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Com guerra no Irã, startups de defesa europeias aumentam contratos e reforçam presença no Oriente Médio
Publicado 31/03/2026 • 08:26 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 31/03/2026 • 08:26 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Frankenburg
Teste de tiro real do míssil interceptor Frankenburg Mark I.
Startups europeias de tecnologia de defesa estão ampliando negociações comerciais com governos do Oriente Médio desde o início da guerra no Irã, disseram executivos à CNBC. Segundo um dos CEOs ouvidos, o interesse de países do Golfo “disparou” à medida que eles buscam reforçar medidas para conter ataques com drones e mísseis.
O Irã tem atingido países vizinhos desde que uma operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel começou no fim de fevereiro. Mais de 3.000 drones e mísseis foram lançados contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait, de acordo com dados compilados pelo think tank Center for Strategic and International Studies.
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Startups europeias que desenvolvem tecnologia de defesa — especialmente interceptadores de drones e mísseis — afirmaram à CNBC que vêm mantendo cada vez mais conversas com Estados do Golfo e recebendo abordagens para fornecer equipamentos às suas forças armadas. Outras empresas estão acelerando contratações na região para atender à demanda por seus sistemas.
No início deste mês, o governo do Reino Unido organizou uma reunião com empresas de defesa e embaixadores e adidos militares da Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Jordânia.
A discussão se concentrou em “possíveis novos equipamentos e tecnologias defensivas que empresas sediadas no Reino Unido poderiam fornecer rapidamente a aliados para conter ataques iranianos com drones e mísseis”, informou o governo em comunicado.
Participaram do encontro a Frankenburg Technologies, startup com sede na Estônia que desenvolve mísseis para interceptar drones; a britânica Cambridge Aerospace, que atua com interceptadores de drones e mísseis; e a Uforce, startup ucraniana-britânica que desenvolve sistemas autônomos.
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A Frankenburg tem visto as negociações comerciais com países do Golfo se acelerarem desde o início da guerra no Irã, afirmou à CNBC o CEO Kusti Salm.
A empresa está atualmente em tratativas com diversos governos do Oriente Médio para a aquisição de sua tecnologia, disse Salm, sem revelar quais.
O volume potencial de encomendas por parte dos países do Golfo chega à casa dos milhares de mísseis, segundo o executivo, que acrescentou que a Frankenburg trabalha com esses clientes para atender à demanda em um “cronograma de entrega acelerado”.
A Cambridge Aerospace, que não comentou sobre negociações comerciais no Oriente Médio nem sobre planos de captação de recursos ao ser procurada pela CNBC, anunciou em setembro dois produtos de interceptação de mísseis e drones.
Um deles é apresentado pela empresa como um interceptador de baixo custo e escalável para mísseis de cruzeiro e drones de grande porte; o outro é descrito como um “interceptador para alvos de maior velocidade e valor”.
No início deste mês, o Financial Times informou que a empresa está em negociações para levantar novos recursos a uma avaliação superior a US$ 1 bilhão.
A startup britânica Valarian, que desenvolve infraestrutura digital para usos sensíveis, inclusive na área de defesa, não tinha contratos de defesa com países do Golfo antes da guerra no Irã, mas viu as conversas comerciais aumentarem desde o início do conflito, afirmou o CEO Max Buchan à CNBC.
A Uforce registrou uma disparada no interesse de países do Golfo por sua tecnologia de defesa desde o início da guerra no Irã, disse à CNBC o CEO Oleg Rogynskyy. A empresa desenvolve diversas tecnologias de defesa, incluindo sistemas de combate a aeronaves não tripuladas (UAS), drones marítimos e de ataque e softwares para o campo de batalha.
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“Estamos recebendo uma enorme quantidade de consultas”, afirmou. “Países do Golfo estão nos procurando para entender como conduzir operações não tripuladas em larga escala.” Isso inclui operações de interceptação, desminagem, ataque, comboios e escoltas futuras, além de patrulhas marítimas, acrescentou.
A Uforce tem fornecido tecnologia de defesa para operações ucranianas no Mar Negro, disse Rogynskyy, acrescentando que as lições dessa guerra “são diretamente aplicáveis ao que está acontecendo no Irã, tanto do ponto de vista operacional quanto tático e estratégico”.
“Estamos observando uma negação marítima muito semelhante, baseada em minas e mísseis por parte do Irã, à forma como a Rússia inicialmente impediu a exportação de grãos ucranianos.”
A Uforce, que levantou US$ 50 milhões a uma avaliação superior a US$ 1 bilhão no início deste mês, agora busca contratar uma equipe baseada permanentemente no Oriente Médio, devido à demanda gerada pela guerra no Irã. A empresa mantém atualmente uma delegação ucraniana na região, mas pretende recrutar entre cinco e dez funcionários nas próximas semanas, afirmou o CEO.
A Frankenburg também planeja montar uma equipe no Oriente Médio. Antes da guerra, a startup não tinha funcionários na região, mas agora pretende ampliar as contratações “de forma significativa”, disse Salm. Embora o Oriente Médio já fosse um foco da empresa desde sua fundação, em 2024, os planos de contratação foram acelerados em razão do conflito.
Startups europeias de tecnologia de defesa têm captado valores recordes nos últimos anos, à medida que as tensões geopolíticas globais se intensificaram. O setor levantou US$ 1,8 bilhão em 2025, segundo a plataforma Dealroom, quase três vezes o recorde anual anterior, e já soma US$ 854 milhões captados até agora em 2026.
Reino Unido e Alemanha emergiram como polos centrais dessa nova onda de empresas de defesa, com França e Ucrânia também desenvolvendo startups cada vez mais capitalizadas.
Os governos dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Kuwait foram procurados para comentar. O governo do Bahrein preferiu não se manifestar.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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