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Juros futuros caem após recuo do dólar e melhora nas projeções de inflação

Publicado 06/07/2026 • 23:00 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Os juros futuros recuaram na maior parte da curva após a melhora nas expectativas para a inflação de 2026, a queda de 0,71% do dólar e um pregão de baixa liquidez.
  • O Boletim Focus reduziu a projeção para o IPCA de 2026 de 5,33% para 5,30%, enquanto o mercado passou a ver maior espaço para um possível corte da Selic nos próximos meses.
  • No cenário externo, a queda nos rendimentos dos Treasuries e a expectativa de uma oferta reduzida de NTN-B pelo Tesouro ajudaram a sustentar o movimento de baixa das taxas no Brasil.
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Pixabay

Os juros futuros fecharam em queda na maior parte da curva nesta segunda-feira (6), em um pregão de baixa liquidez marcado pela redução das expectativas para a inflação de 2026 e pelo recuo do dólar. Enquanto os vencimentos médios e longos registraram queda mais acentuada, os contratos de curto prazo permaneceram praticamente estáveis, com leve viés de baixa.

Segundo participantes do mercado, a sessão teve poucos gatilhos econômicos, tanto no Brasil quanto no exterior. Ainda assim, a melhora nas projeções para a inflação trouxe maior confiança de que o Banco Central poderá manter espaço para calibrar a taxa Selic nos próximos meses. A valorização do real frente ao dólar, que caiu 0,71%, e o comportamento favorável dos títulos do Tesouro americano também contribuíram para aliviar a curva de juros.

Na B3, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrou a sessão em 13,985%, ante 13,998% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 recuou para 14,03%, enquanto o vencimento de janeiro de 2031 caiu para 14,29%.

O Boletim Focus mostrou uma leve melhora nas expectativas para a inflação. A mediana das projeções para o IPCA de 2026 passou de 5,33% para 5,30%. Para os anos seguintes, as estimativas sofreram poucas alterações: 4,18% em 2027 e 3,70% em 2028. As previsões para a taxa Selic permaneceram inalteradas, em 14% para 2026, 12% para 2027, 10,5% para 2028 e 10% para 2029.

Para Eduardo Cohn, gestor de portfólio da Heritage Capital, o principal destaque foi a interrupção da piora nas expectativas inflacionárias observada nas últimas semanas. Segundo ele, a combinação entre a estabilização do Focus e a queda do dólar foi suficiente para favorecer o fechamento da curva de juros.

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Na mesma linha, Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, afirmou que indicadores mais fracos de atividade econômica, inflação mais controlada e a queda do petróleo reforçam a possibilidade de um novo corte da Selic em agosto. Apesar disso, ele ressalta que parte do mercado continua cautelosa diante das expectativas de inflação ainda acima da meta e das incertezas fiscais.

O volume reduzido de negociações também chamou atenção. De acordo com Cohn, o mercado ainda refletiu o impacto do feriado da Independência dos Estados Unidos, comemorado na última sexta-feira (4), o que contribuiu para uma sessão de menor movimentação.

As declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, sobre uma possível atuação do Tesouro no mercado de NTN-B perderam força nesta segunda-feira. Na semana passada, Ceron afirmou que o governo está preparado para realizar novos leilões de recompra de títulos públicos, caso seja necessário estabilizar o mercado.

Para o leilão desta terça-feira (7), a expectativa é de que o Tesouro mantenha uma oferta reduzida de títulos indexados à inflação, estratégia conhecida entre operadores como “cancelamento branco”, com o objetivo de evitar pressão adicional sobre o mercado.

No cenário internacional, a curva dos Treasuries voltou a apresentar queda nos rendimentos dos papéis de dois e dez anos após o feriado nos Estados Unidos, refletindo a revisão das expectativas para a política monetária americana depois da divulgação de dados de emprego abaixo do esperado.

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