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Valorização contínua do real depende de rumo fiscal; Investidores apostam em foco no exterior
Publicado 05/05/2026 • 22:04 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 05/05/2026 • 22:04 | Atualizado há 5 meses
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Dólar e real
A cotação do dólar voltou a cair frente ao real e bateu R$ 4,91 nesta terça-feira (5), o menor valor desde 26 de janeiro de 2024. Em 2026, a divisa dos EUA já acumula baixa de 10,51% ante a brasileira, em um movimento sustentado por fatores externos e pelo fluxo de capital estrangeiro no Brasil, segundo analistas do mercado ouvidos pelo Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC.
Para Flávio Conde, head de ações da Levante Investimentos, a recente desvalorização da moeda americana reflete uma combinação de elementos globais e domésticos. Por isso, o movimento não se trata de um voo de galinha, mas uma tendência de médio e longo prazo.
“A alta se sustenta por conta da combinação de dólar se desvalorizando frente à maioria das moedas, superávit comercial de US$ 200-500 milhões por dia e investimentos em renda fixa e em ações”, afirmou.
O fluxo cambial tem sido impulsionado, sobretudo, pelo diferencial de juros, ele explica. Com a taxa brasileira a 14,50% a.a após a última reunião do Copom, ativos atrelados à taxa DI seguem atraindo capital externo, ampliando a entrada de dólares e pressionando a cotação para baixo.
Conde projeta continuidade desse movimento no curto prazo, com o câmbio podendo atingir R$ 4,70 antes das eleições. O comportamento posterior, no entanto, dependerá do resultado eleitoral e da condução fiscal.
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Siga o Times | CNBCJá Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, aponta que o principal vetor de curto prazo está no cenário internacional, especialmente em eventos geopolíticos. “O principal driver de curto prazo do dólar é a guerra. Quando acabar, o dólar cairá frente a todas as moedas”, afirmou.
Segundo Sant’Anna, outro fator relevante é a inflação nos Estados Unidos. Caso os índices de preços voltem a subir, a tendência é de elevação dos juros dos títulos longos americanos, o que fortaleceria o dólar globalmente.
“O real responde mais ao cenário externo do que ao doméstico. Nossos problemas internos continuam. A questão fiscal segue pressionada, a relação dívida/PIB cresce, os juros permanecem elevados e a inflação real ainda se distancia da meta”, disse.
Ainda assim, ele ressalva: “O dólar é uma variável indomável, um bicho de muitas cabeças. Não depende só do Brasil, nem de um único fator. É multifatorial, como um coro caótico onde cada voz puxa para um lado”.
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