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Mercosul usa tarifaço dos EUA para acelerar acordos fora do bloco, diz Roberto Giannetti
Publicado 01/07/2026 • 00:00 | Atualizado há 4 meses
Publicado 01/07/2026 • 00:00 | Atualizado há 4 meses
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O avanço do protecionismo global, puxado pelo tarifaço dos Estados Unidos, deu novo estímulo ao Mercosul para buscar acordos comerciais fora do bloco, afirmou Roberto Giannetti da Fonseca, empresário e ex-secretário executivo da Camex, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo ele, o tema da integração regional voltou ao centro da cúpula do Mercosul, mas agora com uma urgência maior diante da reorganização do comércio internacional.
“O Mercosul encontra uma força, um estímulo para aumentar os acordos extra bloco”, afirmou.
Giannetti disse que há uma agenda ampla de negociações comerciais em andamento. Ele citou conversas com Panamá, República Dominicana, Guiana, Trinidad e Tobago, Suriname e Chile, além do aperfeiçoamento de acordos de complementação comercial com Colômbia e Peru.
Também estão no radar acordos mais amplos com Japão, Índia, Canadá e Emirados Árabes.
“Tem simultaneamente uma dezena de processos comerciais em andamento. Isso é inédito no Mercosul”, disse.
Leia também: Mercosul busca ampliar acordos comerciais em meio à reorganização do comércio global
Sobre o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, Giannetti afirmou que a implementação ainda está em estágio inicial e depende de ratificação do Parlamento Europeu, além de uma fase longa de transição.
Ele concordou com a crítica feita pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña, sobre assimetrias entre os blocos.
Segundo o ex-Camex, a União Europeia impôs salvaguardas e cotas tarifárias principalmente para produtos agropecuários, como alimentos, carne e proteínas animal e vegetal.
“Isso é muito complicado”, afirmou.
Giannetti disse que, enquanto produtos industrializados terão redução tarifária gradual em prazos de médio e longo prazo, as restrições para produtos agrícolas devem permanecer por mais tempo.
Ele também apontou a França como um dos principais focos de resistência dentro da União Europeia.
“A França tem uma sede protecionista muito grande”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, quando não há restrições tarifárias diretas, surgem barreiras não tarifárias, como exigências sanitárias, ambientais e de sanidade.
Giannetti afirmou que um acordo com o Japão tem potencial de avançar porque há complementaridade entre as economias.
Segundo ele, o Japão tem presença relevante de investimentos no Brasil e interesse em ampliar a integração com o Mercosul por demanda de recursos naturais, minerais críticos, etanol e mercado para produtos industrializados.
“O Japão pode ser um ótimo acordo, assim como a Índia também”, disse.
No caso da Índia, Giannetti destacou a demanda crescente por alimentos e a força do país em serviços, produtos industriais e farmacêuticos.
Para ele, um acordo comercial poderia ampliar o comércio em duas vias: mais exportações de alimentos do Mercosul e maior presença indiana em setores de maior valor agregado na região.
Leia também: Incertezas nas relações bilaterais reforçam papel do Mercosul na estratégia comercial da região
Giannetti afirmou que o Mercosul tenta agir no contraciclo em um momento de guerra comercial entre grandes economias.
Segundo ele, Estados Unidos, União Europeia e China entraram em uma nova disputa tarifária, criando um novo xadrez geopolítico global.
Nesse cenário, buscar mais acordos comerciais pode ajudar o Mercosul a desviar comércio e reduzir a dependência de mercados afetados por barreiras.
“Já que a gente vai exportar menos para os Estados Unidos, precisamos exportar mais para outros países”, afirmou.
Para Giannetti, a estratégia é positiva porque pode ampliar a competitividade das empresas do bloco e abrir novas parcerias comerciais.
“É uma estratégia muito bem pensada, inteligente e estratégica para que a gente possa tomar vantagem nessa nova conjuntura geopolítica”, disse.
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