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Ex-CEO tem prisão decretada por roubo em hotel de luxo
Publicado 08/01/2026 • 22:09 | Atualizado há 18 horas
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Publicado 08/01/2026 • 22:09 | Atualizado há 18 horas
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Reprodução/Redes Sociais
João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb
O juiz André Felipe Veras de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), determinou nesta quinta-feira (8) que João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb (Hotel Urbano), seja preso preventivamente.
Mendes responde a um processo por furto de obras de arte e, na última segunda-feira (5), foi detido no aeroporto de Jericoacoara com documento de identidade falso e a tornozeleira eletrônica desligada.
Ao Estadão, a defesa alegou que o foco é no “restabelecimento da saúde plena do ex-CEO“.
Mendes já havia sofrido prisão preventiva por causa do furto anteriormente, mas foi libertado com medidas cautelares a cumprir. O empresário devia utilizar tornozeleira eletrônica, pedir autorização da Justiça para viajar para fora do Rio de Janeiro por mais de 30 dias, comparecer mensalmente em Juízo e apresentar relatórios médicos mensais no processo.
Em abril de 2025, o empresário foi preso em flagrante por furtar obras de arte de um hotel de luxo e de um shopping na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O MP o denunciou pelos crimes de furto qualificado e adulteração de identificação de veículo na ocasião.
Na última segunda-feira, Mendes tentou embarcar de Jericoacoara para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com um documento de identidade falso. Funcionários do aeroporto cearense duvidaram do documento e chamaram a Polícia Militar. Os policiais constataram a adulteração e levaram o ex-CEO para ser detido. Segundo a PM cearense, ele estava com a tornozeleira eletrônica descarregada.
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O ex-CEO foi liberado posteriormente, mas o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pediu a prisão preventiva baseado no episódio. O MP-RJ argumentou que o uso de documento falso, a ausência de juntada de relatório médico desde setembro e a reincidência em deixar a tornozeleira descarregar demonstram descumprimento reiterado das medidas cautelares e evidente desrespeito às determinações judiciais.
O juiz do TJ-RJ acolheu os argumentos do MP e determinou a volta de Mendes à prisão. “Independentemente de qual tenha sido a intenção do réu ao tomar tal atitude no Ceará, o certo é que o deferimento de sua liberdade, ainda que com a imposição de medidas cautelares alternativas à prisão, não pode servir jamais como oportunidade para que ele pratique novos crimes; no caso, o de uso de documento falso”, justificou o magistrado, mencionando também que o réu chegou a deixar a tornozeleira descarregada por 27 horas.
O juiz afastou a possibilidade de que Mendes estivesse em “surto” pela defesa afirmar que ele passa por acompanhamento médico rigoroso. “Tornou-se evidente, portanto, que a manutenção da liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno ao cárcere. Por outro lado, o uso de documento falso, admitida a existência de um quadro de sanidade e de equilíbrio mental, já é intuitivo, por si só, da intenção deliberada do réu de se furtar à ação da Justiça”, escreveu Veras de Oliveira.
A defesa de Mendes negou que ele tenha cometido qualquer violação às medidas cautelares e afirmou que irá recorrer da prisão preventiva.
Mendes e o irmão, João Eduardo Mendes, fundaram a Hurb em 2011, época em que os sites de compras coletivas explodiram no Brasil. A empresa apostou na venda de pacotes de viagens, passagens e hospedagem para ganhar espaço no mercado brasileiro.
Em 2023, a Hurb anunciou nas suas redes sociais que chegou a emitir viagens para mais de 400 mil pessoas em um ano e disse que vendia uma diária de hotel a cada 5 segundos.
A plataforma trabalhava com um sistema de datas flexíveis e oferecia pacotes abaixo do preço de mercado: os clientes compravam as viagens, escolhiam três opções de data e, até 30 dias antes do embarque, a Hurb entrava em contato para confirmar a data e passar informações sobre passagens e hospedagem.
Na pandemia de covid-19, a empresa vendeu pacotes promocionais com datas flexíveis, válidos por até dois anos. Mas, com a retomada das atividades do setor em 2022, a agência de viagens enfrentou dificuldades para honrar os acordos com os clientes e os parceiros. Nas redes sociais, os usuários classificaram as práticas da plataforma como “golpe do Hurb”.
A Hurb entrou com pedido de recuperação judicial em 2024, mas já atravessava problemas para honrar os pacotes turísticos comprados pelos clientes antes, gerando uma enxurrada de pedidos de indenização por parte de consumidores.
Mendes saiu do cargo de CEO da companhia em abril (2023), após xingar e expor dados pessoais de um cliente que reclamava do serviço da empresa, além de ter divulgado um vídeo em que ironizava as reclamações contra a empresa.
Em entrevista ao Estadão, o ex-CEO disse reconhecer os erros na comunicação com os clientes e afirmou que foi “pego de surpresa” pela dificuldade de acessar o caixa da empresa e honrar os contratos.
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