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Janus Henderson: mercados podem estar minimizando tensão Europa-EUA
Publicado 20/01/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/01/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 meses
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Janus Henderson: mercados podem estar minimizando tensão Europa-EUA
A Janus Henderson avalia que os mercados financeiros podem estar minimizando os riscos associados ao aumento da tensão entre Europa e Estados Unidos, após ameaças de novas tarifas anunciadas pelo governo americano em um contexto geopolítico mais sensível.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor uma tarifa adicional de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026. Caso não haja acordo envolvendo a Groenlândia, a alíquota subiria para 25% em junho.
Entre os países mais expostos estão Alemanha, França e Holanda, membros da União Europeia, além do Reino Unido. Trump também se recusou a descartar o uso de força militar, apesar de os países citados integrarem a Otan.
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Segundo Robert Schramm Fuchs, gerente de portfólio da Janus Henderson Investors, os sinais vindos de Washington indicam postura mais rígida. A secretária do Tesouro dos EUA, Bessent, afirmou que uma eventual retaliação europeia seria “imprudente” e destacou que o acordo comercial negociado em 2025 ainda não foi finalizado.
Para a Janus Henderson, esse discurso amplia o risco de que o impasse deixe de ser pontual e avance para um conflito comercial mais amplo.
Na avaliação da Janus Henderson, os impactos diretos das tarifas sobre a economia europeia parecem limitados no curto prazo. As projeções consensuais indicam crescimento de lucros em 2026 de cerca de 12% para o Stoxx Europe 600 e 13% para o EuroStoxx 50.
O risco central, segundo a gestora, está na possibilidade de escalada política e comercial. As ameaças americanas provocaram um raro movimento de união entre países europeus, inclusive entre partidos de diferentes espectros políticos, reduzindo a margem para novas concessões.
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Do lado europeu, a Janus Henderson observa que há diferentes caminhos de resposta. Um deles seria suspender a ratificação do acordo comercial EUA-UE, inicialmente prevista para este período. Outra opção envolve a imposição de tarifas sobre cerca de € 90 bilhões em importações americanas, medida preparada no ano passado.
A União Europeia também poderia acionar o instrumento anti-coerção, que permitiria restringir a participação de empresas americanas em licitações públicas, além de discutir a criação de impostos sobre serviços digitais.
Existe ainda o debate sobre o uso estratégico das reservas europeias de ativos financeiros dos EUA, estimadas em aproximadamente US$ 6 trilhões em ações, US$ 2 trilhões em títulos do Tesouro e US$ 2 trilhões em títulos corporativos.
A Janus Henderson considera essa alternativa pouco provável, já que a maior parte desses ativos pertence a instituições privadas, sujeitas a deveres fiduciários. Uma venda coordenada de títulos do Tesouro, por exemplo, poderia ser compensada por políticas monetárias expansionistas nos Estados Unidos.
A gestora chama atenção para a reação moderada dos mercados no dia 19 de janeiro, considerada surpreendente diante do nível de tensão política. O movimento contrasta com episódios anteriores de maior volatilidade após anúncios semelhantes.
Para a Janus Henderson, mesmo que decisões judiciais futuras limitem algumas medidas comerciais, não há garantia de retorno ao cenário anterior, o que reforça a leitura de complacência inicial dos investidores.
Do ponto de vista de investimento, a Janus Henderson espera continuidade do processo de redução de riscos. Caso os mercados passem a precificar maior instabilidade, esse movimento pode se acelerar, favorecendo rotações setoriais.
Em um ambiente marcado por realinhamento geopolítico e incerteza prolongada, a gestora avalia que a seleção criteriosa de ações permanece determinante para navegar os próximos ciclos.
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