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Mentora diz que “hacks” acabaram e que IA está levando a rede “de volta aos primórdios”
Publicado 05/02/2026 • 23:23 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 05/02/2026 • 23:23 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A “era dos hacks” no LinkedIn está ficando para trás. Segundo a mentora de executivos e estrategista de thought leadership Carolina Dostal, a inteligência artificial embutida na plataforma tem acelerado essa virada. Ela afirmou que o LinkedIn passou a “ler muito mais informações do que só aquelas palavras” e que a rede estaria “voltando para os primórdios”, resgatando a proposta original de relacionamento e consistência.
“O LinkedIn mudou muito. Então, quando a gente fala em bombar no LinkedIn, a gente tinha uma série de técnicas e de disciplina. Então, é metodologia e disciplina”, disse, em entrevista ao quadro Protagonistas, do Jornal Times Brasil – Exclusivo CNBC. Para ela, o primeiro passo é entender intenção e público. “Você precisa saber por que você está no LinkedIn, o que você quer comunicar, para quem você quer comunicar, e você tem que ter muita consistência naquilo”.
A mentora criticou a visão de que a rede funciona apenas como um currículo online. “O currículo, ele é muito estático. Ele é como se fosse uma folha de papel onde você coloca aquilo que você fez. Ele é muito voltado para o passado. O LinkedIn não é isso”, afirmou. Segundo ela, a plataforma permite uma leitura mais ampla do profissional, e do comportamento dele.
“As pessoas conseguem te avaliar, não só pelo seu histórico do passado, mas elas conseguem já imaginar se você é uma pessoa que vai ter uma entrega no futuro”, disse, citando sinais como cursos, participação em eventos e relacionamento. “Você vê se a pessoa é educada, você consegue avaliar soft skills dessa pessoa… e essas mad skills, que também estão super em alta.”
Dostal disse que, em 2025 e 2026, o LinkedIn passou a operar com um novo motor de IA capaz de cruzar sinais comportamentais e coerência do perfil com o conteúdo publicado. “Isso mudou para 2025 e para 2026, com um novo cérebro da inteligência… a ‘Excel’ que está embutida no LinkedIn”, afirmou.
Na prática, ela diz que a rede passa a checar se o discurso combina com trajetória e conexões. “Se você fala que você é um psicólogo renomado, você, no mínimo, tem que ter feito psicologia. Você tem que ter contato com outros psicólogos… e você tem que escrever sobre isso”, disse.
Dostal também afirmou que o algoritmo consegue medir interesse real, e não apenas engajamento superficial. “Ele vai conseguir entender se as pessoas têm interesse no seu conteúdo ou não, quantos segundos elas passam para ler um post seu. Então, isso mudou”, afirmou. Resultado: “Bombar no LinkedIn não é tão fácil”.
A mentora citou o fundador do LinkedIn, Reid Hoffman, ao defender que a plataforma está retornando à lógica original. “O LinkedIn está voltando para os primórdios, porque o Reid Hoffman, quando criou o LinkedIn, a ideia dele era juntar os profissionais…”, afirmou.
Para Dostal, “quem vai sobreviver hoje é a pessoa que realmente usa o LinkedIn como uma ferramenta”, e não como uma sequência de truques. “As pessoas olham menos truques para o LinkedIn. Elas olham com mais vontade de compartilhar, vontade de aprender e realmente um tempo de qualidade naquilo que elas estão fazendo. É isso que mudou completamente”, disse.
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Questionada sobre erros comuns, Dostal apontou riscos em posturas extremadas e na tentativa de “resolver tudo” em uma única publicação. “Eu acho que comentários polêmicos. Às vezes, um posicionamento político é muito difícil”, afirmou. “De repente, posicionamentos muito fortes, assim, eles são um pouco complicados.”
Ela também criticou a “ansiedade do recém-convertido”. “Depois que… ‘passei muito tempo, agora descobri que o LinkedIn é maravilhoso. Então, agora eu quero escrever tudo em um post só’. Não vai caber”, disse. E resumiu a receita: “A comunicação tem que ser fatiada. E ela tem que ser por repetição e por constância. Com consistência.”
Dostal disse que a antiga lógica dos “melhores horários” perdeu força. “Agora, não. É o conteúdo que vai valer. É o conteúdo. Não importa o formato”, afirmou. E completou: “Se aquele conteúdo é bom, ele vai repercutir por mais dias.”
Para quem quer virar referência, ela defendeu um recorte temático claro e insistência. “Se você quer virar referência, você precisa ter consistência de, no mínimo, 90 dias postando de um assunto que é um assunto seu, que você domina”, disse. “Não adianta querer sair falando de tudo. Porque ninguém sabe tudo.”
Ao falar de propósito, Dostal foi direta: “O LinkedIn é uma rede de intencionalidade”. Segundo ela, postar “sem estrutura” vira desperdício. “Fazer sem estrutura, sem disciplina… é perder tempo”, afirmou. E elevou o tom ao criticar ruído e excesso: “É encher de lixo. É um brain rot mesmo.”
Ainda assim, defendeu que o pano de fundo precisa seguir profissional, mas com humanidade. “O pano de fundo é sempre profissional. Mas mostrando que somos humanos”, afirmou, citando que a vida pessoal impacta a performance, como um executivo que corre uma maratona ou faz yoga para “recarregar”.
Dostal descreveu seu método como uma mentoria estruturada em três sessões: contexto e objetivos, ajustes práticos e um plano editorial. “Eu desenvolvi um sistema de três sessões”, disse. E resumiu o trabalho pós-mentoria: “Eu começo a ajudar essa pessoa a fazer conteúdo. Mas não é que eu invento conteúdo. Não”, afirmou.
Ela também usou uma expressão que arrancou risos na conversa ao explicar por que muitos executivos recorrem ao seu serviço: “Os meus clientes, eles me procuram porque eles não têm tempo, eles não sabem e eles não gostam. E aí que eu venho, sou a babá do LinkedIn, de uma forma carinhosa”.
Dostal definiu protagonismo como ocupação de espaço com maturidade, inclusive para abrir lugar ao outro. “Protagonista pra mim é assumir a minha narrativa, mas mais ocupar o meu espaço”, afirmou. E concluiu: “É ocupar o espaço no tempo certo, mas sair de cena quando você precisa colocar outra pessoa como protagonista”.
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