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Investigação sobre Lulinha aponta três tentativas de negócios bilionários no Ministério da Saúde
Publicado 25/08/2026 • 17:41 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 25/08/2026 • 17:41 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Juca Varella/AE
A investigação da Polícia Federal envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aponta três tentativas de negócios no Ministério da Saúde que não avançaram. Duas tinham valores estimados e, somadas, chegavam a cerca de R$ 1,6 bilhão: R$ 627 milhões em medicamentos à base de cannabis e aproximadamente R$ 1 bilhão em testes rápidos para dengue e outras arboviroses.
A terceira frente envolvia tratativas para estabelecer parcerias com a Iquego (Indústria Química do Estado de Goiás), um laboratório público vinculado ao governo goiano. Também não houve contratação.
O detalhamento das três iniciativas foi publicado nesta terça-feira (25) pela Folha de S.Paulo, com base em documentos da investigação. O projeto de testes rápidos já havia aparecido em mensagens obtidas pela PF e reveladas pela Veja.
As apurações analisam a atuação da empresária Roberta Luchsinger, de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e de pessoas ligadas a Lulinha na tentativa de viabilizar interesses privados na administração federal. A defesa do filho do presidente nega que ele tenha participado dos negócios conduzidos por Roberta.
Leia também: PF investiga conexões de Lulinha com esquema de fraudes em compra de medicamentos sem licitação
A tentativa de viabilizar a venda de medicamentos à base de cannabis ao governo já integra uma das investigações da PF sobre Lulinha.
Roberta foi contratada pelo Careca do INSS para atuar na aproximação do negócio com o Ministério da Saúde e recebeu R$ 1,5 milhão, em cinco parcelas de R$ 300 mil. Mensagens analisadas pela PF também indicam que ela discutia uma comissão de 20% relativa à negociação.
A novidade é a dimensão prevista para a operação. Segundo documentos da investigação divulgados pela Folha, a proposta contemplava o fornecimento de 1,2 milhão de frascos por ano, por quatro empresas. Entre elas estava a WorldCann, ligada ao Careca do INSS. O valor projetado chegava a R$ 627 milhões.
O plano previa que o Ministério da Saúde centralizasse a compra de medicamentos para atender pacientes com decisões judiciais que garantem o acesso ao tratamento. A proposta não avançou.
O Ministério da Saúde afirmou anteriormente que não houve possibilidade de contratação do canabidiol, porque o produto não está incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta disse ainda que não compra nem fornece o produto e que a atual gestão não discutiu sua oferta na rede pública.
Segundo o levantamento publicado nesta terça-feira, a pasta desembolsa atualmente cerca de R$ 5 milhões por ano em compras de canabidiol ou em depósitos judiciais relacionados a esses tratamentos. Parte do fornecimento determinada pela Justiça fica, porém, a cargo de estados e municípios.
Por isso, os R$ 5 milhões não são diretamente comparáveis aos R$ 627 milhões da proposta, que previa uma estrutura mais ampla e centralizada de aquisição.
As tratativas sobre o canabidiol chegaram ao Palácio do Planalto. Roberta enviou por WhatsApp ao Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um modelo de contrato para a venda de medicamentos ao Ministério da Saúde. O documento mencionava a possibilidade de contratação mediante dispensa de licitação.
Marcola confirmou ter recebido o material, mas afirmou que não o encaminhou ao Ministério da Saúde nem a outro integrante do governo. O negócio não foi concretizado.
Em mensagens analisadas pela PF, Roberta também teria afirmado que falava em nome de Lulinha durante negociações relacionadas ao projeto. A defesa sustenta que ele não participou das atividades comerciais da empresária nem recebeu recursos ligados à operação.
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Siga o Times | CNBCUma segunda frente envolvia a venda de testes rápidos para dengue e outras arboviroses ao Ministério da Saúde.
Segundo a Veja, as tratativas previam um contrato de aproximadamente R$ 1 bilhão, por meio de uma importadora sediada em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. A negociação também não avançou.
Para dimensionar o valor, o orçamento do Ministério da Saúde para compra de insumos destinados à prevenção e ao controle de diferentes doenças em 2026 é de cerca de R$ 700 milhões, segundo dados citados pela Folha. Esse montante não é destinado exclusivamente à dengue e a outras arboviroses e, portanto, serve apenas como referência.
Não houve assinatura do contrato nem desembolso de R$ 1 bilhão pelo governo.
O terceiro negócio mencionado na investigação envolvia a Iquego, laboratório público de Goiás.
Mensagens entre Roberta e o Careca do INSS mostram tratativas para tentar obter aprovação do Ministério da Saúde para parcerias produtivas envolvendo a empresa pública goiana, segundo a Folha.
Os documentos divulgados até agora não detalham quais produtos fariam parte especificamente dessas negociações.
As propostas relacionadas às tratativas analisadas foram reprovadas pela área técnica do Ministério da Saúde e não resultaram em contratação.
As três frentes surgem em uma investigação mais ampla sobre a atuação de Lulinha, Roberta e do empresário Fernando Bittar.
Relatório da PF aponta elementos de um possível núcleo coordenado para intermediar interesses privados junto ao governo federal. Os investigadores descrevem Lulinha como figura de “elevada relevância” nas tratativas e possível beneficiário indireto de articulações conduzidas por terceiros.
As mensagens analisadas abrangem negócios nas áreas de saúde, tecnologia e telecomunicações. A defesa de Lulinha nega irregularidades.
Os cerca de R$ 1,6 bilhão correspondem à soma aproximada dos R$ 627 milhões previstos para o projeto de medicamentos à base de cannabis e dos R$ 1 bilhão pretendidos para o negócio de testes rápidos.
Os valores representam propostas em discussão, e não contratos assinados, recursos empenhados ou dinheiro desembolsado pelo governo federal.
O Ministério da Saúde afirmou que as iniciativas não tiveram encaminhamento nem repercussão na pasta. A investigação segue apurando o papel de cada envolvido nas tratativas.
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