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Ibovespa fecha em máxima histórica aos 192 mil pontos com alívio no Irã e de olho nos juros
Publicado 08/04/2026 • 17:11 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 08/04/2026 • 17:11 | Atualizado há 2 meses
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Ibovespa
O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (8) em alta de 2,09%, aos 192.201 pontos, no maior patamar já registrado em sua história. A sessão foi de alívio após o anúncio conjunto de distensão da guerra entre EUA e Irã, com indicações de que um acordo de paz definitivo pode ser alcançado.
Segundo Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, o mercado ainda está processando as sinalizações da noite passada e das declarações feitas no dia de hoje. Isso porque, apesar da trégua, o destino do conflito ainda é incerto.
“Observamos, inclusive, ainda hoje, durante o dia, um novo fechamento do Estreito de Ormuz por parte de Israel, porque Israel, por enquanto, não optou por aderir a esse cessar-fogo, a essa trégua de duas semanas que, por parte dos Estados Unidos, de fato já aconteceu”, disse.
Para ele, o risco de o acordo não existir ainda é muito vigente. Ainda assim, o mercado tem olhado pelo lado positivo, ele diz. “Esse cessar-fogo pode não ser tão iminente no curto prazo e acabou gerando mais euforia com esse alívio por parte dos Estados Unidos. De fato, cada vez mais a tendência é que eles saiam desse risco de guerra e que isso se torne mais um conflito local entre Israel e Irã”, afirmou.
O economista e estrategista de investimentos Rafael Pacheco avalia que o desempenho recente do Ibovespa reflete uma combinação entre fatores domésticos e externos, com destaque para juros, fluxo estrangeiro e commodities.
“O índice tem oscilado acompanhando principalmente a curva de juros e o apetite ao risco global. Quando há expectativa de queda da Selic, setores mais sensíveis ao crédito, como varejo e construção, tendem a se valorizar. Já em momentos de cautela, o mercado migra para empresas mais defensivas ou ligadas a commodities”, afirma.
Entre as maiores altas da sessão, estavam Hapvida, que avançou 9,06%, aos R$ 11,19, Vamos (7,91%) aos R$ 3,81, Direcional (7,88%) aos R$ 13,82, Cyrela (7,14%), aos R$ 25,07 e C&A Modas (7,02%), aos R$ 12,65. Os dados são da RocketTrader.
Segundo Pacheco, ações de empresas exportadoras e ligadas ao setor de energia e mineração seguem entre os principais destaques.
“Papéis de commodities, como petróleo e minério de ferro, continuam tendo peso relevante no índice e ajudam a sustentar o Ibovespa em momentos de volatilidade. Ao mesmo tempo, bancos também exercem papel importante, por conta da previsibilidade de resultados”, explica.
Na avaliação do especialista, o desempenho do índice ao longo dos próximos meses dependerá da evolução do cenário macroeconômico.
No campo das baixas, o destaque foi para Prio (-5,49%), aos R$ 64,10, seguida pela Petrobras ON (-4,43%), aos R$ 51,19, Petrobras PN (3,92%), aos R$ 46,61, Brava Energia (-3,38%), aos R$ 20,57, Ultrapar (-3,17%), aos R$ 28,98, e PetroRecôncavo (-2,34%) aos R$ 13,77, segundo dados da RocketTrader.
“O Ibovespa deve continuar sensível às expectativas de juros e à percepção de risco fiscal. Se houver avanço em reformas e maior previsibilidade econômica, o mercado tende a responder de forma positiva, com entrada de capital estrangeiro e valorização mais consistente”, diz.
O movimento foi impulsionado pelo alívio nas tensões geopolíticas globais, disse Gabriel Brondi, sócio da The Link Investimentos, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele destacou que o anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi o principal catalisador para o desempenho recorde do mercado brasileiro: “Batemos uma nova máxima nominal com a notícia do cessar-fogo, o que impactou positivamente a maioria das ações no Brasil, especialmente Vale e bancos. O mercado todo acalmou e os investidores voltaram a buscar risco, refletindo o movimento de forte alta que também vimos nos índices americanos e europeus”.
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Seguir no GoogleApesar da euforia, o especialista da The Link Investimentos alertou para a volatilidade do petróleo, que oscilou drasticamente conforme os desdobramentos do conflito: “O mercado estava precificando o petróleo a 110 dólares (R$ 559,90) devido à expectativa de um ataque iminente. Com o cessar-fogo, o barril do tipo Brent recuou para o patamar de 96 dólares (R$ 488,64), mas ainda é necessário cautela, pois qualquer nova declaração de autoridades pode fazer o preço saltar novamente”.
Gabriel Brondi enfatizou que o cenário atual exige atenção constante ao noticiário internacional e ao comportamento das bolsas em Nova York: “Não dá para operar o mercado brasileiro hoje sem olhar para o mercado americano e para as notícias de guerra. Manchetes sobre ataques, sejam elas confirmadas ou não, estão fazendo preço no minuto a minuto, afetando diretamente o S&P 500 e os títulos públicos americanos”.
O sócio da The Link Investimentos explicou ainda que o risco de uma nova escalada inflacionária é o que mantém os mercados globais conectados em um mesmo movimento: “Todos os índices estão andando juntos porque existe um risco comum: o petróleo explodir e a inflação disparar em todos os países, obrigando os juros a ficarem elevados por mais tempo. É esse temor que dita o ritmo dos investimentos na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil”.
Por fim, ao comentar sobre o câmbio, o economista observou que o real foi favorecido pela redução da aversão ao risco global e pelos juros internos: “Vimos o dólar ceder para o patamar de 5,10 dólares (R$ 25,95) com o enfraquecimento da moeda americana. O Brasil se beneficia de commodities em patamares elevados e de uma das maiores taxas de juros reais do mundo, mas o investidor deve monitorar os dados de inflação que saem nesta semana nos EUA”.
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