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Como a Coca-Cola quer automatizar a produção de refrigerantes e refrescos

Publicado 22/08/2026 • 17:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Coca-Cola está trabalhando em equipamentos para automatizar a produção de refrigerantes e bebidas refrescantes, já que os consumidores desejam cada vez mais opções de bebidas.
  • Desde o McDonald’s até o Wendy’s, os clientes de longa data da Coca-Cola têm expandido sua oferta de bebidas para aumentar suas margens de lucro.
  • Os refrigerantes gaseificados ainda são a maior categoria da Coca-Cola, mas outros tipos de bebidas têm projeções de crescimento mais elevadas.

Foto: Coca-Cola

A Coca-Cola está ampliando sua aposta em bebidas personalizáveis e em novos equipamentos voltados às tendências de consumo, à medida que consumidores e operadores de restaurantes buscam cada vez mais opções.

Em um discreto parque empresarial próximo à sede global da companhia, a Coca-Cola vem desenvolvendo uma série de inovações em seus laboratórios, incluindo uma tecnologia que permite às máquinas de bebidas Freestyle preparar as chamadas “dirty sodas” — refrigerantes combinados com xaropes saborizados, creme ou outros ingredientes.

Em parceria com a AMC Theatres, a empresa também testa uma máquina Micro Matic capaz de preparar “refreshers” de cores vibrantes. Além disso, a Coca-Cola prepara novas opções de bebidas de marca branca, como uma bebida energética que poderá ser personalizada em cor e sabor.

Para muitos restaurantes, bebidas preparadas na hora, como refreshers e cafés gelados, se tornaram uma importante ferramenta para atrair clientes e aumentar as vendas, mesmo em um momento em que os consumidores estão reduzindo gastos.

No segundo trimestre deste ano, o número de bebidas consumidas em restaurantes cresceu mais do que tanto o consumo de alimentos sem bebidas quanto o de refeições acompanhadas de bebidas, segundo dados da Circana. Fora de casa, uma bebida representa cada vez mais do que simplesmente hidratação, especialmente para a Geração Z.

“Frequentemente, essas bebidas são uma oportunidade de fazer uma pausa, obter energia ou proteína ou simplesmente se permitir um agrado, a um preço mais acessível”, afirmou à CNBC David Portalatin, vice-presidente sênior da Circana e consultor do setor de alimentação fora do lar.

De McDonald’s a Wendy’s, clientes tradicionais da Coca-Cola vêm ampliando seus cardápios de bebidas para acompanhar essa mudança no comportamento do consumidor e aumentar suas margens de lucro. À medida que restaurantes adicionam mais opções aos menus, a Coca-Cola precisa oferecer soluções cada vez mais práticas — ou corre o risco de perder vendas para concorrentes.

“Nosso trabalho é garantir que estamos oferecendo experiências e bebidas únicas, porque isso não é mais um bônus para os consumidores — virou o padrão. Eles esperam isso”, afirmou Megan Tallman, vice-presidente de equipamentos para bebidas e inovação da Coca-Cola na América do Norte.

Segundo ela, consumidores da Geração Z estão dispostos a pagar US$ 10 por uma bebida que desperte desejo e que possa ser exibida no Instagram ou no TikTok, ajudando os restaurantes a ampliar suas margens e aumentar a venda de bebidas junto às refeições.

Além da Freestyle

Em julho, a máquina de bebidas Freestyle da Coca-Cola completou 17 anos.

“Honestamente, se você olhar para os dias de hoje, a Freestyle é provavelmente mais relevante agora do que era há mais de uma década”, afirmou Tallman, atribuindo parte desse sucesso à variedade de sabores oferecidos pelo equipamento.

Mesmo com essa diversidade, a Coca-Cola continua buscando maneiras de evoluir a tecnologia para acompanhar as mudanças no mercado.

Desde o lançamento da Freestyle, o número de redes especializadas em bebidas cresceu significativamente. Essas empresas oferecem aos consumidores inúmeras possibilidades de personalização, desde a quantidade de açúcar até coberturas e complementos.

A consultoria de mercado Technomic acompanha mais de 100 redes desse tipo, que somam mais de 41 mil unidades nos Estados Unidos. Os estabelecimentos oferecem produtos que vão de café e sucos a bebidas de tapioca, conhecidas como boba.

Desde que as máquinas Freestyle começaram a aparecer em restaurantes e cinemas, já foram servidas mais de 67 bilhões de porções de 8 onças, segundo a Coca-Cola. A companhia consegue acompanhar esses dados graças à coleta de informações em tempo real realizada pelos equipamentos.

Esses dados estão sendo usados para identificar tendências.

No Equipment Innovation Center, em Atlanta, uma enorme tela exibe informações em tempo real sobre quais bebidas servidas pelas máquinas Freestyle estão ganhando popularidade, em quais horários e em quais tipos de estabelecimentos e regiões.

A água com gás AHA, por exemplo, vem ganhando força em escritórios e hospitais.

Os dados das máquinas também ajudam a Coca-Cola a identificar bebidas que podem posteriormente ser lançadas no varejo, como a Coca-Cola Orange Cream, uma edição limitada que combina o refrigerante tradicional com xaropes de baunilha e laranja.

“Se vemos que os sabores que oferecemos aos consumidores no food service estão realmente tendo boa aceitação, essa é a maior plataforma de testes que existe”, disse Tallman.

Mas a empresa tem outros projetos em desenvolvimento.

Um deles é a Freestyle Mini, lançada inicialmente na Europa. Desenvolvida para bares e restaurantes com pouco espaço, a máquina comporta até 16 opções de bebidas — mais que o dobro das alternativas disponíveis em uma pistola tradicional de refrigerante.

A Coca-Cola apresentou o equipamento no National Restaurant Association Show, em Chicago, neste ano, mas ainda não começou a vendê-lo para clientes nos Estados Unidos.

A empresa também trabalha em novos equipamentos voltados à expansão para categorias como dirty sodas, refreshers e café.

Para automatizar a preparação das dirty sodas, a Coca-Cola criou um protótipo que adiciona um módulo de laticínios à máquina Freestyle tradicional.

A rede Swig, de Utah, reivindica a criação da dirty soda, mas a tendência se espalhou rapidamente e hoje pode ser encontrada desde restaurantes do KFC até prateleiras de supermercados.

O movimento ajudou a transformar a imagem do refrigerante: de uma bebida tradicional e produzida em massa para uma opção artesanal, personalizável e associada a momentos de indulgência.

“Para a Geração Z, nada do que você consome é neutro. Tudo está ajudando você ou custando algo”, afirmou Matthew Greer, analista de alimentos, agronegócio e bebidas da Truist.

Segundo ele, o refrigerante tradicional pode ser visto por parte dessa geração como uma bebida que oferece pouco benefício e contém uma quantidade elevada de açúcar.

A popularização das dirty sodas é positiva para a Coca-Cola porque os refrigerantes continuam sendo sua principal categoria. O negócio de bebidas gaseificadas da companhia, que inclui marcas como Sprite, Schweppes e Fanta, representa 69% do volume total de caixas unitárias da empresa, mesmo com o crescimento de outras categorias, como café e bebidas à base de leite.

A própria Coca-Cola respondeu por 47% do volume global de caixas unitárias e 42% do volume nos Estados Unidos em 2025, segundo documento da companhia.

A dirty soda desenvolvida pela Coca-Cola utiliza uma receita pré-programada, o que limita a personalização, mas evita sujeira e facilita a operação. O protótipo foi criado em aproximadamente três semanas e mantém o conhecido efeito de líquido escorrendo pelas laterais do copo, uma característica visual da bebida.

Coca-Cola amplia aposta em refreshers

Além da Freestyle, a Coca-Cola também testa máquinas de “mixologia” da Micro Matic para preparar refreshers e cafés gelados.

A Starbucks criou o refresher em 2012 para atrair consumidores que não bebiam café, especialmente no período da tarde, quando o movimento nas lojas diminuía.

Os clientes podem escolher a base, os sabores e até o nível de cafeína. Atualmente, os refreshers representam aproximadamente US$ 2 bilhões em vendas anuais para a Starbucks.

Outras redes, como Panera Bread e Dunkin’, também aderiram à tendência. Os refreshers aparecem hoje em 8,1% dos cardápios das grandes redes de restaurantes, segundo a Datassential.

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A Coca-Cola quer conquistar uma fatia desse mercado.

“Não existe uma definição real para o que é um refresher. Por isso, estamos tentando estabelecer o que essa categoria pode representar e qual função acreditamos que ela deve entregar ao consumidor”, afirmou Sarah Kate Sims, diretora de inovação de bebidas da Coca-Cola North America.

Para Sims, um refresher deve ser uma bebida considerada mais saudável, capaz de proporcionar energia sem depender da tradicional base de cafeína do café. Entre as possibilidades estão chá verde ou extrato natural de café.

E a aparência também importa.

“É nisso que estou trabalhando para o próximo ano”, afirmou Sims.

Dentro do “The Vault”

A estratégia de inovação da Coca-Cola não se limita aos equipamentos. Do outro lado do estacionamento do escritório Global Equipment Platforms fica o “The Vault”, espaço onde a companhia desenvolve e testa novas bebidas.

“Levamos muitos dos nossos principais clientes até aqui para apresentar nossas inovações e mixologia, mas também para colaborar, resolver problemas e enfrentar os maiores desafios do negócio”, explicou Caroline Zambataro, arquiteta de colaboração da Coca-Cola.

Um desses clientes é a Whataburger. A Coca-Cola trabalhou durante cerca de 18 meses com a rede de hambúrgueres do Texas para desenvolver a linha “Whatafreshers”, lançada em julho.

Em alguns casos, o consumidor pode nem perceber que está consumindo um produto da Coca-Cola.

A companhia, por exemplo, se considera pioneira no segmento de limonadas premium depois de lançar uma versão de marca branca há mais de uma década.

Segundo Tallman, mais de 40 mil máquinas dispensadoras oferecem a bebida. A rede Wendy’s está entre os clientes e vende o produto com o nome “Dave’s Craft Lemonade”, em referência ao fundador Dave Thomas.

Atualmente, a limonada também é uma das principais bases para refreshers e outras bebidas coloridas.

A Sprite segue uma trajetória semelhante e ficou em quinto lugar entre as marcas de refrigerantes gaseificados mais vendidas nos Estados Unidos em 2025, segundo a Beverage Digest.

A Coca-Cola também está desenvolvendo uma nova plataforma para bebidas artesanais: uma bebida energética relativamente neutra e sem cor, disponível nas versões congelada ou líquida.

A companhia planeja lançar o produto com operadores de food service no primeiro semestre de 2027.

Embora as bebidas energéticas ainda representem uma categoria muito menor que os refrigerantes, o segmento apresenta as maiores projeções de crescimento para os próximos dez anos, segundo Tallman.

A executiva afirma que a nova solução também pode atrair mais consumidoras, especialmente quando oferecida como uma bebida preparada na hora.

A ascensão da Celsius também ajudou a transformar a percepção sobre bebidas energéticas, ampliando o público e as ocasiões de consumo, segundo Greer, da Truist.

Em vez de serem associadas apenas a uma bebida comprada em postos de gasolina para obter energia rapidamente, elas passaram a fazer parte, para alguns consumidores, de rotinas de exercícios e outros momentos do dia.

A versão da Coca-Cola será preparada e servida por funcionários, com o objetivo de ajudar a controlar o consumo, segundo Tallman.

Uma porção de 12 onças terá 106 miligramas de cafeína, aproximadamente a mesma quantidade encontrada em uma lata de Red Bull do mesmo tamanho e metade da cafeína presente em uma lata de Celsius.

O controle sobre a cafeína ganhou importância após a limonada Charged Lemonade, da Panera Bread, ser citada em pelo menos duas ações judiciais por morte por negligência.

Bebidas viram oportunidade para restaurantes

A Coca-Cola afirma que tem recebido cada vez mais consultas de parceiros do setor de alimentação interessados em bebidas personalizáveis.

“Quando você olha para o que o McDonald’s está fazendo com as bebidas artesanais, todos os nossos clientes estão dizendo: ‘Nós também deveríamos estar fazendo isso’”, afirmou Melinda Pritchett, diretora de inovação da Coca-Cola na América do Norte.

Como maior rede de restaurantes dos Estados Unidos em vendas do sistema, o McDonald’s costuma influenciar outras empresas do setor.

Em maio, a rede ampliou seu menu McCafé nos Estados Unidos para incluir refreshers e bebidas artesanais, incluindo opções com Sprite e Hi-C, como parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a categoria de bebidas.

“As vendas de bebidas nos Estados Unidos estão acima do planejado. O ticket médio está maior e estamos observando novas ocasiões de consumo ao longo do dia”, afirmou o CEO do McDonald’s, Chris Kempczinski, durante a divulgação dos resultados da companhia no início de agosto.

O executivo também destacou o forte consumo de alimentos associado aos pedidos de bebidas.

O lançamento, porém, ocorreu em um trimestre fraco para a operação americana do McDonald’s, que registrou crescimento de apenas 0,8% nas vendas mesmas lojas. A companhia também substituiu seu presidente nos Estados Unidos em uma tentativa de acelerar o desempenho da operação doméstica.

Na segunda-feira, o McDonald’s ampliou novamente sua oferta de bebidas com o Red Bull Dragonberry Energizer.

A Red Bull é uma empresa privada e não possui relação com a Coca-Cola. A escolha de uma concorrente em vez de uma bebida energética ligada à Coca-Cola, como a Monster, gerou especulações sobre o futuro da parceria entre McDonald’s e Coca-Cola, que já dura mais de 70 anos.

O CEO da Coca-Cola, Henrique Braun, afirmou que a relação entre as empresas continua forte e que a companhia respeita as decisões do McDonald’s sobre parcerias com outras empresas.

No fim, porém, o principal indicador de qualquer parceria comercial continua sendo o impacto nas vendas.

Ao testar uma nova bebida com um parceiro do setor de alimentação, a Coca-Cola acompanha métricas como o chamado “volume incremental” — ou seja, se o consumidor compraria aquela nova bebida mesmo que não tivesse comprado nenhuma outra bebida anteriormente.

Uma pesquisa com dezenas de franqueados do McDonald’s nos Estados Unidos, realizada pela Kalinowski Equity Research, mostrou que mais da metade dos operadores afirmou que as bebidas especiais estão apresentando desempenho dentro das expectativas.

Apesar disso, um dos franqueados resumiu o desafio: as bebidas estão vendendo bem, mas grande parte das vendas parece estar substituindo o consumo de outras bebidas, em vez de necessariamente gerar novos clientes ou novas transações.

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