no primeiro pregão depois da eleição não significa necessariamente que o movimento tenha terminado.
“Não dá para também descartar a possibilidade de novos momentos de estresse enquanto pelo menos nenhuma definição acontecer”, disse.
Segundo o economista, o comportamento dos ativos nos próximos dias dependerá principalmente das primeiras decisões do novo governo.
“Não é só a questão do nome. Claro que o nome de quem vai conduzir a economia, a Fazenda, é superimportante. Mas a questão é que, mais do que isso, quais os caminhos, quais as medidas?”, afirmou.
Na avaliação dele, medidas capazes de alterar de forma relevante a trajetória das contas públicas envolvem temas politicamente sensíveis.
Campos Neto citou mudanças na regra de aumento real do salário mínimo, nas indexações relacionadas à Previdência e nos pisos constitucionais de saúde e educação.
“Se tiver apenas uma boa intenção, com um nome bem aceito, um nome que traga credibilidade, ainda vai esbarrar na necessidade de medidas concretas e que não são fáceis”, afirmou.
Segundo ele, essas medidas são “impopulares, difíceis” e podem encontrar resistência dentro do próprio governo.
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Siga o Times | CNBCO economista avaliou que o novo mandato começa em uma situação econômica mais delicada.
“A herança do Lula 3 para o Lula 4 é uma herança difícil”, afirmou.
Segundo Campos Neto, o problema fiscal já ultrapassa as contas do governo e afeta diretamente empresas e famílias por meio das condições de crédito.
“A questão fiscal deixou de ser apenas um problema do governo e passou a ser um problema da sociedade, porque as empresas estão endividadas, as famílias estão endividadas e os juros estão muito altos”, disse.
Ele destacou que o impacto não se limita à Selic, mas aparece também nas taxas cobradas no mercado.
“As empresas e as famílias também estão tendo que se financiar com taxas muito apertadas. E isso é um fator que pesa negativamente na economia e já aponta para o ano de 2027 bastante adverso em termos de desempenho econômico”, afirmou.
Campos Neto atribuiu a forte reação dos ativos brasileiros a uma combinação de fatores. O primeiro foi a necessidade de desmontar posições tomadas nas semanas anteriores ao segundo turno, quando investidores passaram a apostar com maior intensidade em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
O segundo, segundo ele, é a incerteza sobre como Lula enfrentará os desequilíbrios econômicos no novo mandato.
“Temos um cenário extremamente desafiador pela frente, com o governo tendo que tomar medidas nas quais ele, em momento algum na campanha, indicou a necessidade das correções, dos ajustes, das mudanças”, afirmou.
Para o economista, a incerteza sobre a política fiscal tende a manter os investidores em postura mais cautelosa.
“É por isso que os mercados devem ficar numa posição mais defensiva por conta exatamente dessa dificuldade”, disse.
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Campos Neto também avaliou que a relação entre Brasil e Estados Unidos deve continuar alternando períodos de tensão com momentos de convergência econômica.
Segundo ele, apesar das divergências políticas, os interesses comerciais dos dois países tendem a limitar um afastamento mais profundo.
“Há um embate de posições entre os dois países”, afirmou. “Ainda assim, entendemos que os interesses, vamos dizer assim, de parte a parte devem prevalecer, gerando algum pragmatismo nessa relação, apesar de ruídos pontuais.”
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