CNBC
The Oura Ring 4.

CNBCOura, fabricante de anéis inteligentes, adia IPO devido à ‘incerteza’ no mercado

Mundo

Carteira de títulos municipais de Trump chega a até US$ 1 bilhão

Publicado 29/09/2026 • 10:15 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • A carteira de títulos municipais de Donald Trump cresceu para mais de 1.000 posições, avaliadas entre US$ 300 milhões e US$ 1 bilhão, segundo análise da CNBC com base nas declarações financeiras do presidente.
  • Alguns títulos estão ligados a cidades, hospitais, escolas, empresas de serviços públicos e instalações afetadas por políticas do governo Trump, incluindo usinas de carvão que receberam isenções de regras ambientais, hospitais expostos a mudanças no Medicaid e governos sujeitos a restrições de repasses federais.
  • A Casa Branca e a Trump Organization afirmam que os investimentos são administrados por instituições financeiras independentes e que Trump e sua família não podem direcionar ou influenciar as negociações. A CNBC não encontrou evidências de que Trump tenha determinado transações ou que seus interesses financeiros tenham moldado políticas do governo.

Reprodução White House

O presidente Donald Trump é credor de centenas de cidades, hospitais, escolas, empresas de serviços públicos e outras instituições públicas nos Estados Unidos – muitas das quais são diretamente afetadas por decisões tomadas por seu próprio governo.

E essa exposição financeira está crescendo.

Trump terminou 2025 com 807 posições em títulos municipais avaliadas entre US$ 240,7 milhões e US$ 797,6 milhões, segundo uma análise da CNBC de suas declarações financeiras apresentadas desde seu retorno à Casa Branca. Desde então, ele declarou pelo menos 243 compras em 2026, no valor entre US$ 68,2 milhões e US$ 233,8 milhões. Entre elas estão 48 novas compras informadas por Trump em 22 de setembro, quando sua declaração financeira referente a julho se tornou pública. Diferentemente de suas ações, que foram negociadas ativamente durante este mandato, Trump informa compras de títulos, mas não vendas.

Somados, os investimentos representam mais de 1.000 posições avaliadas entre US$ 300 milhões e US$ 1 bilhão, calculou a CNBC. Os valores exatos atuais não são conhecidos porque os registros federais utilizam faixas amplas de valores e não incorporam as movimentações posteriores do mercado.

“A dimensão da exposição [de Trump] a títulos municipais é sem precedentes, pelo que tenho conhecimento”, disse Justin Marlowe, diretor do Center for Municipal Finance da Universidade de Chicago. “Mesmo US$ 100 milhões é um valor elevado para um investidor individual, e uma carteira próxima de US$ 1 bilhão funciona mais como um fundo institucional.”

Leia também: Trump comprou mais de US$ 100 milhões em títulos desde que assumiu o cargo

Em alguns casos, Trump possuía títulos ligados a um emissor ou instalação antes de seu governo tomar medidas que os afetassem. Em outros, suas contas compraram a dívida depois que o governo federal já havia adotado medidas regulatórias ou de financiamento envolvendo o mesmo tomador ou projeto.

É o mais recente exemplo de uma característica marcante do governo Trump: a sobreposição entre poder executivo e patrimônio pessoal. Segundo especialistas em ética e finanças ouvidos pela CNBC, subsídios federais, regulamentações e decisões sobre financiamento da saúde podem afetar as finanças dos emissores cujas dívidas fazem parte da carteira de Trump.

A CNBC não encontrou evidências de que Trump ou seus gestores de investimentos tenham negociado com base em informações antecipadas sobre decisões do governo, de que seus interesses financeiros tenham moldado explicitamente essas políticas ou de que ele tenha determinado alguma transação específica.

A Casa Branca e a Trump Organization disseram que os investimentos de Trump estão mantidos em contas administradas de forma discricionária por instituições financeiras independentes.

O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, afirmou que nem Trump nem sua família têm “qualquer capacidade de direcionar, influenciar ou fornecer informações” sobre como a carteira é investida ou quando os títulos são comprados ou vendidos.

Um porta-voz da Trump Organization afirmou, de forma semelhante, que os gestores externos têm “autoridade única e exclusiva” sobre as decisões de investimento, incluindo alocação de ativos e negociações.

Mas a administração externa, por si só, não elimina as questões geradas pela posse de dívidas de governos locais e projetos específicos, disse Marlowe. Investidores que buscam exposição a títulos municipais normalmente utilizam fundos negociados em bolsa e outros produtos indexados para evitar a escolha de dívidas individuais.

“Há muitas maneiras diferentes de entrar nesse mercado sem precisar escolher títulos individuais”, evitando questões sobre “como a política federal afeta ativos específicos da sua carteira”, disse Marlowe à CNBC.

Política encontra carteira de investimentos

Não está claro por que as contas de Trump compraram tantos títulos municipais ou qual é o papel de cada emissor na estratégia de investimento mais ampla. Nem a Casa Branca nem a Trump Organization forneceram uma explicação em resposta às perguntas detalhadas da CNBC sobre as compras de títulos.

Investidores ricos frequentemente usam títulos municipais para diversificar suas carteiras e gerar renda com juros que, em muitos casos, são isentos de impostos federais.

A carteira de Trump inclui títulos ligados a três usinas termelétricas a carvão que receberam alívio em relação a exigências ambientais federais mais rigorosas.

Em fevereiro de 2025, as contas do presidente compraram entre US$ 50.001 e US$ 100.000 em títulos para financiar controles de poluição ligados à Plant Bowen, da Georgia Power. Cinquenta e sete dias depois, Trump assinou uma proclamação que isentou dezenas de usinas a carvão – incluindo as quatro unidades da Bowen – de limites mais rígidos da EPA para poluentes atmosféricos tóxicos por dois anos.

Após a isenção, as contas de Trump compraram até US$ 200 mil adicionais em dívidas ligadas a outras duas instalações contempladas pela medida: a Plant Scherer, da Georgia Power, e a James M. Barry Plant, da Alabama Power.

“O crédito que sustenta um título de controle de poluição frequentemente depende das regulamentações que regem aquela usina”, disse Richard Painter, ex-advogado-chefe de ética da Casa Branca durante o governo de George W. Bush e atualmente professor de direito empresarial na Universidade de Minnesota. “Se, como parece ser o caso aqui, uma política federal adia o cumprimento das regras, ela altera a economia da instalação.”

A proclamação de Trump teria adiado o cumprimento dos padrões mais rígidos de 2027 para 2029, embora a EPA tenha posteriormente revogado as regras em fevereiro.

“Na minha opinião, o secretário de Energia do presidente Trump não poderia possuir esse tipo de título, mas, como os presidentes estão isentos das leis usuais de conflito de interesses, [Trump] pode”, disse Painter à CNBC.

As participações de Trump em títulos ligados à energia vão além do carvão.

Em julho de 2025, Trump assinou uma ordem executiva para acelerar a construção e o licenciamento de data centers, assim como da infraestrutura necessária para fornecer energia a essas instalações. Quatro meses depois, suas contas começaram a comprar títulos de receita de energia elétrica do Omaha Public Power District, adquirindo entre US$ 750.002 e US$ 1,5 milhão em novembro e dezembro.

A S&P Global Ratings afirmou em um relatório de novembro que os data centers devem responder pela maior parte do crescimento da demanda de eletricidade da empresa nos próximos três anos. A S&P também disse que a continuidade da expansão dos data centers era fundamental para a estratégia da concessionária de cumprir obrigações crescentes de serviço da dívida.

“Há uma grande demanda por energia para os data centers, e muitas concessionárias locais estão tendo de investir pesadamente em capacidade adicional de geração para essas instalações”, disse Nora Wittstruck, diretora-gerente e diretora de análise de governos da S&P Global Ratings.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Leia também: Trump insiste que tumulto no mercado de títulos não influenciou pausa nas tarifas: ‘Eu não estava preocupado’

A CNBC não encontrou evidências de que a ordem executiva de Trump tenha como alvo a concessionária ou algum projeto específico em sua área de atuação. Ainda assim, políticas federais podem moldar as condições mais amplas que afetam os emissores de títulos municipais, disse Marlowe.

Um exemplo está nos títulos de Trump ligados ao setor de saúde. Suas contas terminaram 2025 com 72 posições em títulos municipais vinculados a hospitais e sistemas de saúde, avaliadas em cerca de US$ 24,2 milhões a US$ 76,3 milhões, segundo análise da CNBC.

Muitas dessas instituições dependem de recursos do Medicaid, programa que, segundo projeção da KFF, organização sem fins lucrativos e não partidária de políticas de saúde, deverá sofrer um corte de cerca de US$ 900 bilhões ao longo de uma década em razão do pacote de cortes de impostos e gastos de 2025, conhecido como “big beautiful bill”.

A S&P alertou que a redução da cobertura do Medicaid e as limitações aos pagamentos a prestadores podem pressionar o crédito de alguns hospitais, ao reduzir os reembolsos e aumentar os custos de atendimento não remunerado, especialmente em instituições financeiramente vulneráveis.

Ainda assim, as contas de Trump continuaram comprando dívidas ligadas a hospitais depois da aprovação da lei, incluindo títulos vinculados à UPMC, sistema de saúde sem fins lucrativos com sede em Pittsburgh, e à Memorial Hermann, sistema de saúde sem fins lucrativos que atende a região de Houston.

A declaração financeira do presidente referente a julho inclui cinco compras adicionais ligadas a instalações ou sistemas de saúde.

Como as políticas de Trump podem afetar emissores de títulos

Especialistas em ética observam que, embora a dívida municipal geralmente represente um conflito de interesse mais indireto do que ações de empresas, as preocupações aumentam quando uma medida federal afeta diretamente um emissor.

“Se o emissor for um beneficiário direto enquanto parte específica, esse é o conflito de interesse mais direto”, disse Virginia Canter, principal assessora jurídica da Democracy Defenders Action, organização sem fins lucrativos não partidária e de orientação progressista focada em ética governamental e combate à corrupção.

Alguns dos títulos de Trump, porém, não necessariamente representam um benefício financeiro para o presidente. Suas contas compraram dívidas de governos que enfrentavam restrições a repasses federais ou custos adicionais relacionados às políticas de seu governo.

Em 12 de março, as contas de Trump compraram entre US$ 250.001 e US$ 500.000 em títulos do estado de Minnesota. Quinze dias antes, os Centers for Medicare & Medicaid Services adiaram US$ 259,5 milhões em repasses federais trimestrais do Medicaid ao estado, alegando uma análise de pedidos sem comprovação ou potencialmente fraudulentos. Minnesota entrou com uma ação judicial sobre a maior parte do dinheiro, que continua pendente.

A compra dos títulos estaduais ocorreu após outra aquisição em Minneapolis. Em 11 de dezembro, as contas de Trump compraram entre US$ 500.001 e US$ 1 milhão em títulos das escolas públicas de Minneapolis, 10 dias após o início de uma grande operação de repressão à imigração que durou meses em Minnesota e que deixou dois manifestantes mortos. Autoridades de Minneapolis estimaram o custo econômico da operação em quase US$ 700 milhões.

Leia também: Rendimentos dos títulos do Tesouro nos EUA caem enquanto Trump considera reverter tarifas altas sobre a China

Posteriormente, o distrito escolar informou ter servido quase 441 mil refeições e lanches a menos entre janeiro e março e gasto US$ 253 mil em tecnologia para aulas temporariamente on-line durante a operação, enquanto estudantes e seus pais tinham medo de sair de casa.

Menos de duas semanas após a compra dos títulos estaduais de Minnesota, as contas do presidente adquiriram dois títulos do estado de Illinois, cada um no valor entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.

No início daquele ano, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos havia tentado congelar determinados repasses para creches e programas de assistência familiar destinados a Illinois e outros quatro estados, alegando suspeitas de fraude. Um juiz federal bloqueou o congelamento dias depois, concedendo uma liminar preliminar em fevereiro.

Crescimento do mercado de títulos municipais

As compras de títulos de Trump coincidiram com um boom histórico no mercado de dívida municipal, enquanto estados, cidades e autoridades públicas tomam grandes volumes de empréstimos para financiar aeroportos, escolas, hospitais, empresas de serviços públicos e outras infraestruturas.

Emissores municipais venderam um recorde de US$ 580 bilhões em títulos em 2025, alta de 13% em relação a 2024, com o aumento impulsionado principalmente por novas captações e emissões isentas de impostos, e não pelo refinanciamento de dívidas antigas, segundo o Municipal Securities Rulemaking Board.

O ritmo de endividamento continuou neste ano. Emissores municipais venderam US$ 408,5 bilhões em títulos até agosto, alta de 4% na comparação com o mesmo período do ano passado. O estoque de dívida municipal chegou a cerca de US$ 4,5 trilhões no primeiro trimestre, alta de 4,8% em 12 meses, segundo a Securities Industry and Financial Markets Association.

“Diante da incerteza em relação ao Irã e à inteligência artificial, os investidores têm buscado maneiras de reduzir o risco, e os títulos municipais oferecem certo grau de previsibilidade”, disse Tom Kozlik, chefe de política pública e estratégia municipal da HilltopSecurities.

Leia também: Tarifas de Trump liquidaram títulos do Tesouro dos EUA, mas quem está por trás da venda desses papeis?

As taxas de juros mais altas também tornaram os títulos mais atraentes, especialmente para investidores ricos, porque os juros da maioria das dívidas municipais são isentos de impostos federais, disse Kozlik à CNBC.

O J.P. Morgan Private Bank estima que um rendimento de 4% em títulos municipais isentos de impostos pode gerar aproximadamente a mesma renda líquida de impostos que um título tributável com rendimento de 6,75% para um investidor na faixa máxima de tributação. Tanto os títulos corporativos quanto os Treasurys dos EUA são tributáveis.

Essa vantagem foi mantida na própria legislação tributária de Trump. A lei de cortes de impostos e gastos de 2025 preservou a isenção tributária federal para títulos municipais, incluindo títulos qualificados de atividade privada, um tipo de título municipal utilizado para financiar projetos privados ou sem fins lucrativos que oferecem algum benefício público.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

MAIS EM Mundo