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Negócios, família e futebol: quem é Marcos Lamacchia, favorito a assumir a SAF do Vasco

Publicado 25/09/2026 • 06:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Marcos Lamacchia chega ao leilão de 90% da SAF do Vasco como único interessado com proposta formalizada, em uma operação que prevê R$ 500 milhões para o futebol e outras garantias financeiras.
  • O empresário atua no mercado financeiro, é sócio-fundador e CEO da Blue Star e tem ligação familiar com a Crefisa por ser filho de José Roberto Lamacchia, marido de Leila Pereira.
  • Os vínculos familiares com Leila Pereira e a passagem anterior de integrantes da família pela estrutura societária da empresa envolvida na operação aumentaram os questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

Reprodução Redes Sociais

O leilão de 90% da nova SAF do Vasco, que acontece nesta sexta-feira (25), às 14h, possui apenas uma proposta devidamente formalizada: a da Almirante Participações e Empreendimentos S.A., ligada ao empresário Marcos Faria Lamacchia. A operação pode definir o novo controlador do futebol vascaíno, mas ocorre em meio a questionamentos judiciais e a discussões sobre os vínculos familiares do investidor com Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

Lamacchia, de 47 anos, é filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa e marido de Leila. A relação familiar ganhou relevância no processo porque negócios da família já tiveram participação direta ou indireta na estrutura societária da empresa que hoje conduz a proposta pelo Vasco.

Além disso, órgãos especializados na fiscalização financeira do futebol passaram a analisar um possível conflito de interesses.

Leia também: Vasco recebe parte do empréstimo ligado a possível nova SAF

Proposta prevê R$ 500 milhões para o futebol

A Almirante Participações apresentou a proposta que serve de referência para o processo competitivo. Entre os compromissos previstos está um aporte de R$ 500 milhões com destinação exclusiva ao futebol. O projeto também estabelece investimentos em infraestrutura, como centro de treinamento e categorias de base, além de obrigações relacionadas à situação financeira do clube.

Lamacchia já havia financiado o Vasco antes da conclusão de uma eventual aquisição. A Almirante concedeu R$ 40 milhões por meio de um empréstimo DIP, mecanismo utilizado por empresas em recuperação judicial para obter recursos e manter suas atividades.

Caso a compra seja concluída nas condições previstas, esse montante será considerado na estrutura financeira da operação.

O processo sofreu ajustes ao longo dos últimos meses. Representantes da família Lamacchia revelaram publicamente que foram realizadas alterações contratuais, conforme solicitado pela Justiça e pelos responsáveis pela fiscalização da SAF. Entre as exigências estavam mudanças na multa prevista caso o negócio não fosse concluído, garantias adicionais para assegurar capacidade financeira e definições mais detalhadas sobre o fluxo destinado ao pagamento da recuperação judicial. O contrato voltou então para análise judicial.

Pelas regras estabelecidas para o processo, a Almirante ocupa a posição de investidor âncora e tem o direito de igualar uma eventual oferta superior apresentada por outro interessado. Até a véspera do leilão, porém, nenhuma proposta concorrente foi formalizada.

Credores tentam barrar operação

A realização do leilão também enfrenta resistência na Justiça, uma vez que um grupo formado por sete ex-jogadores — Breno, Douglas Silva, Lucas Kal, Lucas Siqueira, Luiz Gustavo, William Barbio e Willian Maranhão — e um preparador físico apresentou recurso para tentar interromper a criação da nova SAF e, consequentemente, o procedimento de venda.

Os credores questionam uma decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro que autorizou a estruturação da operação e um novo financiamento DIP. Entre os argumentos apresentados estão a necessidade de maior análise sobre a criação de uma nova sociedade a partir de uma SAF já submetida à recuperação judicial, o tratamento dado aos credores, possíveis efeitos de sucessão empresarial e a necessidade de aprovação de determinadas etapas da transação.

O pedido pretende suspender ou revogar as autorizações até uma nova apreciação judicial. Dessa forma, apesar da data marcada para a venda, o negócio permanece sujeito a decisões da Justiça e ao cumprimento das condições estabelecidas no processo.

Quem é Marcos Lamacchia

Formado em Administração de Negócios, com especializações em Contabilidade e Direito Empresarial pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, Lamacchia também cursou especialização em Direito Empresarial na Fundação Getulio Vargas (FGV).

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Antes de concentrar sua atuação em negócios próprios, passou pelo Eagle Bank, pelo Conglomerado Alfa e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Entre 2004 e 2009, foi diretor da Crefisa, empresa fundada por seu pai.

Desde 2008, está à frente da Blue Star, empresa de consultoria financeira e investimentos sediada em São Paulo, da qual é sócio-fundador e executivo-chefe. Sua mãe, Junia Faria, também integra o quadro societário. Ela é filha do banqueiro Aloysio de Andrade Faria, que controlou negócios ligados ao Banco Real e, posteriormente, ao Conglomerado Alfa.

Empresa que disputa o Vasco passou pela família

A Almirante Participações nem sempre teve esse nome. A companhia foi constituída em março de 2024 como Top Gol Participações e Empreendimentos e, desde sua origem, previa investimentos em sociedades anônimas do futebol.

Segundo o UOL, a empresa nasceu sob controle de uma holding ligada aos proprietários da Crefisa. Na composição inicial, José Roberto Lamacchia detinha, indiretamente, 98% da companhia, enquanto Leila Pereira tinha participação indireta minoritária de 2%.

A participação de Leila durou pouco mais de um mês. Ela deixou a estrutura societária em abril de 2024, antes do avanço das atuais negociações com o Vasco. José Roberto permaneceu no controle até agosto de 2025, quando a empresa passou para Marcos Lamacchia.

No mês seguinte, a companhia adotou o nome Almirante Participações. Hoje, é por meio dela que Marcos conduz a tentativa de assumir o controle da SAF vascaína.

Não há evidência de que Leila participe das negociações atuais. A própria Almirante sustenta que, quando começaram as tratativas relacionadas ao Vasco, a estrutura empresarial ligada à presidente do Palmeiras já não possuía participação direta ou indireta na companhia.

José Roberto, por outro lado, continuou relacionado à estrutura financeira do negócio. Além de sua passagem anterior pelo controle da empresa, o fundador da Crefisa é apontado como avalista da operação conduzida pelo filho.

Relação com Leila e Palmeiras gera questionamentos

A proximidade familiar ganhou dimensão esportiva porque Leila Pereira ocupa a presidência do Palmeiras, clube que disputa as mesmas competições nacionais do Vasco. Marcos é seu enteado, mas tanto a dirigente quanto pessoas ligadas ao empresário afirmam que ele conduz negócios próprios e não trabalha na estrutura empresarial administrada pelo casal.

A discussão aumentou em agosto, quando Marcos acompanhou Palmeiras x Vasco no estádio palmeirense. Antes da partida, ele e Leila apareceram juntos no gramado e trocaram camisas dos clubes. A cena ocorreu durante a negociação da SAF em andamento e intensificou o debate público sobre a proximidade entre os envolvidos.

A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol abriu procedimento para analisar se os vínculos podem representar conflito de propriedade ou influência entre os clubes. Enquanto o caso é examinado, foram impostas restrições cautelares a determinadas relações comerciais entre Vasco, Palmeiras e o conglomerado ligado à Crefisa. Entre as situações abrangidas estão negociações de jogadores, operações financeiras e compartilhamento de estruturas ou informações consideradas sensíveis.

Leilão pode definir novo capítulo da SAF

Caso não haja uma decisão judicial que interrompa o procedimento nem apareça uma proposta concorrente dentro das regras estabelecidas, Lamacchia chegará ao leilão como único interessado formal e com uma estrutura contratual já negociada com o Vasco.

A eventual vitória, contudo, não encerra automaticamente todas as etapas. É importante lembrar que a transferência do controle depende da homologação da operação, do cumprimento das garantias financeiras e das exigências relacionadas à recuperação judicial e à fiscalização da SAF.

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