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Justiça barrou ‘Bolsa Lula’ de R$ 500 mil anunciada por lobista ligada a filho do presidente
Publicado 28/08/2026 • 16:03 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 28/08/2026 • 16:03 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A Justiça impediu, em 2017, que a lobista Roberta Luchsinger transferisse R$ 500 mil ao então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma iniciativa anunciada por ela como “Bolsa Lula”. Quase uma década depois, Roberta Luchsinger voltou ao noticiário por aparecer em investigações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Na época, a lobista afirmou que faria a doação como reação ao bloqueio de bens de Lula determinado durante a Operação Lava Jato. O dinheiro, porém, nunca foi transferido. A operação foi barrada pela Justiça de São Paulo em um processo no qual uma empresa de móveis e decoração cobrava uma dívida de Roberta.
Procurada, ela confirmou que a doação anunciada não chegou a ser realizada por causa do impedimento judicial.
Leia também: Caso Lulinha: Lula diz nunca ter visto Roberta Luchsinger; fotos mostram os dois juntos
A disputa teve origem em um serviço contratado por Roberta em 2011 por R$ 61,2 mil. Desse total, foram pagos R$ 26 mil e R$ 35,2 mil ficaram em aberto.
A empresa responsável pelo serviço recorreu à Justiça e obteve o direito de receber os valores corrigidos. Dois acordos foram firmados posteriormente, mas acabaram descumpridos, e a dívida chegou a R$ 76,4 mil.
Foi nesse contexto que, em agosto de 2017, o juiz Felipe Albertini Nani Viaro, da 26ª Vara Cível de São Paulo, impediu Roberta de realizar a doação anunciada a Lula.
“Deverá abster-se de qualquer ato de disposição graciosa dos bens até que pague a integralidade da dívida, sob pena de reconhecimento de fraude à execução, com a consequência ineficácia da operação”, determinou o magistrado.
O processo terminou em 2019 com a determinação de penhora de 14 gravuras de Cândido Portinari encontradas na residência de Roberta, em Higienópolis, São Paulo. As obras foram avaliadas em R$ 5 mil cada, totalizando R$ 70 mil.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCÀ época do “Bolsa Lula”, Roberta Luchsinger se apresentava como socialite e herdeira de banqueiro. Atualmente, ela é investigada em apurações sobre suspeitas de tráfico de influência no governo federal que também envolvem Lulinha.
As investigações buscam esclarecer se houve atuação irregular para beneficiar interesses privados junto a órgãos do governo. As suspeitas ainda estão em apuração e não significam comprovação de crime.
Em entrevista à TV Globo na quinta-feira (27), Lula negou ter relação com Roberta.
“Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próximo de mim”, afirmou.
Publicações antigas nas redes sociais de Roberta, porém, mostram registros fotográficos dela ao lado do presidente. A existência das imagens ganhou repercussão após a declaração.
Planalto diz que fotos não demonstram relação pessoal
Nesta sexta-feira (28), o Palácio do Planalto afirmou que Lula, por ser uma figura pública, é abordado por inúmeras pessoas para fotografias em campanhas e compromissos públicos. Segundo a equipe presidencial, “a existência desses registros não significa relação pessoal, profissional ou política”.
O governo não comentou diretamente a promessa de doação de R$ 500 mil e afirmou que questões relativas ao episódio de 2017 deveriam ser encaminhadas ao PT, já que Lula não ocupava a Presidência naquele momento.
Aliados do presidente sustentam que a transferência jamais ocorreu e que Lula não mantinha relação de proximidade com Roberta. Segundo relato de um assessor presidencial, quando as investigações envolvendo a lobista e Lulinha ganharam repercussão, Lula pediu informações à equipe sobre quem era Roberta. Após ver uma fotografia e notícias antigas sobre o “Bolsa Lula”, teria afirmado não se lembrar dela e reiterado que o dinheiro nunca foi recebido.
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