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Minerais críticos: Fundo Especial do Japão e BID contratam empresas para mapear Bahia e Minas Gerais

Publicado 23/08/2026 • 13:28 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O projeto é executado em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e destaca a posição relevante do Brasil nas novas cadeias globais de tecnologia e energia.
  • Na Bahia, o levantamento será realizado no Bloco Jequié, área de interesse para minerais associados à transição energética; em Minas Gerais, o trabalho será na Província Pegmatítica Oriental do Brasil, ligada a minerais usados na cadeia de baterias e veículos elétricos.
  • O orçamento está estimado em US$ 200 mil para os dois levantamentos e não tem valores reembolsáveis ao Fundo Especial do Japão
  • Projeção do BID calcula em US$ 770 bilhões valores em torno de acordos para desenvolver projetos na América Latina envolvendo governos  de países produtores e empresas.

Os minerais críticos brasileiros estão ganhando espaço na agenda do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A instituição abriu prazo para empresas interessadas em realizar novos levantamentos geoquímicos na Bahia e em Minas Gerais, em uma iniciativa voltada a ampliar o conhecimento sobre áreas com potencial para matérias-primas consideradas estratégicas.

As contratações fazem parte do projeto Mapeamento Geológico de Minerais Críticos no Brasil, executado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em parceria com o BID e financiado com recursos não reembolsáveis do Fundo Especial do Japão. Os dois trabalhos têm orçamento estimado em US$ 200 mil.

O BID recebe manifestações de interesse das empresas até 28 de agosto. Os levantamentos serão realizados no Bloco Jequié, na Bahia, e na Província Pegmatítica Oriental do Brasil, em Minas Gerais.

Bahia entra no mapa dos minerais para a transição energética

Na Bahia, o levantamento será concentrado no Bloco Jequié. O trabalho busca ampliar as informações geoquímicas disponíveis sobre a região e ajudar na identificação de áreas com potencial mineral.

O movimento ocorre em meio à corrida internacional por minerais considerados importantes para a transição energética. Esses recursos são utilizados em diferentes tecnologias necessárias à descarbonização da economia, da geração de energia aos equipamentos empregados nas novas cadeias industriais.

O levantamento geoquímico funciona como uma espécie de rastreamento do território: amostras são coletadas e analisadas para identificar elementos químicos presentes nas rochas, solos e sedimentos. Os resultados ajudam a apontar áreas que podem justificar estudos geológicos mais detalhados.

Minas tem foco em região ligada à cadeia de baterias

Em Minas Gerais, o levantamento será realizado na Província Pegmatítica Oriental do Brasil. A região ganha relevância pela ocorrência de minerais associados às cadeias tecnológicas que incluem baterias e veículos elétricos.

O avanço desse mercado aumentou a procura global por matérias-primas necessárias ao armazenamento de energia e à eletrificação dos transportes. Para o Brasil, ampliar o conhecimento sobre essas ocorrências é uma etapa anterior à identificação mais precisa do potencial econômico das áreas.

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A iniciativa, portanto, não significa que novas minas serão abertas. O objetivo desta etapa é aumentar o nível de informação geológica disponível e indicar regiões que podem receber pesquisas mais aprofundadas.

Mapeamento ganha peso na estratégia brasileira

Projeção do BID calcula em US$ 770 bilhões valores em torno de acordos para desenvolver projetos na América Latina envolvendo governos  de países produtores e empresas. Com acordos de 20 ou 30 anos, as iniciativas buscam a integração entre governos e empresas em projetos de processamento, refino e manufatura desses dos recursos. 

O projeto também chama atenção para uma das etapas consideradas fundamentais na corrida pelos minerais críticos: conhecer melhor o subsolo brasileiro. Quanto maior o detalhamento geológico, maior a capacidade de identificar ocorrências e direcionar futuras pesquisas minerais.

É nesse ponto que a parceria entre SGB, BID e Fundo Especial do Japão se encaixa. Em vez de atuar diretamente na exploração, a iniciativa financia a produção de conhecimento geológico que pode servir de base para decisões futuras sobre pesquisa e desenvolvimento mineral.

O interesse ocorre em um momento em que o Brasil busca transformar sua disponibilidade de recursos minerais em uma posição mais relevante nas novas cadeias globais de tecnologia e energia. Estudos conduzidos no âmbito do Ministério de Minas e Energia também vêm discutindo a construção de uma estratégia nacional para minerais críticos e terras raras.

Com vocações distintas, Bahia e Minas Gerais entram nessa estratégia por caminhos diferentes: a Bahia pelo potencial de minerais associados à transição energética e Minas pela presença de recursos ligados, entre outras aplicações, à cadeia de baterias e veículos elétricos.

As empresas interessadas nos levantamentos devem apresentar ao BID comprovação de experiência e capacidade técnica. O prazo para manifestações de interesse termina em 28 de agosto de 2026.

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