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Índice Big Mac: cenário fiscal e eleições pesam sobre o real
Publicado 10/08/2026 • 14:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 10/08/2026 • 14:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
O real aparece entre as moedas mais desvalorizadas da América Latina em relação ao dólar no Índice Big Mac de julho. Segundo o levantamento, a moeda brasileira está 24% abaixo do valor considerado de paridade pelo indicador, atrás apenas das moedas da Guatemala e da Venezuela na região.
O resultado ocorre em um cenário de enfraquecimento do dólar em âmbito internacional, no qual aumentou o número de moedas consideradas sobrevalorizadas em relação à moeda americana.
🔍 O Índice Big Mac é um guia criado em 1986 pela revista The Economist para medir o valor das moedas de vários países. Ele usa o preço do famoso lanche do McDonald’s para ver se uma moeda está barata ou cara frente ao dólar dos Estados Unidos.
Em entrevista exclusiva durante o programa Real Time, Nelson Marconi, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirmou que fatores internos ajudam a explicar por que o real não acompanha, na mesma intensidade, o movimento de outras moedas emergentes.
Leia também: Valorização contínua do real depende de rumo fiscal; Investidores apostam em foco no exterior
Marconi afirma que a trajetória do real é influenciada por questões fiscais e pela percepção de risco em relação à economia brasileira. Segundo ele, a evolução da dívida pública tem papel relevante na formação das expectativas dos investidores.
“Quando a gente olha para uma tendência de médio e longo prazo, tem uma relação significativa entre o comportamento da dívida pública e o comportamento da taxa de câmbio”, afirmou.
Na avaliação do economista, juros elevados ajudam, no curto prazo, a conter uma depreciação maior da moeda, mas também aumentam as despesas financeiras do governo e pressionam a dívida. O efeito, portanto, pode ser diferente conforme o horizonte de análise.
Marconi estima que, considerando a competitividade da economia brasileira, uma taxa de câmbio em torno de R$ 5,50 por dólar poderia representar um nível mais adequado, embora ressalte que o comportamento recente do real também deve ser analisado em comparação com períodos anteriores de forte valorização da moeda.
O cenário eleitoral é outro fator apontado pelo economista. A ausência de definições mais claras sobre as propostas dos candidatos, especialmente nas áreas fiscal e econômica, pode ampliar a incerteza no mercado.
Para Marconi, a falta de clareza sobre as políticas que poderão ser adotadas após a eleição abre espaço para especulações e pode aumentar a pressão sobre o câmbio. “Quanto mais esse cenário no futuro fica nebuloso, maior vai ser a pressão para desvalorizar a moeda”, disse.
Segundo ele, a percepção sobre o comportamento das contas públicas e as prioridades econômicas dos próximos governos será relevante para a trajetória do real até o fim do ano.
A diferença entre os juros brasileiros e americanos tende a favorecer a entrada de recursos no país e, consequentemente, dar suporte ao real. Na avaliação de Marconi, esse diferencial ajuda a evitar uma desvalorização ainda maior da moeda.
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Siga o Times | CNBCO efeito, porém, não é suficiente para neutralizar os riscos associados às contas públicas. O economista afirma que investidores também consideram a trajetória da dívida e as perspectivas fiscais ao decidir onde aplicar seus recursos.
Com maior preocupação em relação ao cenário doméstico, parte do capital pode ser direcionada para outros mercados, pressionando o câmbio.
Uma moeda mais fraca produz efeitos diferentes sobre empresas e consumidores. Para os importadores e consumidores, a principal consequência é o aumento do preço dos produtos e insumos adquiridos no exterior. Para os exportadores, a conversão das receitas em moeda estrangeira para reais pode elevar a rentabilidade em moeda doméstica.
A taxa de câmbio também influencia a capacidade de competição da indústria brasileira. Uma moeda excessivamente valorizada pode baratear produtos estrangeiros e dificultar a concorrência das empresas nacionais. Por outro lado, uma desvalorização muito intensa encarece as importações e pode contribuir para a inflação.
“Se você tem uma taxa de câmbio muito depreciada, você está jogando lenha na fogueira da inflação”, afirmou Marconi.
Por isso, segundo o economista, o desafio da política econômica é evitar tanto uma valorização excessiva quanto uma desvalorização acentuada, além de reduzir oscilações bruscas da moeda.
As expectativas sobre a valorização ou desvalorização do real influenciam ainda as decisões de investidores estrangeiros.
Quando a moeda brasileira está mais desvalorizada, um investidor que traz dólares para o país consegue converter o capital em uma quantidade maior de reais. Já uma eventual saída de recursos depende também da cotação no momento da conversão dos investimentos de volta para moeda estrangeira.
Dessa forma, além do nível atual do câmbio, as expectativas sobre sua trajetória podem influenciar o fluxo de recursos financeiros para dentro e para fora do país.
Apesar de ser um indicador de fácil compreensão, o Índice Big Mac não deve ser interpretado como uma medida completa da competitividade da economia brasileira.
O levantamento utiliza o preço de um produto padronizado internacionalmente para comparar o poder de compra das diferentes moedas. Por isso, funciona como uma aproximação da chamada paridade do poder de compra. “Ele é um indicador informal, um indicador muito fácil de olhar”, explicou Marconi.
O economista destaca que existem medidas mais abrangentes, como os índices de paridade do poder de compra e da taxa real de câmbio. Este último considera, além da variação nominal da moeda, as diferenças de inflação entre os países.
Esses indicadores podem apresentar uma leitura diferente da apontada pelo Big Mac. Uma das limitações da paridade do poder de compra mais ampla, segundo Marconi, é a defasagem na disponibilidade dos dados, enquanto o índice baseado no sanduíche permite comparações mais imediatas.
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